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PERFIS DE SUCESSO »

De professores a empresários da música

Os donos de uma das escolas mais conceituadas do DF chegaram a vender sanduíches para pagar as contas. Hoje, têm 12 franqueados e 3 mil alunos. Em 2015, lançaram negócio sem precedentes: uma academia de instrumentos musicais

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postado em 31/01/2016 13:40 / atualizado em 31/01/2016 13:56

Ana Paula Lisboa

Marcelo Ferreira

Por trás de um império da música na capital federal, com uma sede e oito unidades de franquia no Distrito Federal, uma em Goiânia, uma em Fortaleza, uma em Pernambuco e uma no Rio de Janeiro, está uma história de trabalho duro, sacrifícios e amor. A BSB Musical nasceu numa salinha na Asa Norte há quase 30 anos pelas mãos do então casal de namorados e hoje marido e mulher Flavio Machado, 53 anos, e Maria Auxiliadora Nassif Salomão de Oliveira, 51.


Marcelo Ferreira

 

No ano passado, ele iniciou um projeto de modelo inédito: a Musiflex. Funciona como uma academia esportiva, mas destinada a quem quer aprender a tocar instrumentos musicais. Com uma mensalidade fixa, o aluno pode ficar no local quanto tempo quiser com direito a cinco cursos (violão, teclado, guitarra, bateria e canto).


 

Com características complementares, Flavio e Maria Auxiliadora fizeram um bom casamento. “Eu sou de ter ideias e aplicar no ato, e minha mulher é meu freio”, brinca o proprietário. “Ele tem uma veia empreendedora muito grande, eu sou mais cautelosa. O Flavio é muito calado, e eu sou a voz da escola”, completa a professora de música. A união rendeu, além de mais de 3 mil alunos, três filhos, que cantam muito bem, segundo a mãe.

Do chão ao topo
“Eu tocava piano e flauta desde pequena, além de cantar. O Flávio tocava guitarra num grupo, e eu fui chamada para fazer backing vocal. Ele estudava música na UnB (Universidade de Brasília) e eu, na Dulcina (Faculdade de Artes Dulcina de Moraes). Depois, a gente se apaixonou e começou a namorar”, relembra Maria Auxiliadora. Os dois davam aulas particulares de música, e Flavio resolveu unir habilidades.


“A gente não tinha dinheiro, andávamos só com a quantia do ônibus separada. Então, quando o Flavio me convidou para jantar numa pizzaria, pensei que ia me pedir em casamento. Quando cheguei lá, ele me chamou para abrir uma escola de música.” O casamento se concretizou dois anos após a abertura do negócio.


A fim de lançarem e manterem a empreitada erguida, além de darem aulas, os dois se apresentavam em bares, restaurantes e casamentos e faziam sanduíches para vender na faculdade. “Comemos o pão que o diabo amassou, foi uma vida de sacrifício, mas faríamos tudo de novo”, garante Dodora. No primeiro ano de funcionamento, conquistaram mais de 150 aprendizes, e foi preciso mudar para um espaço maior: passaram do Bloco A ao Bloco E da 712/713 Norte, onde ficaram por 11 anos. Há 18, estão no Bloco D na mesma quadra.


“No segundo ano, tínhamos 800 matriculados. Tinha pai que achava que éramos uma seita, de tanto tempo que os filhos passavam lá”, observa o proprietário. “Tínhamos uma pequena cozinha em que eu fazia almoço para professores e alunos, e eles ficavam o dia inteiro por lá”, completa Dodora.


 

Em 2001, Flavio começou a estudar um modelo de negócio que ainda estava sendo fortalecido no país: o de franquias. “Contratei uma consultoria, fui desenvolvendo a ideia. Deu trabalho porque o formato não era fortalecido por aqui, mas fomos fazendo tudo com organização e deu certo”, observa Flavio. Recentemente, o casal interrompeu o processo de expansão por causa da crise econômica. “Somos a última prioridade. Foram fechadas quatro franquias no Distrito Federal, uma em Goiânia e uma em Belo Horizonte. Mas ainda vamos abrir mais uma este ano.”

Novos caminhos

Depois de visitar uma academia esportiva com a intenção de se inscrever, o músico teve uma ideia brilhante e saiu empolgado para empreender. “Nem fiz a matrícula, fui embora correndo para desenvolver aquilo — por isso continuo com essa barriga aqui”, brinca. “Pensei em aplicar o formato de uma academia a uma escola de música: com uma mensalidade acessível, o aluno tem direito a vários equipamentos e aulas, a qualquer hora.” A nova empreitada nasceu imitando o formato: inclusive, com catraca na entrada e fichas de treinos musicais. Depois de pesquisas, Flavio descobriu que não existe nenhuma iniciativa do tipo no mundo. “Acompanho de longe. Foi mais uma das ideias geniais dele”, define Dodora.


“Instrumentos musicais são caríssimos, e essa foi uma forma de baratear o acesso.” Já no começo, o empresário conseguiu cinco pessoas interessadas em franquear o projeto. No entanto, decidiu se planejar melhor antes de expandir. “Abri em julho passado e temos 370 alunos. Não fizemos nedivulgação, as pessoas vêm, se encantam e chamam outras”, conta. “Tem gente que aproveita períodos de férias para passar o dia inteiro aqui.”

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