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Correio Braziliense

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ENTREVISTA / FERNANDO VALENZUELA

Para se conectar ao mundo

Faz tempo que o inglês deixou de ser um diferencial no currículo: o domínio do idioma é fundamental para ter voz no ambiente global. Presidente da National Geographic Learning apresenta novos recursos para o aprendizado

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postado em 18/10/2015 21:35

Fernando Valenzuela é presidente da National Geographic Learning / Cengage Learning para a América Latina e fundador do Linnea, primeiro laboratório de inovação em experiências de aprendizagem na América Latina. Bacharel em ciências da computação pela Universidade Iberoamericana, tem MBA em comércio internacional pela Universidade de Miami e foi professor por mais de 18 anos em instituições internacionais de graduação e pós-graduação.

Qual é a importância de dominar a língua inglesa?

Atualmente, é o idioma para viver conectado, ter voz no ambiente global e participar das transformações da sociedade. É também o caminho mais direto para o desenvolvimento econômico de cada indivíduo. O mercado de trabalho exige a fluência no inglês, e esse é um dos fatores decisivos para garantir uma contratação. Hoje, a fluência em outro idioma é tão importante quanto a formação acadêmica.

Como a falta de conhecimentos em inglês pode atrapalhar o crescimento do país e o funcionamento de empresas?
Vivendo em um mundo globalizado e conectado, a comunicação se faz necessária por meio de um idioma que seja comum a todos. O inglês é usado para duas pessoas se comunicarem quando uma não fala a língua da outra. Uma empresa que não consegue se comunicar com outra no exterior estaria, provavelmente, fadada a não alcançar o sucesso — ou, pelo menos, despenderia muito mais esforços e recursos para atingir seus objetivos. Como as companhias são uma amostragem do crescimento de um país, poderíamos transferir este desafio a qualquer nação onde a população ainda não esteja preparada para operar neste cenário.

Como presidente de uma empresa no ramo da educação, como você vê o ensino da língua inglesa hoje no Brasil?

O processo de aprendizagem, de modo geral, passa por uma transformação, pois os estudantes do século 21 têm necessidades diferentes daqueles do século passado. O ser humano conectado, globalizado, multitela, nativo digital, enfim, os estudantes que vivem na era da informação não conseguem mais acompanhar metodologias e usar materiais que não sejam alinhados com suas características. Portanto, as escolas com maiores chances de sucesso são aquelas que percebem isso e mudam processos em função desta nova geração de aprendizes. É necessário que o professor se transforme, pois o papel do educador é integrar os estudantes naquela experiência. O Brasil ainda tem dificuldade com o inglês, por isso a importância do ensino dessa língua aqui é maior do que em outros países, que já avançaram nesse sentido. No Brasil, temos escolas de idiomas com qualidade e sem programa rígido, mas também existem empresas que prometem magia e nas quais a informação é passada de outras formas.

O que é preciso para ensinar inglês de um jeito inovador?

Ensinar de um jeito que permita aos estudantes deste século desenvolverem letramento social, visual e de mídia e pensamento crítico. São competências que vão muito além de saber ler e escrever e que são necessárias para viver, estudar e trabalhar em um mundo onde a velocidade da informação dá o tom. Qualquer método que lance mão de recursos para permitir que, além da aquisição do idioma, o aluno adquira cultura geral, conhecimento de mundo, capacidade de processar informação e, principalmente, pensamento crítico é um jeito inovador de ensinar.

O que um aluno precisa ponderar na hora de escolher um curso de inglês?
Se ele faz uso de tecnologia em seu dia a dia, muito provavelmente o ensino que associa tecnologia será eficiente para ele. O aluno que não consegue comparecer às aulas presenciais precisa ter à sua disposição um curso que contemple o ensino a distância, e aquele que precisa de acompanhamento frequente não pode ter sucesso em um curso totalmente autoinstrucional. Inúmeras ferramentas e objetos de aprendizagem estão à disposição do mercado — a ideal é aquela que vai de encontro ao perfil de cada um.

O que as empresas estão fazendo para ter funcionários fluentes em inglês?

Estão apostando em conteúdos que tenham relação com a tecnologia, além de buscar materiais com enfoque no que representa e interessa o estudante. Levando em conta esses dois fatores, o conteúdo consegue ser relevante para o aluno. Isso é um incentivo para que o funcionário não desista do curso de inglês, o que é benéfico tanto para ele quanto para a empresa.

Uma reclamação frequente entre recrutadores é que muita gente se diz fluente em inglês sem ser de fato. Como os brasileiros podem autoavaliar o nível de domínio do idioma? O que fazer para ser fluente?
Fluência se adquire com esforço e exposição ao idioma — seja em uma experiência internacional, seja frequentando um curso de qualidade. Não existe milagre quando se trata de tornar-se fluente. Em relação à autoavaliação, ela é subjetiva e passível de distorções, uma vez que os indivíduos podem ser proficientes em suas áreas de atuação e não em outros setores. A melhor forma de diagnosticar o nível de proficiência no idioma é por meio de exames padronizados — mesmo assim, ter um certificado desses não significa ter inglês nativo ou não ter sotaque.

Palavra de especialista
Idioma corporativo

O emprego dos termos técnicos é uma das maiores dificuldades do uso de um idioma no. Transpor a língua estrangeira para a estrutura do código materno gera os problemas mais comuns. É preciso estabelecer regularidade nos estudos e não ter medo de cometer erros, pois eles são essenciais no processo de aprendizagem. Para aperfeiçoar o conhecimento e aprender o vocabulário, é preciso se expor ao uso da língua diretamente. Cada área tem um jargão, então ler livros e assistir a palestras sobre o ramo é essencial. Numa reunião ou apresentação durante o expediente, a dica é preparar o conteúdo previamente, além de ensaiar em voz alta. Se possível, grave a si mesmo para verificar como melhorar.
Elvio Peralta, diretor-superintendente da Fundação Fisk

Novidade para aprender

O aplicativo de idiomas Easy Ten, criado pela startup russa de mesmo nome, é voltado para profissionais que dispõem de pouco tempo livre e que desejam aprender novos idiomas no dia a dia. A plataforma propõe o aprendizado de 10 palavras por dia em apenas 20 minutos. São oferecidos conteúdos dos idiomas inglês, alemão, francês, espanhol, italiano, russo, turco, chinês, coreano, japonês e português. O aplicativo é gratuito e está disponível na Apple Store e no Google Play. Informações: www.easy10.com/pt.

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