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A melhor educação do conforto de casa

Cursos a distância são alternativa para o estilo de vida corrido da atualidade. Possibilidade de acesso aos mais renomados professores e instituições do mundo é a grande vantagem. Descubra como encontrar formações de qualidade

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postado em 15/11/2015 15:19 / atualizado em 15/11/2015 16:01

Breno Fortes

Economia de transporte, flexibilidade de horários e preços mais em conta são fatores que têm levado ao aumento da procura por cursos a distância. No entanto, outro atributo passa a ganhar importância na busca por esse modelo de formação: a qualidade. As mais renomadas universidades do Brasil e do mundo disponibilizam cursos na modalidade. É possível ter aulas com os melhores professores, basta encontrar uma boa instituição que ofereça esse tipo de ensino, tanto para capacitações livres e profissionalizantes quanto para graduações e pós-graduações.

Os cursos on-line  trazem crescimento profissional. É o que revela pesquisa do Coursera —plataforma norte-americana de ensino on-line que oferece cursos de instituições reconhecidas de todo o mundo —, em parceria com as universidades de Washington e da Pensilvânia. O levantamento revelou o impacto que programas oferecidos pela internet tiveram em 52 mil pessoas de 212 países. O estudou concluiu que 72% dos alunos acreditam ter tido benefícios profissionais, e 61% no nível educacional. No Brasil, onde houve 1,5 mil entrevistados, esses números sobem para 78% e 81%, respectivamente. Mais da metade dos estudantes (57,6%) têm de 26 a 35 anos e trabalham em tempo integral.

“As pessoas querem fazer as coisas no próprio ritmo e, ainda assim, se qualificar”, observa Daphne Koller, 47 anos, presidente do Coursera. Daphne ainda afirma que capacitações voltadas para economia, negócios e comunicação são as mais procuradas na hora de se profissionalizar. “Para escolher um curso, é preciso saber as necessidades que você quer suprir e de que forma. Para surtir efeito, também é importante que seja um assunto pelo qual você se entusiasme.” O método de ensino é diferente em plataformas on-line, e os estudantes devem dominar habilidades específicas para se adaptar. “É preciso ser descontraído, relacionar-se mais com outros alunos, ter foco bastante claro no conteúdo, fazer muitas atividades — isso não é essencial no modelo presencial, mas no formato a distância, sim.”

Contexto nacional

O Censo da Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed), divulgado este mês, revelou que 1.145 instituições autorizadas pelo Ministério da Educação (MEC) oferecem capacitações não presenciais no Brasil. O estudo conseguiu que representantes de 271 entidades respondessem um questionário. Elas são responsáveis por 25.166 cursos — dos quais 19.873 são de modalidade livre e, entre esses, 12.475 são corporativos; e 3.453 são semipresenciais ou disciplinas a distância (veja gráfico). O levantamento também constatou que, em 2014, foram oferecidos 1.840 cursos regulamentados totalmente a distância.

 

Carlos Vieira

Conselheiro da Associação Brasileira de Ensino a Distância e professor de informática e sociedade na Universidade de Brasília (UnB), Francisco Botelho, 50 anos, afirma que ter aulas na modalidade on-line é uma alternativa para uma educação mais flexível. “As pessoas, às vezes, não podem ir pessoalmente a uma instituição por questões de trabalho, outros compromissos ou pela mobilidade urbana. Cursos a distância são uma necessidade crescente por causa das características da sociedade.”

A presidente do Coursera, Daphne Koller, acredita que a necessidade de cursos a distância está crescendo — especialmente entre jovens —, mas avalia que há poucas oportunidades de qualidade no Brasil. A boa notícia é que os brasileiros podem acessar cursos de plataformas de todo o mundo. Já Francisco Botelho acredita que “o nível de formações a distância é como o das presenciais: varia de acordo com o curso e a instituição.” Ele lembra que é possível conferir a qualidade por meio de avaliações do MEC, como o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), no caso de graduações. “As notas têm se aproximado cada vez mais”, relata.

