Perfis de sucesso OTAIDES DOMINGOS DA SILVA E LILIA DE OLIVEIRA ABREU »

Ousados sorveteiros

Casal foi dono de lojas no ramo no DF, em Goiás e em Manaus. Há três anos, eles voltaram ao mercado da capital federal e encantam clientes em Vicente Pires, Taguatinga e Guará

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postado em 06/12/2015 13:05 / atualizado em 06/12/2015 13:07

Jhonatan Vieira

Otaides Domingos da Silva, 60 anos, e Lilia de Oliveira Abreu, 50, são prova de que unir o útil ao agradável dá certo. Casados há 18 anos, inauguraram a Sorveteria Mega frutti há três. A primeira unidade foi a de Vicente Pires. Em abril de 2014, abriram outra, em Taguatinga, e, em novembro do último ano, lançaram uma no Guará 2. Apesar de o negócio ser recente, o casal acumula vários anos de experiência no setor e tiveram estabelecimentos próprios em Brasília, Valparaíso, Goiânia e Manaus. “Todas as lojas ainda existem, foram vendidas por oportunidade de mercado e dão lucro para novos donos”, explica Otaides. A carreira dele como sorveteiro começou depois de trabalhar em três grandes empresas: Sadia, Souza Cruz e Ipiranga. “Decidi que queria ser meu chefe”, conta. Quando conheceu Lilia, ela também era dona do próprio negócio. “Sou pedagoga, mas tinha uma vidraçaria.” Juntos, passaram a tocar a sorveteria. “Foi um bom casamento”, brinca ela, que organiza a parte financeira da Mega frutti.

Com expertise na área, fica mais fácil recomeçar, mas o investimento é alto. “As máquinas são caras. Custam o valor de um carro cada uma”, conta Lilia. Também é preciso se preparar para as contas do fim do mês. “Como precisamos de refrigeração 24 horas por dia, sai caro. Quando falta luz, é um sufoco.” O esforço dos donos pelo negócio também não tem hora para acabar e, além dos 23 funcionários, eles contam com a ajuda dos filhos para tocar a empresa. Breno Vitorino da Silva, 35 anos, trabalha na parte de vendas e como motorista; Bruno Pereira da Silva, 32 anos, fez curso técnico em refrigeração e é chefe de produção; Lara Abreu Ramos, 23, é auxiliar administrativa. O caçula, Guilherme Vitorino Abreu Silva, 17, ainda não trabalha com os pais e, segundo eles, terá liberdade para escolher a carreira.

“Os que estão conosco fizeram essa escolha. Teve períodos em que não quiseram e construíram carreira em outra área. O desejo é de estar junto, mas eles são tratados do mesmo modo que qualquer outro funcionário e devem fazer por merecer”, explica Lilia. A filha, Lara, conta por que resolveu ter um emprego na firma da família. “Estudo administração para poder ajudar. Tenho liberdade para propor ideias”, diz. “Trabalho com isso a vida inteira. É bom ajudar a fazer prosperar algo da família”, revela Breno.

 

País tropical
Apesar de ser um produto considerado sazonal no Brasil, as altas temperaturas da capital federal têm ajudado a turbinar as vendas de sorvetes, picolés, paletas, açaís e tortas geladas nos últimos meses. “Temos caixinha de opiniões nas lojas e recebemos muitos elogios. Sem brincadeira, é demais mesmo”, orgulha-se Lilia. A alegria é ainda maior pelo fato de todos os produtos serem artesanais. A massa do sorvete é produzida ali e, para alterar o sabor, são adicionados ingredientes, como pedaços de fruta e chocolate. Sabores tradicionais, como flocos, morango e creme, são os mais pedidos, mas há quem venha de longe atrás de outros menos comuns ,como jabuticaba, graviola e cajá. “Usamos a polpa da fruta mesmo. O gosto não é artificial. Só para fazer o picolé de jabuticaba, por exemplo, compramos de 400kg a 500kg por temporada, e ainda é pouco.”

Além dos clientes que enchem as lojas a cada dia, a família fornece produtos para cerca de 35 sorveterias no DF e no Entorno. “A gente ganha as pessoas no boca a boca. Alguém gosta e indica para outros. O nosso forte é o produto”, defende Otaides. Também são importantes para conquistar a freguesia manter as unidades limpas e bem-conservadas, além de um bom atendimento. “Sempre treinamos pessoalmente os 23 empregados”, informa Lilia. Os donos não conseguem falar com todos os clientes, mas estão sempre presentes nas lojas, de olho, para garantir que tudo saia bem. “Às vezes, estou na feira, pessoas me reconhecem e perguntam dos picolés”, conta Otaides. Eles não se esquecem também de clientes especiais, como um casal cujo café da manhã, quase todos os dias, é um sorvete da rede. “Até digo que eles podem comer de graça aqui uma vez por mês de tanto que vêm”, brinca Otaides.

Apesar da alta procura pelos doces gelados no momento, os donos tomam precauções. “É preciso se planejar para a baixa temporada. O brasileiro consome 6kg de sorvete por ano. Mesmo sendo um país tropical, não é uma demanda tão alta. Tem lugares frios em que se consome muito mais: aqui, o sorvete é visto apenas como lanche e não como refeição”, alerta Otaides.