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Os verdureiros inventivos

Casal vende verduras em quadras da Asa Sul e da Asa Norte, além das vilas Telebrasília e Cauhy, dentro de um ônibus que era da frota da Viplan. Eles chegam a atender 100 pessoas por dia

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postado em 24/01/2016 16:16 / atualizado em 24/01/2016 16:38

Ana Paula Lisboa

 
A aparência é de um ônibus normal, com as cores verde e branca. Mudam detalhes, como adesivos com estampas de frutas nas janelas e na parte frontal. Além do tradicional barulho de motor de um grande carro como esse, é possível ouvir uma gravação, que chama a vizinha para conferir uma vasta variedade de hortaliças. No interior do transporte coletivo, há poucos bancos, pois o espaço é ocupado por bandejas e mais bandejas, repletas com 80 tipos de produtos naturais, como frutas, verduras, ovos caipiras e mel. Banana, laranja, melancia e abacaxi estão entre os itens mais populares.
 
O público entra no carro, como se fosse uma loja, e é recepcionado pelos simpáticos Jorge Chaves Silva, 51 anos, e Elenice Aparecida Jacob, 48. De riso fácil, enquanto vendem, eles conversam com a clientela em quadras do Plano Piloto, como 316 Sul, 313 Sul, 116 Sul, 214 Norte, 212 Norte e 416 Norte, além da Vila Telebrasília e da Vila Cauhy. Há 15 anos no ramo, eles conhecem muitos dos compradores pelo nome. “São empregadas, patroas, idosos, adultos… Quando chegamos nas quadras, até os cachorros de alguns dos compradores ficam doidos para descer, pois reconhecem o barulho”, comenta Jorge, que nasceu e cresceu em Taguatinga. Quarta-feira é o dia mais movimentado para os vendedores, quando eles atendem cerca de 100 pessoas. Nas terças-feiras, costumam ser até 70 clientes. “A crise e as férias afetam nossas vendas, mas continuamos ganhando”, afirma Jorge.

Rotina
O casal mora em Ceilândia, e é na Feira do Produtor e Atacadista da cidade que a dupla abastece o ônibus e o deixa estacionado durante a noite. Eles também selecionam produtos na Central de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF). Para conseguir o melhor custo-benefício, Jorge e Elenice madrugam e fazem compras às 4h30 da manhã. Eles começam a vender às 9h, mas, antes disso, precisam preparar a mercadoria: tudo é embalado, separado em bandejas e etiquetado.
Jorge e Elenice têm quatro filhas: Enny, 29, Érica, 27, Ellen, 22, e Larissa, 10. As duas mais novas moram com os pais e os ajudam com os negócios. A segunda mais velha aprendeu tudo sobre a área com a família e, hoje, é concorrente. “Ela vende frutas e verduras em várias quadras da Asa Norte. Quando precisa, tira dúvidas com a gente”, conta a mãe, orgulhosa. Quando começou a vender frutas, há 15 anos, Jorge fazia as vendas sozinho e vendia frutas da estação: numa época era só abacaxi, em outra, era só melancia, por exemplo. O modelo não era muito satisfatório e, três anos depois, ele passou a contar com a mulher para o trabalho e, a partir daí, diversificou os produtos.
 
Comodidade
Comprar fiado, costume praticamente extinto em outros tipos de negócio, é uma constante. “Anotamos os dados do freguês numa caderneta. Muitos deles preferem pagar no fim do mês, depois de terem feito várias compras conosco”, explica Elenice, natural de Presidente Bernardes (SP). “Apesar disso, quase nunca levamos calote”, revela Jorge. O ônibus e a maquininha de cartão são inovações do negócio que chegaram há cerca de um ano. “Antes, usávamos uma kombi. Quando chegávamos a um local, precisávamos desmontar tudo e colocar em estande do lado de fora”, lembra Jorge.
 
“Para transportar, também era complicado: as bandejas ficavam umas em cima das outras, amarradas. Agora, podemos levar tudo tranquilamente e receber o público de uma forma melhor. Quando chove, por exemplo, não tem problema, pois as pessoas entram aqui no ônibus para comprar”, complementa a esposa. “Com a opção de pagar no fim do mês e de comprar com cartão, fica muito prático para o cliente, além da vantagem de ele poder comprar na porta de casa e pagar mais barato que em supermercados”, salienta Jorge. Segundo os comerciantes, com eles, o preço de um produto chega a ser 50% menor. “Muita gente liga e fazemos entregas também.”
 
Moradoras da Vila Telebrasília Rita Luziete, 56, e Adalci Silva, 36, estão entre as compradoras fiéis da dupla. “A qualidade é boa, o preço, também. E ainda temos a vantagem de comprar na porta de casa”, observa Adalci. “Compro toda semana e vale a pena. Conheço os dois há muitos anos, sempre conversamos”, complementa Luziete.
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Entre em contato por meio dos telefones 9959-8888 e 8621-5363.
 
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