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Goianos de raiz

Em casa especializada em biscoitos, quitutes e produtos da roça no Mercado Norte, em Taguatinga, casal encanta o público há 25 anos e recebe 800 clientes por dia

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postado em 13/12/2015 13:30 / atualizado em 13/12/2015 14:20

Ana Paula Lisboa

Jhonatan Vieira

Café, pão caseiro, biscoitos e pão de queijo (com ou sem linguiça) aguçam o olfato e o paladar dos clientes do Biscaseiro pela manhã. À tarde, a casa, especializada em confeitaria e produtos da roça, se enche para um lanche caprichado. Entre as opções, estão pamonha, empadão goiano, tapioca com carne seca, cuscuz, biscoito de polvilho frito e pasteis. Além de se encantar com os quitutes, a visão do público se divide entre os mais de 5 mil tipos de itens tradicionais disponíveis. São cestos, artesanatos, panelas de cobre e de ferro, colheres de pau, cabaças, raladores, currais de brinquedo, temperos...
É a chance de experimentar o que só se encontra fora do Distrito Federal. Não à toa, o lugar nunca para vazio: os donos, Daniel Campos, 54 anos, e Rita de Cássia Campos, 51, recebem, pelo menos, 800 pessoas por dia. “Sou de Anápolis e filho de mãe mineira, resolvi abrir uma casa de biscoitos. Só que senti falta de encontrar, em Brasília, vários produtos que só via em Goiás, então fomos dos primeiros a trazer esse tipo de coisa para cá”, conta Daniel. “Ainda hoje, não é comum encontrar itens da roça por aqui. As pessoas ficam encantadas”, acrescenta Cássia. É o caso de Sívia Brito, 41 anos. Natural de Corumbá (GO), virou fã do pastel de gueiroba. “É difícil encontrar boa comida e produtos goianos, então gostei muito”, elogia.


Hoje, o casal conta com 21 funcionários, dos quais 12 trabalham na produção de biscoitos e salgados. As preparações não ficam restritas à loja: a dupla fornece para 120 estabelecimentos do DF, entre padarias, cantinas, colégios e mercados. A quantidade de tipos de biscoito também é alta: são 70 variedades. A localização estratégica, na Praça do Mercado Norte e perto do Taguacenter, é responsável por atrair muita gente. No entanto, para cativar, só isso não basta. O casal atribui a popularidade a qualidade, preço justo e higiene. Assim, eles conquistam a melhor arma de divulgação do negócio: o boca a boca.


“Quem vem sempre traz alguém ou indica para outros”, percebe Daniel. “Clientes e funcionários do Taguagenter e do Mercado Norte são a maioria das pessoas que recebemos, mas tem quem venha só para provar nossa comida ou comprar algum item da roça que não encontra em outro lugar do DF. Também é um ponto de encontro entre amigos”, observa Cássia.
Em muitos momentos, a pequena loja parece um formigueiro de tão cheia, mas, em horários em que a movimentação está menor, Daniel faz questão de acolher os clientes como se eles estivessem na casa dele. “Construir amizades e fazer com que as pessoas se sintam bem no lugar é importante. Eu diria que 90% dos fregueses nos conhecem.” A presença dos donos é outro ingrediente para o sucesso. “É importante para nos certificarmos de que está tudo certo”, diz Daniel. Por isso, ele, Cássia e os filhos, João Victor Campos, 21, e João Pedro Campos, 22, estão sempre na linha de frente: no balcão, atendendo à multidão.

Estrutura
No comando do negócio há 25 anos, o casal começou com um aloja bem menor, foi expandido e, hoje, conta com um espaço de 90m². A parte aberta ao público é pequena, pois foi preciso reservar lugar para fornos, geladeiras e balcões para preparar biscoitos e outros quitutes. Quando abriu o Biscaseiro há um quarto de século, o sócio de Daniel era o cunhado dele, irmão de Cássia. A parceria durou apenas um ano, e a esposa entrou no negócio. “Meu pai era comerciante, então eu estava acostumada à área de vendas. Gosto de atender. As pessoas perguntam como fazemos os biscoitos e outros quitutes, sempre acabamos conversando”, conta Cássia.


No começo, Daniel viajava todo fim de semana para trazer produtos da roça para a capital federal. Depois, firmou parcerias com uma cartela de cerca de 25 fornecedores — especialmente de Goiás e Minas Gerais — que fazem entregas aqui. Uma vez por ano, a equipe tira 30 dias de férias coletivas. “Aproveitamos para viajar por estados do Nordeste. É lazer e trabalho: estamos sempre procurando produtos tradicionais para trazer”, conta Daniel.

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