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Perfis de sucesso JAILE DE ASSIS RICARDO »

O Kareka do bar

Não tem como ir à Cervejaria Kaixa d'Água, em Taguatinga, e não conhecer o proprietário, responsável por programação cultural focada em MPB. Quitutes mineiros fazem sucesso no local

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postado em 08/11/2015 14:56 / atualizado em 09/11/2015 13:36

Ana Paula Lisboa

Minervino Junior

 

Mais conhecido como Kareka, Jaile de Assis Ricardo, 61 anos, está à frente da Cervejaria Kaixa d’Água, famosa pelas programações culturais de MPB, pela boa comida e pelo ambiente amigável. Ele conta com a ajuda da mãe e de quatro funcionários; nos dias de maior movimentação, contrata freelancers e arranja parentes (entre os nove irmãos, os quatro filhos e outros familiares) para ajudá-lo. No início, o bar ficava no centro da cidade e, hoje, movimenta Taguatinga Norte, na praça da CNF. Com 40 anos de atividade, a taberna conquistou gerações. “Hoje, frequentam os filhos e os netos dos primeiros clientes”, revela. Jaile conhece boa parte da freguesia, e sempre tenta conversar com veteranos e recém-chegados. “Essa proximidade é boa para o cliente e para nós. Vira uma rede de amigos. Afinal, são eles que mantêm o negócio.”

Além de música ao vivo — muitas vezes de artistas locais —, a casa também recebe feiras e eventos temáticos, como a Semana de Cultura Negra. “Existem poucos espaços dedicados à música brasileira, então recebemos artistas de MPB, forró, jazz, rock… Sertanejo não é nosso foco, porque não combina com o perfil do público, que é mais alternativo”, observa. O calendário de atrações é definido sempre no início do mês e garante casa cheia toda semana. Nos dias mais movimentados, os 250 lugares disponíveis nos 230m² são ocupados.

Normalmente, nas sextas e sábados, o empresário recebe 120 pessoas por dia — da cidade e de outras regiões, como Guará, Águas Claras, Plano Piloto e Entorno. “Antes da Lei Seca, o número de pessoas de fora de Taguatinga era bem maior”, admite Jaile. O bar costuma abrir as portas às 17h30 e continua até as 2h ou 3h. “Não gostamos de extrapolar para não deixar as pessoas se excederem na bebida. Quase nunca temos problemas, pois nossa clientela é muito boa, formada por professores, advogados, pessoas ligadas a arte e cultura”, pondera o empresário. Nos domingos, a cervejaria abre mais cedo e oferece feijoada no almoço.

“Servimos comidas caseiras, mas saborosas. Fazem sucesso os pasteizinhos (de carne, queijo, espinafre...), o lagarto ao molho madeira, os bolinhos de arroz e de carne. São receitas da minha mãe, de tradição mineira.” Entre as bebidas, a mais popular é realmente a cerveja. “Temos 15 tipos  de nacionais e importadas.”

Linha do tempo
Natural de Patrocínio (MG), Jaile de Assis Ricardo, 61 anos, se mudou com a família para Taguatinga aos 15. Não demorou para que a mãe, Zulmira Dias, e os 10 filhos começassem um negócio. “Ela montou uma lanchonete e, depois, transformou num bar, em 1975. Todos os meus irmãos ajudavam, mas, hoje, só eu continuo no negócio. O primeiro nome (Kareka’s Bar) veio do apelido que ganhei quando calouro no Cemab (Centro de Ensino Médio Ave Branca) em 1969 , porque raspei o cabelo”, conta o proprietário. O nome atual da cervejaria veio em 2002 e homenageia o primeiro símbolo da região administrativa, uma enorme caixa d’água construída em 1959 na entrada de Taguatinga e demolida contra a vontade da comunidade durante o período da ditadura. Apesar da mudança de nome, muitos ainda se referem ao ponto da forma antiga. Para facilitar o acesso no Facebook, por exemplo, o dono usa as duas nomenclaturas. “A geração antiga usa Kareka’s Bar. O público jovem é que fala Kaixa d’Água.”

Fórmula garantida
“O comércio é muito sazonal. Tem épocas em que você está bombando, em outras o movimento diminui. O importante é sempre revigorar o bar para que o cliente tenha motivos para vir aqui, como boa música, promoções, comida gostosa, bebidas de qualidade… Essa é a receita do sucesso”, ensina. Os 40 anos de sucesso da cervejaria são prova disso. “Mesmo na crise estamos avançando bem”, confirma Kareka.

Entre as frequentadoras assíduas do local está a estudante de pedagogia Willyanny Almendra, 23 anos, que conheceu a cervejaria há um ano por meio de amigos e, agora, marca presença toda semana, especialmente nas quartas-feiras e nos domingos, quando há apresentações de samba. “Gosto do atendimento e da comida, principalmente da feijoada. O ambiente é agitado, alegre, dançante, e o público é alternativo”, revela a moradora de Samambaia. Ela fez várias amizades na cervejaria. Não faltam elogios ao dono. “A história do Kareka é muito bonita. O trabalho dele é muito importante para valorizar a cultura da cidade. A equipe está de parabéns. Que continue assim!”

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