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Reconhecimento feminino no direito

Advogadas brasileiras conquistaram honraria em disputa com dezenas de finalistas de países da América Latina. Confira entrevista com a vencedora da categoria líder do futuro

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postado em 03/01/2016 15:48 / atualizado em 03/01/2016 15:51

Edi Pereira

Seis advogadas brasileiras ganharam troféus na quarta edição do prêmio Chamber Women in Law 2015: Latin America, promovido no Brasil pela primeira vez. A condecoração é simbólica, não há remuneração financeira, mas levar para casa uma homenagem da Chambers & Partners — uma das publicações mais bem-conceituadas do mercado jurídico — é honraria mais que suficiente. A organização conduz uma pesquisa anual sobre o desempenho das principais empresas jurídicas e seus profissionais em várias regiões do mundo.

 

Predominância brasileira


O Brasil conquistou nove das 17 categorias do prêmio. Entre os ganhadores, é possível encontrar escritórios de advocacia e profissionais juristas. Confira as advogadas premiadas:

Prêmios a personalidades
» Advogada do ano (conselho corporativo): Magda Kiehl - Accor, Brasil

» Advogada mentora do ano (conselho corporativo): Monica Ailt - Intel, Brasil

» Prêmio de prática privada especial, excelente contribuição à arbitragem, promovido pela CAM-CCBC: Selma Lemes - Selma Lemes Advogados, Brasil

» Líder do futuro (prática privada): Su Jung Ko - TozziniFreire, Brasil

» Liderança na profissão - advogada mentora do ano: Roberta Leonhardt - Machado, Meyer, Sendacz e Opice, Brasil

» Conselho corporativo especial por
notável contribuição para fomento à promoção da mulher no direito: Renata Garrido - Procter & Gamble, Brasil

Prêmios a empresas

» Melhor empresa para promover o avanço das mulheres (recrutamento, retenção e promoção): Accenture, Brasil

» Responsabilidade social corporativa / programa pro bono do ano (prática privada): Siqueira Castro - Advogados, Brasil

» Empresa de excelência na ajuda ao avanço das mulheres (recrutamento, retenção e promoção): TozziniFreire, Brasil

Saiba mais
Acesse o site www.chambersandpartners.com.

 

>> entrevista SU JUNG KO

 

Líder do futuro

A advogada-sênior do TozziniFreire Advogados, Su Jung Ko, 34 anos, recebeu o título de líder do futuro. Ela concorreu com 14 finalistas de 14 países da América Latina. A categoria congratula mulheres que contribuíram para o desenvolvimento de líderes na América Latina. Advogada empresarial especializada em relações comerciais com nações da Ásia, a coreana se mudou para o Brasil aos 14 anos, cursou direito na Universidade de São Paulo (USP) e fez mestrado em direito internacional na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.

Ela liderou iniciativas na comunidade para divulgar a cultura coreana, por meio da instituição Network of Korean-American Leaders, que promove treinamentos para incentivar a formação de líderes. Em entrevista ao Correio, Su fala sobre a vitória, o papel inspirador para jovens garotas, projetos e planos futuros. Confira:

Qual foi sua reação ao ser nomeada ao prêmio?

Apesar de saber que estava entre as finalistas, a sensação foi de surpresa, felicidade e gratidão — tudo junto! A indicação do meu nome ao prêmio, feita pelo escritório, significou o reconhecimento de um trabalho que desenvolvo junto da comunidade imigrante no Brasil como advogada.

Que trabalho foi responsável pela sua nomeação?

Desenvolvo um papel de liderança em associações que têm como preocupação a formação de líderes e a divulgação da cultura coreana no Brasil. Acredito que meu comprometimento com direitos de imigrantes tenha contribuído para ganhar o prêmio. Eu mesma estive em situação ilegal no passado por falta de conhecimento da legislação local e do idioma e, infelizmente, conheci profissionais que se aproveitavam da fragilidade de estrangeiros, prometendo ajudar a regularizar a situação, mas pegando o dinheiro sem cumprir o combinado. Resolvi minha situação com muita pesquisa e ajuda dos outros. Essa experiência pessoal foi fundamental para que eu me tornasse uma profissional cujo foco não está só em mim, mas também na sociedade. Como imigrante coreana, eu me sinto na obrigação de retribuir o que recebi deste país maravilhoso: educação, amigos, oportunidade de trabalho e perspectiva de crescimento. Acabei fazendo direito por uma vontade de ajudar as pessoas com o meu conhecimento e de tornar o Brasil — e o mundo — um lugar melhor.

O que você sentiu quando soube que havia ganhado?

A sensação foi de gratidão e de esperança. O prêmio significou o reconhecimento de toda a luta pela minha comunidade. Sempre quis contribuir para que houvesse mais amor às raízes e líderes que se dedicassem à sociedade. Fiquei agradecida a todos que sempre apoiaram minhas iniciativas, como minha família, meus chefes, professores, amigos e clientes.

Quais são seus planos?
Quero consolidar minha carreira de advogada empresarial e continuar investindo nas atividades de serviço à sociedade, em especial, educação e formação de líderes. Meu pai tem um pequeno jornal focado na comunidade coreana que funciona como ferramenta de integração em São Paulo. Ele é minha inspiração para também usar meus recursos para ajudar quem está ao meu redor: alunos de direito, empreendedores, interessados no intercâmbio de negócios e de cultura entre o Brasil e a Ásia e os Estados Unidos.

Que recado você pode deixar para mulheres que estão começando a carreira?
Gostaria que essas jovens tivessem a confiança de que existem mentoras — como eu — que poderão apoiá-las. É fundamental que elas continuem se dedicando à carreira e à comunidade para se tornarem referências como profissionais e líderes.

Qual a importância do prêmio em âmbito nacional e para o reconhecimento do trabalho das mulheres?
É reconhecimento de que, no Brasil, existem empresas que promovem o desenvolvimento feminino em plenitude sem comprometer sua carreira e de que há mulheres que desenvolvem um trabalho de excelência. Eu sou uma delas. O prêmio servirá de apoio para que outras entidades dos setores público e privado possam investir em diversidade de gênero e no desenvolvimento feminino.
 

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