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postado em 07/02/2016 13:21 / atualizado em 14/02/2016 17:54

Ana Paula Lisboa

Ana Rayssa

Depois de abordar medidas que empresas podem adotar para reduzir impactos ambientais, as carreiras da área da sustentabilidade, negócios com mote ecologicamente correto e meios de transporte menos poluentes para ir à firma, na quinta e última reportagem da série Especial Sustentabilidade, o caderno Trabalho & Formação Profissional traz ao público opções de cursos sobre a temática. As capacitações são interessantes para quem deseja trabalhar ou ser pesquisador do assunto, implantar medidas positivas na própria empresa ou no ambiente laboral e mesmo adotar um estilo de vida que cause menos transtornos à natureza.


Para os interessados, não falta oferta. “Existem muitos cursos, mas essa não é a maior vantagem. Há uma característica da cultura brasileira que eu acho positiva. As pessoas aderem à bandeira da sustentabilidade, elas vivem aquilo. Mas levará tempo para que isso ocorra de maneira massiva”, observa o professor Pastor Willy Gonzales Taco, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB).


Luiz Fernando de Araújo Bueno, consultor em sustentabilidade, professor do Institute Business Education / Fundação Getulio Vargas (IBE / FGV) e diretor de Sustentabilidade do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Campinas, avalia que, além da oferta de cursos específicos no ramo, todas as capacitações em nível de graduação e de pós-graduação deveriam abordar o assunto, pois se trata de uma estratégia de longo prazo. “Nos MBAs que ministro, por exemplo, sempre explico a meus alunos que empreendedorismo tem a ver com sustentabilidade. Agora, temos eventos de RH que abordam o tema — o que antes era impensável”, observa. “No entanto, a inserção desse tema no mundo acadêmico tem vindo timidamente. Em contrapartida, ONGs, como os institutos Akatu e Ethos, oferecem ótimas capacitações. Para trabalhar com isso, é preciso se capacitar: o assunto vem sendo tratado há mais de 30 anos, mesmo assim até quem está na área faz tempo ainda está aprendendo”, observa.


A temática é abordada especialmente em pós-graduações, como explica Fernando Malta, assessor técnico e de Relações Institucionais do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). “No Rio de Janeiro e em São Paulo, já tem graduação específica em sustentabilidade, mas ainda é algo muito novo. Quem vai trabalhar com isso, normalmente, faz um curso numa área e se especializa depois  — isso é importante para promover a junção da lógica de diversas disciplinas, pois é um ramo interdisciplinar. A pessoa precisa entender tanto como funciona uma bacia hidrográfica quanto de gestão, por exemplo.” Para quem quer sair dos bancos da universidade com chances de emprego, Malta indica que uma saída para se diferenciar é fazer estágio na área.

 

Contexto brasiliense
Além de especializações, agora há mais graduações focadas na área: prova disso, é o aumento de cursos desse grau na Universidade de Brasília (UnB) que abordam a temática nos últimos anos. É o caso de gestão do agronegócio e ciências naturais, iniciados em 2006; educação do campo, em 2007; engenharia de energia e gestão ambiental, em 2008; ciências ambientais e geofísica, em 2009; gestão de agronegócios e engenharia ambiental, em 2010. Cursos mais antigos focados em sustentabilidade na instituição são geografia, geologia, ciências biológicas (1971), arquitetura e urbanismo (1972), engenharia florestal (1974) e agronomia (1977).


Mônica Nogueira, antropóloga e professora da graduação em gestão ambiental e coordenadora do mestrado profissional em sustentabilidade junto a povos e terras tradicionais da UnB, explica que, em gestão ambiental, a sustentabilidade é um eixo estruturante. “A capacitação prepara para atuar em empresas, órgãos públicos e organizações da sociedade civil — e, em cada um desses locais, a pessoa pode exercer funções diferentes, que vão desde reconfigurar um fluxo de produção para que seja menos impactante, elaborar política de responsabilidade ambiental ou políticas públicas até assessorar comunidades para valorizar as formas tradicionais de manejo”, exemplifica. Apesar de a graduação ser relativamente nova, a docente observa que os que conquistaram o diploma têm se inserido bem no mercado — a maioria, em Brasília. “O curso foi criado a partir de uma demanda por um sujeito novo para atuar em várias áreas. Essa formação foi pipocando em outros lugares, em nível de tecnólogo e de graduação”, conta.


