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PERFIS DE SUCESSO - ALEXANDRE GUERRA »

O sucessor do Giraffas

O dono da rede de fast-food brasiliense passou o bastão a um dos filhos em 2012. Com sólida formação em gestão, o CEO trabalha na empresa há quase duas décadas e defende que as pessoas devem crescer pelo próprio esforço

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postado em 07/02/2016 13:47 / atualizado em 08/02/2016 14:18

Ana Paula Lisboa

Helio Montferre

O Giraffas completa 35 anos em 2016, e a data será comemorada junto ao aniversário de 56 anos de Brasília, cidade em que a lanchonete nasceu, em abril. Presidente executivo da rede desde 2012, Alexandre Guerra tem a mesma idade que a companhia. Filho de um dos fundadores e dono da maior rede de fast-food brasileira, ele é sinônimo de comprometimento e deseja consolidar o império construído pelo pai, Carlos Guerra. “Assumi a presidência há três anos, com o objetivo de que seja uma empresa ainda de sociedade familiar, mas com gestão profissional”, revela.


A estrutura da organização, com 420 unidades no Brasil — das quais 30 são próprias — e 10 nos Estados Unidos — seis próprias e quatro franqueadas — e a quantidade de pessoas envolvidas — são 9 mil empregados nacional e 160 nas lojas norte-americanas — dão ideia do tamanho da responsabilidade envolvida no trabalho de Alexandre. A rotina para dar conta da missão é agitada. “Toda segunda-feira, bato ponto no aeroporto para ir ao escritório de São Paulo, pois é a cidade em que ficam nossos grandes fornecedores e parceiros. Volto para cá na quinta-feira, onde ficam nossos setores financeiro, contábil e jurídico. Brasília é a cidade em que passos meus fins de semana e onde fica meu filho de 2 anos e meio, então é muito difícil ficar longe”, conta.


No DF, o Giraffas tem 80 restaurantes, que representam 23,7% do faturamento da rede. A capital do país é importante para a rede não só por isso. “Sou brasiliense com muito orgulho, e somos uma empresa brasiliense com muito orgulho. Tudo começou aqui, e devemos muito desse crescimento ao desenvolvimento da cidade”, afirma Alexandre que, no tempo livre, curte a família e pratica esportes. “Faço musculação durante a semana e, nas férias, curto kitesurfing. Minha vida é tão focada em trabalho e estressante que preciso dessas fugas.”

Turbulências
A situação econômica brasileira se mostra como um obstáculo para qualquer empresa, mesmo as maiores, mas Alexandre pretende aprender com as dificuldades. “Como executivo, é o primeiro momento de instabilidade com que convivo. Ninguém gostaria de passar por uma crise, pois impacta os negócios, mas estamos desenvolvendo alternativas para sair dela mais forte do que entramos, vamos tirar o melhor dela.”


O crescimento da rede no ano passado, em que o faturamento foi de R$ 800 milhões (em 2014, foram R$ 777 milhões), demonstra que a estratégia está dando certo. A expansão nos EUA e a disseminação dos restaurantes Tostex, também do Giraffas e focados em sanduíches tostados de diversos sabores, são outras provas disso. “Fechamos o ano com 20 lojas da nova marca — em Brasília, são três: na 403 Sul, no ParkShopping e no Taguatinga Shopping. Ainda devemos lançar outras duas ainda neste semestre aqui. Vemos muito potencial porque se trata de um produto que agrada o paladar brasileiro e tem se saído vitorioso, apesar de o nome não ser tão reconhecido.”

Transição
CEO do Giraffas desde 2012, Alexandre recebeu a missão de dar continuidade ao crescimento da empresa. Carlos Guerra passou o bastão ao filho, e se tornou presidente de um conselho de administração, composto pelos sócios da organização. Os acionistas também pararam de fazer parte da gestão do negócio e foram substituídos por executivos do mercado. Dois irmãos dele também ocupam funções estratégicas na companhia — os outros dois ainda estão em idade escolar. “Essa mudança veio depois de 30 anos de empresa, não tem a ver com corrigir falhas, foi uma decisão de continuidade. A competência dos sócios não pode ser diminuída, mas, lidando com pessoas, não é possível ter uma gestão universal e eterna. Por isso, temos que criar processos que funcionem independentemente de quem estiver aqui. Meu pai continua atuando ativamente, mas não na gestão executiva.”


Questionado sobre o peso de assumir a presidência da companhia ainda jovem, Alexandre pondera que acumula quase 20 anos de trabalho na rede. “Sou uma das pessoas mais antigas do Giraffas. Posso contar uns cinco funcionários que têm tempo de casa superior ao meu. O fato de eu participar do negócio desde que era regional e ter ajudado meu pai a construir esse crescimento ajuda muito.” Alexandre admite que existem diferenças entre o modelo de gestão dele e o do pai, mas o essencial permanece intocado. “Nossa visão de empresa e de futuro é bastante alinhada porque muito do que sei aprendi com ele”, afirma.


Com relações familiares permeadas por negócio, a balança pesa mais para o lado do trabalho. “Acabo lidando mais com minha família mais no dia a dia profissional do que na rotina pessoal, por uma questão de tempo.” O fato de ser filho do dono não apaga o fato de o jovem executivo se esforçar por conta própria e, entre as dicas que ele deixa para jovens com aspirações de crescer na carreira e assumir cargos de liderança, Alexandre aponta o protagonismo como um dos ingredientes principais. “As pessoas ganham a vida não por fatores externos, mas internos. Você não pode ficar esperando a promoção vir de fora, tem que se esforçar para chegar até ela — fazendo mais do que foi combinado; afinal, existem dois tipos de funcionários: os que trabalham bem se forem mandados, e os que trabalham bem por que acham que isso é o que tem que ser feito”, compara. “As pessoas têm que se ver como donas do próprio destino e pautar o trabalho pelo próprio esforço”, completa.

Carreira

Formado em direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) desde 2003, o brasiliense tem inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF), mas nunca exerceu a profissão. Mestre em administração pelo Insper, em São Paulo, tem títulos de MBA em comércio internacional pela Universidade de São Paulo (USP), com extensão na Universidade Pierre Mendès, na França, e de especialização em controladoria de multinacionais pela Fundação Instituto de Administração (FIA) e em mercados derivativos pela BM&F Bovespa. “O mestrado em administração, numa escola excelente, contribuiu muito para a minha carreira. Foi a partir daí que me aperfeiçoei em gestão”, conclui Alexandre que, durante algum tempo, atuou no mercado financeiro, quando trabalhou no Banco Fator.

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