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Retração para uns, oportunidade para outros

Enquanto engenharias de produção, de computação e química ganharão destaque, engenheiros civis e ambientais devem amargar mais um ano com redução de vagas e de salários por causa da queda no mercado de construtoras

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postado em 13/12/2015 13:14

Paula Braga /Especial para o Correio

Carlos Moura

Ao definir qual profissão seguir, a maioria dos jovens tem em mente dois objetivos: conseguir um emprego assim que se formar e ganhar bem. Fazer carreira em engenharia, uma das áreas mais tradicionais, durante muito tempo, foi visto como tiro certeiro para alcançar esses propósitos, mas o cenário em alguns nichos da formação começou a mudar nos últimos tempos. Segundo professores e especialistas, o mercado para profissionais do ramo civil é um dos que deve se afunilar nos próximos anos, enquanto os engenheiros de produção têm mais chances de ganhar espaço nas empresas.


“Alguns setores serão mais demandantes do que outros. A área de produção é bastante generalista, com profissionais habilitados para trabalhar também em empresas de serviços, então deve continuar recrutando. A graduação em computação é outra deve ser bastante demandada. Já o mercado de construtoras sofreu um impacto que será refletido numa procura menor por engenheiros civis”, explica Paulo Exel, gerente de Recrutamento Especializado da empresa de soluções em recursos humanos Kelly Services. Confira número de engenheiros, ranking de remunerações e projeções para 2016 no gráfico Mercado para engenheiros no Brasil.

Civil em baixa
O número de profissionais graduados em engenharia civil apresentou crescimento nos últimos anos: entre janeiro de 2014 e novembro de 2015, mais de 314 mil profissionais se registraram no conselho federal da categoria (Confea). O saldo entre admissões e demissões deste ano, porém, foi negativo. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged/MTE), a construção civil encerrou outubro com redução de 49.830 postos de trabalho.

 

Vinícius Henrique Coelho, 27 anos, concluiu a graduação na área nas Faculdades Planalto (Iesplan) na metade do ano passado e, desde então, busca uma vaga no mercado. Ele percebe que o número de oportunidades diminuiu, assim como a abertura do mercado para recém-formados. “Quando me formei, o ciclo de demissões por conta da crise havia começado. Vi que as empresas passaram a procurar profissionais mais experientes, que pudessem lidar melhor com o que o setor estava enfrentando. Cheguei a cadastrar meu currículo em sites, enviar para empresas, buscar oportunidade nos classificados, mas não tive retorno”, lamenta. Sem um cargo em vista, ele decidiu se preparar para concursos na área. “Ainda não há nenhum aberto. Estou estudando caso saia alguma seleção, mas estou aberto a vagas na iniciativa privada”, afirma.


Quem está há mais tempo no mercado também enfrentou situação semelhante há algum tempo. O engenheiro civil João Carlos Sá (foto à direita), 38, concluiu a graduação na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em 2002, e afirma que, naquela época, a situação do mercado era parecida com a atual. “Quando comecei o curso, em 1997, as expectativas para a minha turma não eram muito boas. O que se falava era que o mercado estava em queda, o número de vagas era reduzido. Apesar disso, desde que me formei, nunca fiquei sem trabalhar”, conta. Há três anos, ele é proprietário de uma empresa de consultoria e prestação de serviços em engenharia civil. Antes disso, trabalhou na área no Ministério Público do Estado de Mato Grosso. “Há vários campos nos quais os profissionais dessa área podem atuar. No entanto, em alguns períodos, as oportunidades ficam reduzidas. Quem quer entrar no mercado em retração tem que estudar, fazer especialização e ter em mente que este é um momento passageiro”, aconselha João, que concluiu pós-graduações em gestão de projetos de engenharia e arquitetura e segurança do trabalho.


Segundo Paulo Exel, é normal que o ramo da construção civil passe por períodos de retração, mas esse ciclo deve ser encerrado no fim do próximo ano. “A crise não desestrutura o setor. Em São Paulo, o principal mercado para profissionais da área, as grandes construtoras perderam uma fatia de mercado, o que propiciou o crescimento de empresas de porte menor e a pulverização de parte desses profissionais no estado”, explica.

