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Manual de empreendedorismo para 2016

A crise deve se estender pelo ano novo, trazendo mais desafios para empresários e aspirantes a donos de negócios. Confira dicas para manter ou abrir uma empresa

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postado em 03/01/2016 14:47 / atualizado em 04/01/2016 19:55

Manter um empreendimento em pé é um desafio constante, cujos obstáculos crescem paralelamente à crise econômica. Prova disso é que a taxa de mortalidade empresarial aumentou vertiginosamente no ano passado. Em 2015, 703.330 micro e pequenas empresas fecharam as portas. Em 2014, foram 142.526. Os dados são do Empresômetro MPE, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e a Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República (SMPE).


No entanto, independentemente da recessão, todo ano, o mercado ganha milhares de novos empreendimentos, e não há lugar para todos. Por isso, em vez de entrar em desespero, é preciso se munir de planejamento e conhecimento sobre o setor de atuação, apresentar diferenciais e se adaptar ao contexto. Esses são conselhos tanto para quem deseja abrir um negócio em 2016 quanto para quem precisa manter um negócio em funcionamento. Além disso, crise é sinônimo de oportunidade, dizem especialistas. Em tempos de desaceleração, as incertezas fazem com que parte das pessoas acabe desistindo de entrar no mundo dos negócios. No entanto, quem realmente tem vontade não precisa deixar o sonho de lado.

Claudio Eschecolla, diretor-geral do Grupo Hoken — rede de franquia especializada na fabricação de purificadores de água com alta tecnologia —, acredita que 2016 será um ano em que a instabilidade econômica deve perdurar. No entanto, o período não deixa de ser propício para empreender. “A crise vai passar. As pessoas que fizerem um planejamento realista agora estarão na frente quando o mercado voltar a se aquecer. É preciso ser dinâmico — como o mercado — e criativo. O foco precisa estar em satisfazer o consumidor, pois é ele quem determinará o sucesso ou o fracasso do negócio.”

“Quem tem um negócio, ou quer abrir um, precisa prestar atenção no cliente, entender o que ele quer”, alerta Antônio Valdir Oliveira, diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF). Além disso, é preciso estar bem informado. “Conhecer o mercado é importante para saber mais sobre a relação com fornecedores e funcionários. Também é importante entender a crise para se adaptar a ela”, orienta.

 

 

Perfis de empreendedores

 

A saga para manter um negócio
Dono da Newhouse, empresa focada em reforma de imóveis desde 2013, Vagner José de Andrade (foto), 41 anos, passou a enfrentar mais dificuldades para manter o negócio. “A procura diminuiu por causa da crise. Até o início de 2015, o movimento estava normal, mas, em fevereiro, quando a Caixa Econômica anunciou o aumento do valor do juros para financiamento de compra e reforma de imóveis, houve uma retração”, conta. Por causa disso, ele e os sócios — a esposa, Patrícia Costa Santos, 43, e os pais dele, José Raimundo de Andrade, 64, e Valdineza Maria de Jesus Andrade, 62 — adotaram novas posturas para conseguirem se manter no mercado. “Ficamos mais cautelosos com a crise. Nós nos preocupamos com o que vai ser oferecido, a margem de preço e as condições aceitas no mercado. Procuramos outros agentes financeiros para conseguir clientela, mudamos o padrão de reforma, oferecemos um preço mais acessível para um serviço de boa qualidade”, comenta. Os bons resultados o incentivaram a empreender novamente e, neste mês, ele pretende abrir uma franquia no segmento de cervejas especiais, em sociedade com a esposa e a ex-colega de trabalho Ednalva Américo Vieira, 51. “É um ramo bem diferente do de imóveis. O brasileiro está começando a descobrir esse mercado, que está em expansão”, diz.

 

 

Pelo sonho de empreender
No caso de Milena Santos (foto),30 anos, a recessão não foi suficiente para que o desejo de empreender acabasse. Ela trabalha numa empresa de comercialização de minérios e decidiu abrir um restaurante de comida caseira, que deve oferecer pratos baianos duas vezes por semana e também entregar refeições em escritórios. “Existem prós e contras durante a crise. Um aspecto positivo é que os custos de imóveis e da mão de obra tendem a estar mais baixos. Em contramão, existem o aumento das taxas de juros e a expectativa de um menor número de consumidores”, pondera. Natural de Salvador (BA), ela mora em Brasília há um ano e, para se preparar para ser empresária, fez um curso no Sebrae. O restaurante ainda é sonho, mas há várias metas traçadas, como conseguir um local perto da Esplanada dos Ministérios e atender 500 pessoas por dia. As experiências frustradas com duas lojas em Salvador, uma de decoração e uma de joias, ensinaram lições e, desta vez, Milena fará diferente. “Tenho responsabilidade, conheço os detalhes burocráticos e procuro cumprir as regras. Nos primeiros negócios que tive, pequei na escolha do local. No entanto, creio que, no ramo da alimentação, o risco de um negócio falhar é bem menor, porque as pessoas precisam se alimentar. Estou confiante, e acho que a crise vai passar logo.”

