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LIDERANÇA NA CRISE »

Gestão em águas turbulentas

Em tempos de inconstância, o papel de chefe se torna ainda mais desafiador, pois é preciso entregar mais resultados com menos recursos e garantir que a empresa não afunde

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postado em 24/01/2016 15:54 / atualizado em 24/01/2016 16:08

Ana Rayssa

Num momento em que a economia brasileira está em retração, líderes precisam conduzir bem a equipe para alcançar maior produtividade. Não bastasse a cobrança por mais resultados para evitar que a empresa vá ladeira abaixo, os gestores ainda precisam lidar com a desmotivação e a desconfiança dos subordinados, provocados pela avalanche de indicadores negativos, que incluem aumento do desemprego e da inflação e perda do poder de compra.


“O funcionário acaba pensando: por que vou me esforçar, me matar, se sei que o risco de ser demitido é grande também?”, observa Vagner Sandoval, professor do Instituto Business Education / Fundação Getulio Vargas (IBE-FGV) e gerente da Qualidade e da Logística na Friedberg do Brasil. Segundo o especialista em gestão de pessoas, liderança e coaching executivo, o líder precisa convencer a equipe de que é possível atravessar o momento de turbulência. “Uma boa aposta é elaborar um planejamento detalhado, indicando onde estão as oportunidades, e o que cada pessoa deve fazer para alcançá-las”, afirma.


Jhonatan Vieira

É nisso que aposta Adelmo Gomes, 67 anos, diretor-geral e dono da Omni, empresa de venda de equipamentos de informática, e da Matrix, distribuidora de papéis, produtos de higiene, limpeza e descartáveis. “Quando não tem crise, os negócios se encaminham de  forma mais natural. Em tempos como este, você precisa fazer revisão de custos, margens, resultados, além de acompanhar a equipe ainda mais de perto.”


Ele aposta na transparência como carro-chefe da relação com os subordinados. “Um bom líder precisa deixar claro quais são os objetivos da empresa, assim o time vai se manter sempre unido”, acredita. Adelmo avalia que a maior prova de uma boa liderança é o fato de os colaboradores saberem o que têm que fazer, mesmo que o chefe não esteja presente. A supervisora administrativa da Matrix, Andréia Amorim e a analista administrativa da Omni, Lizandra Leal, 33, são só elogios sobre o chefe. “Ele sempre visa o bem-estar do funcionário”, conta Andréia. Lizandra concorda. “Ele é ótimo e muito justo, seja no que for, nos ajuda”, diz.

Motivar por resultados
Professora da IBE-FGV e PhD em administração pela Florida Christian University, Paulette Melo afirma que não basta a um bom gestor saber liderar quando tudo vai bem: é crucial entender como ultrapassar crises. “Nessas horas, é preciso extrair o melhor dos outros. Isso constrói uma vantagem estratégica que toda organização busca e garante a sobrevivência”, alerta. Amanda Santos, 29, é supervisora de vendas na Top Distribuidora, que vende utensílios domésticos e elétricos em Águas Claras, e apostou em premiações para estimular os 10 funcionários da equipe que coordena a superar o momento. O empregado que bater o recorde de vendas ganha um prêmio, que pode ser um celular, um tablet ou uma quantia em dinheiro. “Este mês, por exemplo, será um incentivo monetário”, conta. “Além disso, tivemos que replanejar o estoque, o número de colaboradores e a prestação de serviço para nos mantermos no mercado”, afirma. Amanda diz que, antes desse processo, a equipe estava numa zona de conforto. “O mercado estava superaquecido, então os vendedores mandavam no negócio. Hoje, o público compra menos, e tivemos que correr atrás de uma nova clientela”, comenta. O chefe recém-chegado

Quem está começando em uma organização, em uma posição de gestão, enfrenta muitos desafios — neste momento instável da economia, eles podem ser ainda maiores. Pesquisa das consultorias Lee Hecht Harrison e Plonglê com 120 gerentes, diretores e presidentes brasileiros revela os principais transtornos enfrentados quando gestores entram em uma nova organização. Apenas 12% deles se preocupam com o legado que gostariam de deixar na organização. A diretora de Gestão da Mudança da LHH, Irene Azevedo, afirma que, com a pressão por resultados cada vez de mais curto prazo, os líderes podem se esquecer de seus valores. “Porém, essa é uma visão míope. Se eles agirem de acordo com seus princípios, serão mais focados, terão mais resultados e, com certeza, deixarão um legado.”

 

TRÊS PERGUNTAS PARA / João Marcelo Furlan

Graduado em administração de empresas pelo Insper, mestre em marketing e gestão comercial pela Scuola di Direzione Aziendale (Itália) e pela Escuela Superior de Administración y Dirección de Empresas (Espanha), João Marcelo Furlan é fundador e presidente da empresa de educação corporativa Enora Leaders e autor do livro Flaps! — 6 passos para acelerar resultados e decolar sua carreira com a liderança adaptágil, em que apresenta dados de mercado, reflexões e exercícios para ajudar pessoas em início de carreira e líderes experientes.

 

 

 

Por que você decidiu escrever o livro?
Nos últimos 10 anos, tenho trabalhado com desenvolvimento de líderes em grandes organizações, concluindo a formação de mais de 3 mil gestores. O livro foi criado com o intuito de dar acesso aos principais conceitos relacionados ao desempenho das pessoas no trabalho, aplicando a liderança para atingir resultados junto às pessoas. A principal mensagem é a de que qualquer um pode liderar. Basta aprimorar competências para que, cada vez mais, consiga mobilizar pessoas a alcançar resultados. Isso também permitirá que o leitor acelere a própria carreira, porque será capaz de entregar resultados de melhor qualidade à organização, o que fará com que o perfil desse profissional seja mais valorizado. No livro, reuni seis passos simples para uma boa liderança: o desenvolvimento de uma boa visão, conhecer bem sua equipe, construir uma relação de confiança e respeito, influenciar e inspirar pessoas, manter a motivação e, finalmente, perseverar para alcançar os resultados.


O que o líder deve fazer para superar esse momento de crise e ajudar a equipe a gerar bons resultados?
O gestor deve investir sobretudo em gerar ganhos de curto prazo, já que metas espetaculares estão muito mais difíceis de serem batidas. O ponto principal é gerar sensação de vitórias nas pessoas em desafios menores, como por exemplo a redução de um determinado custo ou um cliente novo, para que os funcionários sintam que estão vencendo, mesmo no cenário atual. Isso irá despertá-los para ir mais longe. Neste momento, o líder tem que ser adaptágil. O termo vem de duas características fundamentais no presente e significa conseguir se adaptar ao ambiente de mudanças intensas de forma rápida. Para isso, é necessário compreender emoções e anseios da equipe para tirar o melhor dela.

O jeito de chefiar está mudando com a crise?
Sim. Muitos líderes antes somente focados em resultado tiveram que passar a olhar mais para as equipes, para as pessoas, até porque os times diminuíram, e os empregados estão sofrendo pressão ainda maior. É preciso mobilizar pessoas para atingir mais resultados e garantir que se sintam seguras, mesmo neste ambiente de crise.

 
Leia 
 
DVS Editora/Reprodução
 
Flaps! 6 passos para acelerar 
resultados e decolar sua carreira com a Liderança Adaptágil
Autor: José Marcelo Furlan
Editora: DVS
212 páginas
R$ 42,40 
 
Editora Saraiva
 
 
Lidere & inspire
Autor: Stephen P. Robbins
Editora: Saraiva
280 páginas
R$ 50,90

 

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