Para Botelho, a presença de cursos a distância é uma evolução do processo educacional, que utiliza novos métodos de comunicação para romper barreiras de espaço e tempo. “Informações e conhecimento são necessários para o desenvolvimento de uma sociedade e, para participar do contexto atual, é preciso utilizar todos os recursos possíveis.”

Fabricio Ramos, 29 anos, é diretor da empresa Insperiência, que desenvolve soluções para capacitar pessoas por meio de palestras e treinamentos. Analisando a necessidade dos clientes, percebeu a inevitabilidade de desenvolver conteúdo on-line. Segundo Fabrício, em termos de investimento, produzir um curso a distância gera uma economia de 15% a 20%. “Essa é uma forma de trazer mais resultados com menos recursos. Além disso, o conteúdo pode ficar presente na cabeça da pessoa por mais tempo, pela capacidade de rever o que foi passado”, defende.

Acesse

Onde encontrar cursos on-line de qualidade

Coursera
www.coursera.org
» Cursos: 1.556
» Valor: de graça
» Tipos: especializações, profissionalizantes e livres
» Idiomas: inglês, espanhol, chinês, francês, russo, português, chinês, alemão, turco, hebraico, árabe e italiano

Confira lista com as melhores plataformas para ensino on-line pelo site www.correiobraziliense.com.br/ euestudante

 

Aprendizado de ponta


As universidades de Stanford, da Califórnia, de Edimburgo e Autônoma de Barcelona são algumas das instituições que constam do currículo de Aléxis Almeida, 50 anos, por meio de cursos on-line. O gerente executivo da Caixa Econômica investe em aulas a distância há três anos e soma 22 formações diferentes em áreas como tecnologia, negócios e música. Ele afirma que, apesar de gostar muito de cursos a distância, o modelo não é para todos. “Tem gente que não consegue se adequar. Para mim, é fantástico, adoro a praticidade e me cobro muito”, conta. “Acredito que esse é o futuro da educação, as universidades podem atender uma parcela maior de alunos. Sem mencionar que é muito bacana ter acesso aos melhores professores do mundo sem sair de casa.”

Ao se preparar para a 2ª fase do Exame de Ordem Unificado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizado no ano passado, Rafaella Pena Resende, 27, optou por fazer um curso a distância e, com um mês de estudo na LFG, foi aprovada. “Acho muito bom adaptar os estudos à minha rotina”, conta. A advogada, que é uma pessoa dispersa, acredita que a possibilidade de apertar pause e voltar na explicação foi um grande diferencial.

Dedicação individual
Apesar de aprovado por muitos, o método de estudo on-line só dá certo se houver muita dedicação por parte do aluno, como ressalta Alexandre Prates, coach especialista em desenvolvimento humano, liderança e performance organizacional. “O curso precisa ser bom, atrativo e prender a atenção. Depende de o aluno também ter comprometimento. Não adianta querer fazer de qualquer forma, num ambiente inapropriado, sem horário específico, pois será improdutivo. A instituição precisa de boas ferramentas de estudo, mas a dedicação vem do estudante.”

 

Critério


O que um curso a distância precisa ter para ser bom

» Sistema de tutoria: os alunos necessitam ter meios de sanar dúvidas e debater temas.

» Professores capacitados: além de ter conhecimento no assunto, o docente precisa de técnicas para tornar o conteúdo atrativo na modalidade a distância.

» Material didático: precisa ser claro e interativo.

» Presença intensa do professor: é importante para motivar a participação do aluno e não permitir que ele fique desinteressado.

» Atividades que envolvam os estudantes: isso promove a participação e o interesse pelo conteúdo trabalhado.

» Interação de qualidade: não basta apenas haver comunicação entre alunos e professor; essa conexão precisa ser feita de forma a promover o conhecimento e discussões.

Fonte: Francisco Botelho, conselheiro da Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed)