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Correio Braziliense

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Entrevista Eric Franco

O dentista que faz o bem

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postado em 15/11/2015 15:41 / atualizado em 15/11/2015 15:42

Jhonatan Vieira

Odontólogo, professor, voluntário, marido e pai: esse é Eric Jacomino Franco, 38 anos, eleito o melhor dentista do mundo pela Turma do Bem, maior rede de voluntariado especializada em odontologia. Num evento em São Bento do Sapucaí (SP), no último domingo (8), ele recebeu o prêmio Sorriso do Bem. A 10ª edição da condecoração homenageou profissionais que mais se destacaram na rede. Essa foi a quarta vez em que Franco foi indicado ao prêmio, e ele concorreu com 16 mil candidatos de 12 países da América Latina, de Portugal e dos Estados Unidos.

Graduado pela Universidade do Sagrado Coração, localizada em Bauru (SP) — cidade natal de Eric —, mestre em periodontologia e práticas clínicas pela Universidade de São Paulo (USP) e doutor em ciências genômicas e biotecnologia pela Universidade Católica de Brasília (UCB), ele mora na capital federal há 12 anos, onde coordena o curso de odontologia da UCB e mantém um consultório em Águas Claras. Natural de Bauru (SP), Eric veio para Brasília para ser professor. Aqui, se engajou na Turma do Bem e, desde 2009, oferece atendimento gratuito a adolescentes de 11 a 17 anos de baixa renda. Os selecionados recebem acompanhamento até completarem a maioridade. Hoje, Eric é coordenador da iniciativa, que se chama Dentista do Bem.

“Um dos meus objetivos é que os estudantes de odontologia tenham uma visão da profissão que vá além da parte técnica e mercadológica e que abordem o terceiro setor e o empreendedorismo social”, comenta o dentista. Em entrevista ao Correio, Eric Franco falou sobre projetos sociais, o prêmio e planos futuros. Confira:


Como você se envolveu com a Turma do Bem?
Eu conheci o projeto por meio de um amigo, há cerca de seis anos. Ele disse que tinha tudo a ver comigo, e fiquei curioso. Viajei para São Paulo por conta de um evento de odontologia e acabei conhecendo mais sobre a iniciativa, que estava sendo divulgada lá. Eu me encantei com a proposta deles, com a possibilidade de poder ajudar jovens com problemas bucais e ter um impacto positivo na sociedade.

Quais são as ações que o projeto realiza?
Anualmente, são feitas triagens abertas para verificar como está o estado da saúde bucal das pessoas e fazer tratamentos menos complexos e demorados. Também visitamos escolas para verificar a dentição das crianças. Tenho um projeto chamado Estudantes do Bem, em que os alunos da Universidade Católica de Brasília promovem ações para cuidar e conscientizar pacientes, além de auxiliar como voluntários na Turma do Bem. A ONG também tem outras iniciativas que ajudam mulheres que sofreram violência, que buscam promover políticas públicas e até cursos de profissionalização, por exemplo.

Como foi quando você soube que estava concorrendo ao prêmio?
Existe um relatório anual na ONG que elenca os trabalhos realizados durante o ano. A partir dessa relação, um júri formado por pessoas da sociedade civil votam. Tudo isso é divulgado em um evento anual. Eles mostram os 50 melhores trabalhos e vão peneirando para 30, 10, cinco... Até anunciarem o grande vencedor.

Qual foi a sensação quando você percebeu que ganhou de mais de 16 mil dentistas?
Foi uma mistura de gratidão, honra, representação e responsabilidade. Houve trabalhos muito bons, então fiquei surpreso por ser escolhido. Eu não esperava ser reconhecido dessa forma. É legal saber do seu papel transformador na sociedade, porque ser eleito o melhor dentista não é sobre quem faz a melhor reparação ou consulta, é um reconhecimento público de mudança social. É gratificante, porque meu trabalho serve de espelho para outros colegas. O prêmio é em formato de tijolo, que representa o peso de retratar todos os profissionais que concorreram e a instituição.

Como foi a repercussão quando seus colegas e alunos souberam do prêmio?
Foi bem legal; a repercussão foi grande, principalmente nas redes sociais. Na página do Facebook da Católica, a publicação teve 1,8 mil curtidas e 200 compartilhamentos. Muitas pessoas vieram me dar os parabéns, vários alunos começaram a comentar “O Eric me representa”, fiquei muito feliz com o resultado.

Daqui pra frente, quais são os planos?
Expandir e potencializar o alcance da Turma do Bem. Conseguir mais colaboradores, apoiadores e dentistas.

Existe alguma mensagem que você gostaria de deixar?
O recado que quero deixar é de apoio para que pessoas façam uma ação social que se encaixe com a rotina. Muitas pessoas me perguntam como arranjo tempo, sendo que não recebo nada por isso. Eu gosto do que eu faço, por isso nem tenho a sensação de que seja um trabalho. As pessoas têm que fazer parte de algo em que acreditem e que se encaixe no cotidiano delas. O “pouco” que você faz pode ser muito significativo para o outro. É um trabalho que vai do molecular para o macro, começa com uma pessoa, mas tem um impacto no todo da sociedade.

 

Figurinha carimbada


Publicada em 30 de agosto no caderno Trabalho & Formação Profissional, a reportagem “Os caminhos do voluntariado” apresentou ao público profissionais que usam os conhecimentos da carreira para fazer o bem. Entre os entrevistados, estavam os irmãos Eric Franco e Eduardo Franco. Na opinião de Eric, ter aparecido na matéria contribuiu para ganhar o prêmio. “Um dos quesitos levados em consideração é a visibilidade. Acredito que a participação na reportagem pesou um pouco na hora de decisão. Espero que a imprensa continue divulgando nosso trabalho para que possamos conseguir mais colaboradores.” Mais informações sobre a Turma do Bem: www.turmadobem.org.br.
 

 

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