 

Contra a maré

Enquanto algumas especializações enfrentarão dificuldades no próximo ano, outras devem apresentar crescimento no número de profissionais colocados no mercado. Os graduados em engenharia de produção devem vivenciar o aumento da oferta de vagas. O especialista nessa área tem a atribuição de projetar e viabilizar sistemas mais produtivos, tarefa que se torna bastante visada em momentos de crise. “É um profissional que trabalha com otimização de processos. É um setor que vê uma oportunidade na crise, porque o engenheiro de produção planeja orçamentos, torna o processo mais eficiente para cumprir prazos, trabalha de maneira integrada”, explica a coordenadora do curso de engenharia de produção da Universidade de Brasília (UnB), Andrea Santos.


Apesar da oferta de vagas, no ranking de salários, os engenheiros de produção ainda são os que apresentam menor remuneração — segundo levantamento da Kelly Services, a média de ganho anual no Brasil em 2013 era de R$ 118 mil. “O profissional pode trabalhar no mercado fabril, em estabelecimentos que prestam serviços, na indústria criativa. Onde houver processos de transformação de recursos, o engenheiro de produção estará presente. No Centro-Oeste, ainda é uma carreira recente, mas está bastante consolidada em regiões com maior desenvolvimento industrial”, completa Andrea.


Ana Luisa Dias, 24, terminará a graduação em engenharia de produção na Universidade de Brasília (UnB) no fim deste ano, mas não está tão confiante quanto ao mercado. “Acho que 2016 deve apresentar mais oportunidades. Ainda será um ano difícil para a área, mas a especialização deve sair com alguma vantagem em relação às outras”, avalia.

 

Garanta seu lugar no mercado


Mesmo em retração, o mercado de trabalho terá oportunidades para profissionais especializados. Segundo o Guia de Salários 2016 divulgado pela Robert Half, a demanda em alguns segmentos (como bens de consumo, agronegócio, energia e telecomunicações) deve apresentar alta no próximo ano. Na hora da contratação, as empresas estarão em busca de eficiência e melhores resultados, além de talentos experientes para ocupar cargos gerenciais. Segundo o levantamento, o cargo com salário mais alto deve ser o de diretor de gestão da cadeia logística em grandes empresas, com salários que podem chegar a R$ 50 mil por mês.


A ocupação que terá o maior crescimento no salário do próximo ano em relação a 2015 será a de gerente de projetos em grandes empresas — o valor inicial deve passar de R$ 7 mil para $ 10 mil e o máximo pode chegar até R$ 25 mil mensais (o que representa 9,4% de crescimento). Já os cargos de engenheiros civis em grandes empresas devem apresentar queda no próximo ano. A expectativa é de que os valores decaiam 24%, passando da faixa de R$ 8 mil até R$ 14 mil para R$ 6,7 mil até R$ 10 mil.

 

Palavra de especialista

A volta da ngenharia civil
Temos dois segmentos com desempenhos bastante distintos. O primeiro é o de construções econômicas, que atende projetos como o Minha Casa Minha Vida, que continua tendo um desempenho muito bom, com oferta abundante de vagas. O outro segmento é o de média e alta rendas, que está tendo uma performance pior em relação aos anos anteriores. A construção civil é um ramo que enfrenta ciclos. Não podemos olhar esses processos a curto prazo. Entre 2004 e 2013, foi um setor que cresceu absurdamente. No entanto, nós vivemos num país com um crescimento populacional grande. Todos os anos, um milhão de novas famílias são formadas, e essas pessoas precisam morar em algum lugar. São necessárias de 500 a 600 moradias por ano. A construção civil é um segmento de relevância na geração de empregos e que representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No meu entendimento, esse ciclo de recessão é curto e deve durar até 2016.

Rafael Menin, engenheiro ivil e presidente da onstrutora MRV ngenharia desde 2014

 

Para achar emprego

Confira onde estarão as vagas e quais as qualidades exigidas nos profissionais no próximo ano:

Oportunidades
Bens de consumo, agronegócio, energia, telecomunicações e infraestrutura
Demanda por áreas de atuação
Vendas técnicas, gestão da cadeia logística, melhoria contínua, projetos e contratos
O que será valorizado
Inglês fluente, boa comunicação, habilidade de relacionamento com outras áreas, certificações e especializações

Fonte: Robert Half

 

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