 

Três perguntas para

 

 

 

Marcos Silvestre
Economista, fundador da Sociedade Brasileira de Estudos sobre Dinheiro, comentarista e colunista na BandNews FM e na TV Bandeirantes, Marcos Silvestre lançou o livro Virada na carreira — ganhe dinheiro por conta própria para auxiliar quem quer se tornar empreender.

Sobre que assunto o livro trata?
É um manual de empreendedorismo e dá orientações para quem deseja fazer essa transição de empregado para empreendedor. As pessoas precisam ter os pés no chão, ver se têm motivações corretas para empreender. Depois, é preciso definir o que e como fazer.

O que um empreendedor precisa saber para um negócio dar certo?

Ser seu chefe não quer dizer trabalhar menos: um negócio próprio exige uma dedicação de grande volume. Também é preciso equilibrar a vida pessoal antes de se dedicar a um projeto empreendedor, pois é preciso estar bem disposto e saber lidar com problemas, o tempo todo. Várias pessoas perderam o emprego e estão pensando em empreender por isso. Mas é preciso conhecer o mercado e fazer um bom planejamento para, realmente, dar essa virada na carreira. Senão, o negócio entra para as altas estatísticas de mortalidade de empresas.

Quais são os reflexos da instabilidade econômica na jornada empreendedora?
A crise atrapalha o mundo do negócio: a inflação sobe, e o poder de compra diminui. Não é uma notícia boa, mas vários negócios vão morrer no período. No entanto, quem sobrevive garante seu lugar no mercado. Empresas que fecham deixam clientes órfãos ou mal atendidos, e é possível transformar isso em oportunidade, em todos os nichos.

 

 

 

Leia!

Virada na carreira — ganhe dinheiro por conta própria

Autor: Marcos Silvestre
Editora: Faro Editorial
244 páginas
R$ 34,90

 

Uma nova jornada


Alexandre Slivnik, sócio-diretor do Instituto de Desenvolvimento Profissional (Idepro), diretor executivo da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) e diretor-geral do Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento (CBTD), recomenda que aspirantes a empreendedores observem se têm afinidade com a área do negócio. “Não adianta abrir um restaurante se você simplesmente ama comer. É preciso gostar de servir pessoas, afinal essa é a essência da empresa”, exemplifica. “Se o empreendimento que você quer abrir vai trazer satisfação pessoal, vá em frente. O dinheiro será uma consequência dessa escolha; afinal, quando se trabalha com paixão, o resultado aparece.”

No entanto, não adianta só gostar do ramo: empreender requer muito estudo do cenário, e é preciso observar quais segmentos continuam promissores. “Se é um mercado saturado, não adianta investir agora — só se for com uma ideia muito inovadora, que possa conquistar o público”, salienta Slivnik. Ele também observa que a crise pode ser uma oportunidade. “Em alguns ramos, é uma chance de ganhar ou até mesmo de criar mercados.”

Luiz Fernando Caduda, administrador e professor de administração da Faculdade Anhanguera, acredita que empreendedores devem ter coragem de arriscar, além de cuidar muito bem dos custos operacionais. Antes de se lançar na jornada empreendedora, ele recomenda o uso da matriz criada pelo professor de marketing norte-americano Jerome McCarthy, conhecida como “quatro Ps” — produto, praça, promoção e preço —, que compõem um conceito essencial para abrir ou reerguer qualquer empresa. “Depois de escolher uma localização, é importante saber se o produto está adequado ao local escolhido e qual é o melhor preço.” Ele acrescenta que um novo “p” se tornou essencial: pessoas. “Crie uma relação direta com os consumidores e mantenha um bom atendimento.”

Segundo Antônio Valdir Oliveira, do Sebrae, empreender em sociedade pode ser uma aposta certeira, desde que isso seja feito com critérios. “Ao juntar bons perfis, a empresa cresce em um ambiente sustentável. Sociedade é um casamento, é preciso estar com papéis e regras bem definidos”, acredita.

Dicas para empresários
Para aqueles que precisam manter o negócio em 2016, uma reestruturação é bem-vinda. É o que afirma Alexandre Slivnik. “Momentos de crise servem para olhar para onde você não olhava. Quais são os custos desnecessários que agora fazem a diferença? Quais colaboradores, tanto fornecedores quanto empregados, trazem mais resultados — para reconhecê-los — e os que trazem menos resultados para, se necessário, dispensá-los? Agora é o momento de escanear, com carinho e cuidado, todas as áreas do negócio. Reduza despesas, sem, em hipótese alguma, perder a qualidade, pois, se o cliente sentir essa diferença, será desastroso”, afirma.

Quem continuar fazendo mais do mesmo tem chances de cavar a própria cova. “Quando perceber que precisa se mexer, pode ser tarde demais. É necessário ser diferente para fazer a diferença. O empreendedor precisa saber que o consumidor vai pensar mais para escolher antes de comprar. E o que o fará comprar o produto desse empresário será, basicamente, a diferenciação, que pode estar no atendimento, na qualidade e no preço.”

O professor de administração Luiz Caduda destaca a relevância da inovação. Com ela, é possível criar ações simples para solucionar grandes questões.“Tente inovar durante o processo, mudar de atividade ou acrescentar algo a seu portfólio, buscar parcerias.”


 

 

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