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Brasileiros nas top dos EUA

Cada vez mais brasilienses vão ao exterior para estudar ou desenvolver projetos. Conheça estudantes que vão deixar a própria marca nos Estados Unidos, país que concentrar as mais respeitadas instituições do mundo

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postado em 24/01/2016 16:19 / atualizado em 27/01/2016 17:51

Sofia Lima

 

O Brasil está entre os países que mais enviam estudantes à terra do Tio Sam (veja De malas prontas), e os de Brasília não ficam de fora. Além de estudantes de graduação e pós-graduação, as universidades estadunidenses recebem jovens interessados em incubar startups, participar de conferências, desenvolver pesquisas, entre outros objetivos. De acordo com a coordenadora do Education First (EF Brazil), Marta Bidoli Fernandes, o modelo de educação mais aberto é um grande atrativo.


“Nos Estados Unidos, é possível escolhr a área de estudo após o segundo ano de curso, por exemplo. A estrutura do ensino proporciona ao estudante uma visão mais aberta, o que ajuda na qualificação para o mercado de trabalho, pois a pessoa aprende a interpretar bem textos, escrever melhor e se torna mais aplicado.” O programa de intercâmbios do governo federal também influenciou o aumento da procura por oportunidades no exterior, especialmente por conta da educação de alto nível e de experiências interculturais. “Muitos alunos viram irmãos ou colegas participando do Ciência sem Fronteiras e acabaram se interessando”, acrescenta. Os lugares mais procurados para estudar nos Estados Unidos são Flórida, Nova York, Massachusetts e Califórnia, de acordo com a coordenadora do EF.

 


Inscreva-se

» EducationUSA Academy: tem parceria com 10 renomadas universidades e oferece um programa de três a quatro semanas com curso de inglês e preparação para admissão em instituições de ensino superior a jovens de 15 a 17 anos. Inscrições: www.edusaacademy.org.


» A Universidade Yale oferece bolsas de estudo para brasileiros que estejam no ensino médio para cursos de duas semanas sobre diversos assuntos entre junho e agosto. Inscrições até 11 de fevereiro pelo site globalscholars.yale.edu.

 

O aplicativo que conquistou Harvard
Quer se desfazer de alguma coisa, mas não sabe como? A brasiliense Jéssica Behrens, 24 anos, graduada em comunicação organizacional pela Universidade de Brasília (UnB) tem a solução. É o aplicativo Tradr, disponível na App Store e no Google Play, em que usuários postam fotos de objetos que desejam passar para frente, e pessoas da mesma região podem indicar se têm interesse neles. O objetivo é trocar, vender e comprar itens usados. “Qualquer pessoa pode criar seu shopping de graça. Não cobramos taxa”, diz Jéssica. Ao implementar a iniciativa, a jovem reuniu um time de colaboradores de Brasil, Estados Unidos, Canadá, Israel, Quirguistão e França. A startup chamou a atenção de instituições como a Universidade Harvard, que resolveu incubar o projeto. Por isso, a brasiliense passou seis meses em Cambridge desenvolvendo a iniciativa em 2015.


A ideia surgiu em setembro de 2014, depois que ela voltou de um intercâmbio na Nova Zelândia, resolveu participar de um desafio on-line e precisou se desfazer de produtos. O que começou com doações em paradas de ônibus tornou-se uma ideia que, de boca em boca, viajou para Israel e pousou nos Estados Unidos. “Fui apresentada a pessoas que estavam desenvolvendo uma startup em Harvard. Em menos de um mês, fui para lá começar a implementar meu projeto. No início, o aplicativo foi só para alunos, e fez muito sucesso, tanto que ficou bem conhecido em Cambridge.”


A melhor universidade dos EUA promove processos seletivos para propostas inovadoras e, até agora, o Tradr foi aceito por Harvard cinco vezes, por inserir componentes sociais e de inteligência artificial num app de economia colaborativa. “Ganhamos espaço físico, treinamento, workshops. O mais importante foi o acesso a especialistas para tirar dúvidas”, detalha. A iniciativa também foi bem recebida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que premiou o projeto com o 2º lugar em um concurso. “Em cada país, funciona de um jeito. Nos Estados Unidos, em que há 50 mil usuários, a compra e a venda são maiores. No Brasil, o mais comum é haver trocas entre os 20 mil cadastrados. Já em Israel, são populares a compra e a venda de artigos de artes.”

