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Emoções sob controle

Desenvolver a inteligência emocional é importante não só para a vida pessoal, mas também para a carreira. Segundo especialistas, parar de culpar os outros e desenvolver empatia são os primeiros passos nesse caminho

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postado em 20/12/2015 14:50 / atualizado em 07/01/2016 14:54

Cláudia Pignata

Pense na seguinte situação: durante três dias, seu chefe apontou erros seus em voz alta, e os colegas ouviram. Logicamente, isso causou constrangimento. Você pode continuar reprovando silenciosamente as atitudes do gestor ou conversar com ele sobre o ocorrido usando a inteligência emocional — capacidade de lidar com sentimentos, principalmente em momentos de tensão. Para Raphael Costa, diretor do Instituto Brasileiro Master Coach, as emoções têm relação com a energia pessoal. Segundo ele, trata-se de uma força que nasce com cada um. “Ela te fez aprender a andar quando era criança, a fazer amigos. A energia é a motivação, mas, se você não controla as emoções, perde a energia, e os sentimentos passam a controlar você”, decreta.


No ambiente profissional, gerenciar emoções é importante para uma boa convivência. É o que defende a psicóloga Marília Pereira, especializada na Teoria da Inteligência Multifocal, proposta pelo psiquiatra Augusto Cury. A profissional explica como educar as emoções: “Um dos primeiros passos é a consciência de corresponsabilização. O ideal não é apontar os erros alheios, mas fazer parte do problema”. O segundo passo é valorizar o sentimento das pessoas. “É preciso ter empatia.” O caminho é reiterado pelo master coach Magno Sipaúba, diretor do Centro de Excelência para o Desenvolvimento Humano e Empresarial. Segundo ele, o mais importante é desenvolver a sabedoria por meio da liderança pessoal e do prazer nas pequenas coisas. “Um bom líder nunca anda só, tem capacidade de ouvir os outros e de tirar os óculos dele e colocar os seus”, diz.


Pequenas mudanças de atitude, como a adoção do otimismo, podem fazer a diferença e dotar o indivíduo de inteligência emocional. “É preciso trabalhar as emoções. Ao lidar com pessoas consideradas difíceis, é necessário buscar um canal de comunicação. Evitar críticas em público e não resumir as relações nos erros é outra dica. Agradeça pequenos gestos e valorize seus companheiros”, recomenda Bruno Oliveira, presidente e coach do Grupo Educacional Augusto Cury.

Não se reprima!

Entre os sentimentos básicos, estão alegria, afeto, tristeza, raiva e medo. Os três últimos são vistos como problemas de conduta no trabalho. No entanto, para a psicóloga Marília Pereira, podem ser construtivos. “É necessário ter raiva, para gerar superação, defesa ou agressão. A agressividade é o combustível para a motivação”, exemplifica. Essas emoções, segundo ela, se tornam disfuncionais quando são suprimidas. A omissão origina novos mecanismos: explosões de fúria ou irritabilidade. “Ao adotar essas válvulas de escape, o profissional passa a condicionar os sentimentos. Todas as situações desfavoráveis serão analisadas de maneira não construtiva”, explica.


Graduada em direito há dois anos, Gabriela Chaves trabalha em um escritório de advocacia. Na profissão dela , muito esforço culmina em vitória ou condenação. A perda de um caso pode ser dramática. “O sentimento é de frustração quando você se dedica tanto e, no fim das contas, não consegue abraçar tudo”, diz. A jovem apresenta comportamento considerado equilibrado na firma, mas, em casa, a situação muda de figura. “Desconto em quem mais me ama: minha mãe e irmãs”, confessa Gabriela.  Apesar de se considerar calma, Gabriela não acha que tem inteligência emocional. “Ser tranquilo não basta. Seria necessário que eu desenvolvesse e controlasse todos os tipos de emoções.”

Buscando saídas

Para aprender a lidar com a rotina agitada, o empresário do ramo de construção civil em Ribeirão Preto (SP) Marcel Aparecido Prado dos Santos, 27 anos, iniciou um treinamento de liderança emocional no curso Personal & Professional Coach, oferecido pela empresa Menthes. Ele se considerava racional e negava as próprias emoções. O reflexo disso era o excesso de autoconfiança. “Faltava capacidade de reconhecer e valorizar minhas vulnerabilidades, não apenas minhas forças”, percebe. “Não enxergava o outro de maneira adequada. O problema de não prestar atenção a colegas e chefes é perder a oportunidade de aprender com eles”, afirma. O empreendedor se deu conta da necessidade de procurar ajuda após observar alterações na saúde.“Sentia dor de cabeça, insônia e ansiedade. Estava sempre inquieto, fui diagnosticado com a Síndrome do Pensamento Acelerado, cuja origem está no excesso de informações.”


A sobrecarga de informações não afeta apenas Marcel. O problema é uma das principais causas de desgaste, de acordo com Bruno Oliveira, presidente e coach do Grupo Educacional Augusto Cury. Outro fator problemático é a rapidez do cotidiano, atrelada a um ambiente que estimula o consumismo — fatores que abalam a carreira, já que “ter” passa a ser mais importante que “ser”, ao medir o sucesso profissional. “O dinheiro é o principal motivador na maioria das empresas. Mas é um erro. Se alguém coloca isso como meta, falha. As pessoas precisam ter gratidão com a vida e com os outros, mais do que com a ascensão monetária.”

Válvulas de escape
A cirurgiã plástica Ivanoska Filgueira, 50, ressalta a importância da satisfação com a área de atuação para se tornar uma pessoa inteligente emocionalmente.“Você tem que trabalhar com o que gosta, caso contrário, viverá insatisfeito com o mundo diariamente, e isso é extremamente frustrante.” O trabalho dela pode ser desgastante, já que pacientes depositam muitas expectativas nos resultados finais, o que gera carga emocional intensa para os dois lados. Para reverter a fadiga, Ivanoska recorre a atividades em que encontra equilíbrio, como viagens, atividades físicas e golfe.

 

Para se desenvolver

» A empresa Desenvolvimento e Liderança (DL) oferece treinamentos de inteligência emocional em todo o país. Informações: www.dlbrasilia.com.br / 3031-1632.


» Pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e gerente de transferência da Agência Unesp de Inovação, Rita de Cássia Costoya fala, em podcast da instituição, sobre como a inteligência emocional é essencial no trabalho. Empatia, autocontrole, autoconhecimento, resistência contra frustações são algumas das características alcançadas com a inteligência emocional. Para escutar o conteúdo, acesse o site podcast.unesp.br. 

 

Leia

Gestão da emoção
Autor: Augusto Cury
Editora: Editora Benvirá
200 páginas
R$ 21,90

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