Clara Sales, 22 anos, Márcia Angélica Souza, 25, Juliana Assis, Camila Ferreira, Estéfano Amorim, 26, e André Gomes, 29, são alunos do curso, ofertado no câmpus de Planaltina. “Gosto da interdisciplinariedade, pois seremos profissionais capazes de fazer a ponte entre diversas instituições e a sustentabilidade”, conta André, que fez estágio em duas ONGs da área. Martha Fellows, 26, comemora o fato de ter terminado a graduação em gestão ambiental, em 2014, já empregada. “Não é a situação de todos os meus colegas. Trabalho no Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), em que atuo na valorização dos povos indígenas. Inclusive, na COP 21 (Conferência do Clima de Paris), no fim do ano passado, o governo citou a preservação de terras indígenas como uma meta importante para o nosso país, mas isso não é visto na prática. Então, também tenho esse papel de bater na porta de órgãos públicos para defender a causa”, conta.


Aluno do mestrado profissional em sustentabilidade junto a povos e terras tradicionais, Rodrigo Siqueira, 33, é graduado em direito e pós-graduado em direito ambiental pela UnB (especialização que deixou de ser oferecida). “Pretendo continuar atuando na área jurídica, especialmente em questões ambientais, mas com uma perspectiva mais multidisciplinar e voltada a povos tradicionais”, revela.

 

Ana Rayssa
 

 

Capacitação prática

Além de aulas em graduação e pós-graduação que preparam para um trabalho focado em sustentabilidade, também há boas alternativas no nível técnico. A maior diferença é que eles são mais rápidos e têm uma abordagem muito prática. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) oferece curso técnico em meio ambiente a distância com carga horária de 1,2 mil horas. Boa parte da formação é on-line, mas os alunos têm encontros presenciais para atividades práticas. “Eles fazem saídas de campo, relatórios, trabalhos em grupo”, revela o tutor Wender Farias Reis, administrador, pós-graduado em gerência de sistemas e em docência para ensino profissional e mestre em planejamento e gestão ambiental pela Universidade Católica de Brasília (UCB) - curso que deixou de ser oferecido.


Coordenadora pedagógica de EAD do Senac-DF, Alexandra Martins, observa que as visitas presenciais são um dos pontos altos do curso. “Vamos em empresas que têm estrutura voltada para a sustentabilidade, como a Leroy Merlin e fábricas de cimentos. Esse intercâmbio é muito positivo e estreita os laços com o mercado até para garantir a empregabilidade dos alunos depois”, percebe. “Depois de formados, os estudantes terão condições de trabalhar com planejamento ambiental, técnicas de manejo de resíduos, relatórios de contingência, diagnóstico de impacto ambiental e propostas de medidas para mitigar esses impactos”, revela Wender. Os técnicos podem trabalhar em órgãos públicos e, especialmente, no comércio, que é forte no DF e gera resíduos.


Os integrantes da primeira turma da capacitação oferecida em Brasília terminam a formação em agosto. Fazem parte da turma  o bacharel em geografia e membro da ONG focada em preservação ambiental SOS Fercal Grégory de Moura Sila, 21; o advogado João Gabriel Scartezini, 27; a aluna de gestão ambiental da UnB Juliana Lins, 30; a bióloga Carolina Paula de Santos, 32; o presidente da ONG Viverde do Riacho Fundo, David Dias, 40; e o graduado em sistemas de informação e dono da confecção Mundo Verde, que produz tecido a partir de garrafa PET, Francisco Ronaldo da Silva, 45. “Além desse curso, estou fazendo pós em direito ambiental pela Fael (Faculdade Educacional da Lapa), no Rio de Janeiro, a distância. O meio ambiente é importante e, cada vez mais, é necessário ter pessoas que o valorizem e trabalhem, qualificadamente, para a preservação”, afirma João. “Quero poder atuar com isso no setor público e tenho visto concursos abertos na área”, comemora Carolina.

 

Confira opçôes de cursos sobre sustentabilidade

 

Serviço
Onde e o que estudar:
Universidade de Brasília (UnB)


A sustentabilidade é trabalhada nos seguintes cursos de graduação: gestão do agronegócio, ciências naturais, educação do campo, engenharia de energia, gestão ambiental, ciências ambientais, geofísica, gestão de agronegócios, engenharia ambiental, geografia, geologia, ciências biológicas, arquitetura e urbanismo, engenharia florestal e agronomia. Há ainda especialização em reabilitação ambiental, sustentável, arquitetônica e urbanística – a distância e em geoprocessamento ambiental. Em mestrado e doutorado, há opções em ciências agrárias e florestais, agronegócios, agronomia, ciências animais, ciências florestais, fitopatologia, saúde animal, botânica, ecologia, tecnologia ambiental e recursos hídricos, arquitetura e urbanismo, geografia, ciências ambientais, desenvolvimento sustentável, meio ambiente e desenvolvimento rural e desenvolvimento, sociedade e cooperação internacional. A preocupação com o impacto ambiental também norteia, pelo menos, 20 projetos de extensão na universidade. Informações: www.unb.br.

Universidade Católica de Brasília (UCB)

Oferece curso de engenharia ambiental e sanitária e tecnológico em gestão ambiental. Em extensão, mantém o Projeto de Educação Ambiental (PEA), que busca sensibilizar pessoas para a temática. Informações: www.ucb.br.

Centro Universitário Iesb

Segundo a instituição, a sustentabilidade é trabalha em cursos como engenharia civil, design de interiores e nutrição. A faculdade também acaba de lançar uma pós-graduação em gastronomia sustentável (420 horas), que está com matrículas abertas. “Utilizar ao máximo as propriedades dos materiais e alimentos é fundamental para um mundo melhor. Em tempo de crise, o tema se torna ainda mais necessário”, destaca Thiago Brandão, coordenador dos cursos de extensão da instituição sobre a especialização. Informações: www.iesb.br.

Centro Universitário de Brasília (UniCeub)


Oferece especialização em direitos sociais, ambientais e do consumidor; em análise ambiental e desenvolvimento sustentável; além de curso de aperfeiçoamento em logística reversa e desenvolvimento sustentável. A temática também é trabalhada no mestrado em direito e políticas públicas, no MBA em gestão pública e na graduação em ciências biológicas. Informações: www.uniceub.br.

Centro Universitário do Distrito Federal (UDF)

A distância, há possibilidade de curso de gestão ambiental e de engenharia ambiental. Informações: www.udf.edu.br.

Estácio Facitec


Aborda a temática nos cursos de arquitetura e engenharia civil. Informações: www.estacio.br/brasilia.

Unieuro

Aborda a temática nos cursos de design de interiores e arquitetura e urbanismo. Também há uma especialização em iluminação e eficiência energética (360 horas), cujas inscrições estão abertas. Informações: www.unieuro.edu.br.

Anhanguera Brasília


Interessados podem fazer graduação em tecnologia de gestão ambiental na unidade de Sobradinho e São Sebastião. Informações: www.vestibulares.br.
Instituto Federal de Brasília (IFB)

Há opções de cursos técnico em controle ambiental, em reciclagem, em agronegócio e de agricultor familiar; além de formação superior em agroecologia. Apesar de ter submetido à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em 2014, a proposta de um mestrado profissional em habitação: tecnologia e sustentabilidade, o IFB ainda não teve aprovação para o programa. Informações: www.ifb.edu.br.

Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac)

Interessados podem fazer curso livre em legislação ambiental (40 horas), curso técnico em meio ambiente (1,2 mil horas) e pós-graduação em educação ambiental para a sustentabilidade (360 horas) e Em sistemas de gestão integrados da qualidade, meio ambiente, segurança e saúde no trabalho e responsabilidade social (360 horas), todos a distância. Informações: ead.senac.br.

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)


No ramo de energias renováveis, a unidade de Taguatinga promove formações em dimensionamento de sistemas fotovoltaicos (40 horas) e instalação de sistemas fotovoltaicos (200). Informações: www.sistemafibra.org.br/senai/taguatinga.

Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar)


No DF, há opções de aulas de viveirista, olericultura básica (cultivo de legumes), cultivo de plantas medicinais e aromáticas, artesanato em fibras de bananeira e tecnologias alternativas em ferro, solo e cimento. Em Palmas (TO), o Senar oferece curso técnico em florestas. A distância, também há opção de curso técnico em agronegócio. Informações: www.senardf.org.br / www.senar.org.br.

ONG Viverde

Localizada no Riacho Fundo, a organização oferece curso agricultura orgânica e alimentação saudável em parceria com o Senar em 3, 4 e 5 de março. Informações: davidviverde@hotmail.com / 3399-9400 / 8587-3366.

Instituto de Permacultura (Ipoema)


Tem cursos, oficinas e palestras para crianças, adolescentes e adultos sobre permacultura, agrofloresta e bioconstrução. Informações: www.ipoema.org.br.

Sítio Semente

Oferece formação em sistemas florestais orgânicos, com aulas práticas e teóricas, no sítio, localizado no Lago Oeste. A próxima edição será entre 18 e 20 de março. Também estão programadas turmas de 20 a 22 de maio, de 8 a 10 de julho, de 9 a 11 de setembro e de 12 a 14 de novembro. Informações: www.sitiosemente.com.

Ecovila da Lagoa


O curso de construção com terra, envolvendo técnicas ancestrais, ensina a edificar uma casa sustentável. A formação começou no ontem e continua até terça-feira (9) em Planaltina (GO), na Ecovila da Lagoa, às margens da Lagoa Formosa ao lado da Unidade de Conservação Estação Ecológica de Águas Emendadas. O local foi, inclusive, finalista da categoria arquitetura do Prêmio Brasil de Economia Criativa em 2014. Quem quiser começar o curso a partir de hoje ainda pode participar, com o desconto do valor das horas a que não teve acesso. O valor total do curso é de R$ 1.770, com direito a duas refeições, café da manhã e dois lanches por dia. Informações: Juno Rocha (61) 9662-7378 / rochajuno@gmail.com / www.facebook.com/ecoviladalagoa.

Coletivo Gaia Brasília


Oferece, desde 2012, curso de design em sustentabilidade, baseado nas experiências de ecovilas com 320 horas e estágio prático. A formação segue os moldes do que é oferecido em 35 países pela Gaia Education, rede focada em educação para a sustentabilidade. No DF, a organizadora da formação é a Eco Sintonia. O sócio Eduardo Weaver explica que os concluintes “passam a ser agentes de sustentabilidade na empresa e na vida, pois aprendem uma série de técnicas em quatro dimensões: social, econômica, ecológica e de visão de mundo.” A próxima turma deve começar em 29 de julho. O valor do último curso do tipo foi de R$ 4,3 mil, e o preço da próxima edição ainda não foi definido. Informações: coletivogaiabrasilia.org / 3202-6261 /8111-5547.

Instituto Superior de Administração e Economia (Isae),

A instituição, conveniada da Fundação Getulio Vargas (FGV) no Paraná, está com inscrições abertas para o curso totalmente a distância de eficiência energética (30 horas), baseado na Norma ISO 50001. O participante aprenderá a analisar o uso de energia em empresas e a buscar melhorias. Informações: www.isaebrasil.com.br / 3388-7800.

Faculdade Educacional da Lapa (Fael)


É possível fazer cursos a distância de graduação em gestão ambiental e pós-graduação em direito ambiental e sustentabilidade (420 horas). Informações: fael.edu.br.

Universidade de São Paulo (USP)


Oferece graduação em ciências da natureza, engenharia ambiental, engenharia florestal, gestão ambiental e oceanografia, e pós-graduação em sustentabilidade, doutorado em bioenergia, doutorado e mestrado em bioengenharia, em bioinformática, em ciência ambiental, em ciências da engenharia ambiental, em ecologia, em ecologia aplicada, em oceanografia, em recursos florestais, em sustentabilidade. Informações: www5.usp.br.

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Oferece especialização na modalidade extensão universitária em gestão da sustentabilidade e responsabilidade corporativa. Informações: www.extecamp.unicamp.br/sustentabilidade.

 

Colaborou Jéssica Gotlib

 

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