 

Antonio Cunha
 

 

Das simulações à melhor do mundo
Com apenas 16 anos, Pedro Farias foi aprovado na Universidade Harvard. O estudante foi aceito este ano e, assim que terminar o ensino médio em junho, na Escola Americana de Brasília, vai para a instituição estudar ciência da computação e desenvolver pesquisas na área. “Eu fiquei muito feliz, porque é uma faculdade excepcional”, conta. Interessado em diplomacia, Pedro é secretário-geral da Brazil Model United Nations (Bramun), uma conferência internacional para estudantes de ensino médio de escolas americanas de 15 países da América Latina, focada em simular protocolos da Organização das Nações Unidas (ONU). Este ano, o evento será em março em um resort na Praia do Forte (BA) e terá 500 participantes.
Ele também é o idealizador de uma nova conferência: a Brasília Model United Nations (BSBMun). A primeira edição ocorreu em novembro do ano passado e reuniu 150 alunos de escolas do Distrito Federal, além de autoridades das embaixadas da Inglaterra e da Suíça. O jovem acredita que fazer parte dessas atividades foi essencial no desenvolvimento de habilidades, como cooperação, escrita e ganho de vocabulário em inglês. Na universidade norte-americana, o jovem pretende continuar engajado em simulações: “Lá quero ajudar brasileiros que vêm a Harvard participar desses eventos e me envolver com o grupo sobre ONU da instituição”, conta.


O processo de admissão em instituições de ensino superior na terra do Tio Sam é totalmente diferente: o candidato manda uma série de documentos à universidade, como formulários, redações, cartas de recomendação, resultados de provas que certificam conhecimentos em inglês e em conteúdos de ensino médio, além de relatar participações em atividades extracurriculares. “O ideal é que o aluno comece no segundo ano do ensino médio, ele pode levar de sete a oito meses para conseguir mandar todos os documentos necessários”, recomenda Marta Bidoli Fernandes do Education USA.

 

 

 

Modelo da ONU no exterior
Até 31 de janeiro, 12 alunos do Colégio Presbiteriano Mackenzie participam de duas simulações da Organização das Nações Unidas nas universidades de Harvard e Yale. São quatro meninas — Giovanna Almeida, Catarina Kirst, 17, Lya Brandão, 18, Maria Clara Melo, 19 — e oito meninos — João Marcos Constantes, Camilo Jreige Neto, 15, Achilles do Nascimento, Pedro Miranda, Gabriel Antônio, 16, Rafael Martins, Tadeu Martins, 17, e Rafael Salazar, 18. Entre os adolescentes, apenas Achilles participa pela primeira vez de uma simulação. Os outros experienciaram eventos similares no Brasil e até nos Estados Unidos. “A viagem está muito boa e temos grandes expectativas para a Yale Model United Nations (YMun) e a Harvard Model United Nations (HMun)”, comenta Giovanna.


Para se prepararem, os alunos precisaram aprender não só como funcionam as simulações, mas também estudar sobre relações internacionais. “Nós desenvolvemos um trabalho de pesquisa, treinamos oratória e diplomacia, além de promover discussões coletivas sobre temas internacionais importantes da atualidade e da política externa dos países que representaremos”, comenta a estudante. Os jovens vão representar, em Yale, a África do Sul; e, em Harvard, a Coreia do Sul. “É o grande diferencial de uma simulação da ONU. Estudar uma cultura que não é a sua, ideais com os quais você não se identifica... Isso tem o potencial de expandir horizontes e permitir um entendimento de mundo, culturas e identidades de uma forma bem mais ampla. Essa vai ser minha 10ª simulação”, diz Giovanna.


Para Emiliano Alves Amorim, professor de negociação, oratória e etiqueta da Internationali Negotia, instituição responsável por simulações da ONU, jurídicas, empresariais e legislativas no Brasil, em português, inglês e espanhol, os estudantes procuram participar desses eventos porque é uma oportunidade de conhecer carreiras em diversas áreas. “É uma espécie de teste vocacional”, comenta. No Brasil, simulações desse tipo ocorrem há 14 anos, enquanto, nos Estados Unidos, são uma tradição de 40 anos.

 

 

 

 

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