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PERFIS DE SUCESSO »

Empresário do skate

Fundador da primeira loja do ramo no Conic oferece diversas opções de modelo há 20 anos. Os clientes se tornam amigos, e a primeira geração, hoje, vem com os filhos

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postado em 04/11/2015 12:35 / atualizado em 04/11/2015 13:23

Ana Paula Lisboa

Ana Rayssa

Por trás de um império do skate no DF, composto por duas lojas praticamente vizinhas, está Luis Moreira, 46 anos. Além de uma enorme diversidade de marcas e estilos de pranchas com rodas, ele comercializa roupas, tênis, mochilas e outros objetos que giram em torno do universo skatista. Há 20 anos, ele enxergou no esporte radical uma chance de ocupar um mercado em acensão e, há 12, abriu outra loja quase ao lado da primeira. “Eu frequentava lojas de rock por aqui, cursava contabilidade, fazia parte de movimento estudantil e também andava de skate. Percebi que o Setor Bancário era uma pista natural para isso — não foi criada com essa finalidade, mas era ocupada por skatistas. Resolvi abrir o negócio no Conic pela proximidade com o local e pelo movimento”, lembra.


Nascia, assim, a Funhouse Skate, pioneira no Conic. “Em Brasília, só tinha mais uma na Asa Norte e outra no Venâncio na época”, complementa Luis. “O movimento no início não era nem 10% do que temos agora. A localização é estigmatizada. Mas é trabalhando que quebramos isso.”


Quando abriu a loja, o jovem skatista teve que aprender a lidar com os desafios de ser empresário sozinho. “Por um lado, era uma época de estabilização econômica, o real estava sendo implantado; por outro lado, o skate começou a crescer, e outras lojas surgiram a reboque.” Anos depois, a esposa dele, que é administradora, passou a ajudar no negócio cuidando das finanças. Luis também fez cursos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para ter uma gestão mais profissional. “A maior dificuldade está nos encargos. O estado é um sócio que entra sem nenhum centavo e pega muito todo mês. Nossa margem de lucro não pode ser muito alta, então isso dificulta.”


A concorrência com outras empresas do ramo no centro comercial não o incomoda. “É natural, mostra que estamos avançado. Estima-se que existam, hoje, 8 milhões de skatistas no Brasil. De 1995 para cá, tivemos uns três ou quatro momentos em que virou moda, mas o esporte pegou”, conta. “O skate dita moda de roupas e calçados, é formador de opinião, é um estilo de vida”, define o empresário.


Tanto que o item mais vendido na Funhouse são tênis; em segundo lugar, ficam os skates — que podem ser street (o mais utilizado), longboard (maior e próprio para descer ladeiras), cruiser (pequeno e perfeito para carregar na mochila, que, em outros países, serve como meio de transporte) ou de outros modelos de marcas nacionais e importadas. Os desenhos são dos mais variados. “O skate também envolve arte. Há artistas incríveis que fazem ilustrações para eles.” Camisetas — inclusive as da marca própria da loja — também fazem sucesso.


Os pedidos do momento, no entanto, dependem dos skatistas em destaque. “A marca Flip está fazendo muito sucesso porque o Luan de Oliveira usa e ele faz sucesso na competição de Street League nos Estados Unidos, que tem um formato de NBA do skate. As pessoas querem usar o mesmo que os ídolos”, exemplifica. Os pedidos também são influenciados pela crise econômica. “Agora, o que as pessoas mais querem são itens baratos.”

Skatistas do DF
Luis divide os clientes entre skatistas (normalmente homens jovens) e simpatizantes (grupo heterogêneo que se interessa por itens relacionados ao esporte). “Algo muito interessante é que a primeira geração de clientes está voltando com os filhos. Os pais daquela época eram conservadores e proibiam o skate.”
Uma das melhores partes do trabalho do comerciante é a interação com a freguesia. “Não abro mão de conversar com os clientes, conhecer a galera que vem aqui. Também gosto de formar a mão de obra”, comenta sobre os 14 funcionários.

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