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Correio Braziliense

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PERFIS DE SUCESSO

A chef macrobiótica

Jornalista adotou o estilo de vida há 38 anos buscando a cura para uma virose e, há três décadas, abre as portas de casa para quem quer um almoço saudável, saboroso e até terapêutico

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postado em 18/10/2015 21:38 / atualizado em 18/10/2015 21:46

Ana Paula Lisboa

Numa simpática casinha na 706 Sul, a sala e a varanda se transformam, praticamente, num restaurante no horário de almoço, de terça a sexta-feira, para receber até 50 pessoas. À frente das panelas (normalmente de ferro) e da recepção dos convidados está Vera Viana, 68 anos. De avental, ela se reveza entre a cozinha e os visitantes. A comida é macrobiótica. Segundo essa filosofia japonesa, a base da alimentação deve estar em cereais integrais.

Paula Rafiza / Esp. CB / D.A Press
A dieta também prevê pouca carne e consumo limitado de frutas — pois acredita-se que só é benéfico comer aquelas da estação. Na casa de Vera, o protagonista é o arroz integral e, para acompanhar, há preparos de legumes e raízes. A entrada é sopa de legumes. O preço do almoço pode ser de R$ 48 ou R$ 43 (sem o antepasto). Entre as opções de sobremesa, estão brownie de cacau e manjar de arroz.

“É muito artesanal”, revela a chef sobre a preparação dos pratos. Ela acorda, diariamente, às 4h para cozinhar. De famíia goiana, a cozinheira seguia à risca as receitas japonesas, mas, com o tempo, passou a dar um toque pessoal aos preparos. Nos sábados, vai ao Ceasa às 4h30 para comprar os ingredientes (todos orgânicos). Além de cozinhar e de se exercitar, adora ler.

O fato de as refeições serem vendidas em casa atrai uma rede de amigos e conhecidos, mas também afasta muita gente. “Normalmente, vem quem tem uma filosofia de vida nesse sentido. O objetivo não é o lucro aqui”, explica. Entre os clientes, está o jornalista aposentado Carlos Alberto de Almeida, que encontra na casa de Vera uma opção para se alimentar de forma saudável. “Com a comida macrobiótica, nunca mais fui ao médico. Não tenho mais enxaquecas e, até para normalizar um cálculo renal, não tomei remédio.”

Paula Rafiza / Esp. CB / D.A Press
Também frequentam a casa no horário de almoço a filha e o genro de Vera: Maíra Hanashiro, 35 anos, e Bruno Ayub, 36. Inspirada pela mãe, no blog tampopogourmet.com.br, Maíra ensina como fazer receitas desse estilo de cozinha, e também outras. “Sempre pertenci a esse estilo de vida. Nasci de parto natural, nunca tomei remédios ou vacinas”, conta. “Se tinha febre, era acelga na nuca e tofu na testa”, exemplifica a mãe. Bruno conheceu o estilo de vida por meio de Maíra e de Vera e se encantou com o que elas serviam em casa. “Fomos a restaurantes de comida macrobiótica em São Paulo e em Portugal, mas só encontramos algo parecido no Japão. É ótimo, você sente, verdadeiramente, o sabor de cada elemento do prato.”

Mudança
Antes de ser chef de cozinha macrobiótica, Vera levava uma vida tumultuada. Enquanto estudava comunicação social na Universidade de Brasília (UnB), trabalhava em jornal e, à noite, frequentava festas. “Minha vida era um caos, assim como minha alimentação”, lembra. Depois de formada, atuou como jornalista na Folha de São Paulo, no extinto Jornal do Brasil, no Jornal de Brasília e no Correio Braziliense. A rotina era estressante e se tornava ainda mais tensa por causa do período da ditadura. Como ex-marido de Vera é arquiteto e trabalhava com Oscar Niemeyer, ela acabou indo para a Argélia, onde contraiu uma virose que atrapalhava a absorção de nutrientes.

“Hoje, peso 58kg. Naquele período, cheguei a ficar com 40kg”, recorda. O então casal se mudou para Paris em busca de tratamento, mas ela saiu do hospital desenganada, com o prognóstico de que teria dois meses de vida. De volta ao Brasil, Vera buscou apoio na sogra, japonesa, e resolveu tentar um novo estilo de vida. “A mudança não foi fácil, mas eu estava morrendo. Não foi uma opção natural”, revela. Durante uma temporada num sítio em Mariporã (SP), aproximou-se das tradições japonesas. “Fui eliminando as bobagens.”

Para manter o novo estilo, passou a cozinhar. Quando retornou a Brasília, os pratos fizeram sucesso entre amigos, como Vitor Buaiz, governador do Espírito Santo entre 1995 e 1999. Foi por meio dele que a casa começou a se encher, nos anos 1980. “Ele trazia muita gente, vários políticos, de Lula a Plínio de Arruda Sampaio. Quando vi, estava cozinhando para 50 pessoas por dia”, diz. “Recebemos amigos, conhecidos e conhecidos de conhecidos”, define. Quem quiser experimentar, pode reservar um lugar pelo e-mail vera.f.viana@gmail.com ou pelo telefone (61) 3225-9699.

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