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Comodidade como carro-chefe

Sair de casa não é mais mandatório para receber serviços: há profissionais que se deslocam até onde o cliente está, visando o conforto de quem é atendido. Confira dicas para trabalhar assim

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postado em 14/02/2016 14:46 / atualizado em 14/02/2016 14:59

Paula Braga /Especial para o Correio

Carlos Moura

No momento de optar por um serviço, uma característica fala mais alto: qualidade. Comodidade e praticidade também são importantes e podem fazer diferença para o cliente. De olho nos interessados nesse conforto, prestadores de serviço têm inovado e começado a oferecer o atendimento, que antes era feito em consultórios e estabelecimentos comerciais, na casa do cliente. A nova modalidade de serviços delivery é adotada pelos mais variados setores. Salões de beleza, pet shops e profissionais da área de saúde podem ser requisitados sem sair do sofá.


“Quem tem um negócio ou trabalha diretamente com o público precisa estar em constante inovação para se manter no mercado”, afirma o diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF), Valdir Oliveira. Segundo ele, a chave para o sucesso é focar em quem não foi afetado pela crise e pode pagar valores extras por serviços diferenciados. “Há um segmento que não foi abalado pela recessão e com certeza será demandante de serviços em domicílio. Quem deseja atuar na área deve conhecer o mercado e saber se, no ramo em que trabalha, há condições favoráveis para se estabelecer. Entender o que o cliente quer e vislumbrar a melhor forma de atendê-lo, oferecendo serviços de qualidade e comodidade, é uma maneira de conquistar e fidelizar.”


Assim como nos serviços prestados em estabelecimentos fixos, é fundamental investir na especialização e na segmentação. “Vários setores estão explorando esse novo espaço de mercado, que é uma tendência muito clara em algumas áreas, mas uma necessidade em outras. Pessoas com dificuldade de locomoção ou idosos, por exemplo, podem ter preferência por serem atendidos sem sair de casa”, afirma o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), especialista em gestão de pessoas e coach Vagner Sandoval.


O serviço em domicílio, porém, não apresenta vantagens somente para o cliente, já que o trabalhador evita gastos com o aluguel do espaço, a compra de mobiliário, entre outros. Apesar disso, é preciso colocar todos os custos na ponta do lápis antes de partir para o empreendimento. “É necessário conhecer o mercado com profundidade para saber se vale a pena.”


Segundo Thiago Almeida, pesquisador do Instituto de Pós-graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead-UFRJ), as mudanças na legislação favoreceram a consolidação do profissional que atende em casa. “Com o surgimento do microempreendedor individual (MEI), qualquer pessoa que presta um serviço pode se formalizar como empresa. Isso ajudou não somente empreendedores que estavam na informalidade, mas também profissionais que trabalhavam como funcionários e passaram a atuar de forma autônoma. Um cabeleireiro que atende em casa passou a oferecer facilidades iguais às de um salão, como máquina de cartão para pagamento”, exemplifica.

Mudança de cultura

Outro fator que facilitou a emergência dos profissionais que entregam serviços foi o fomento ao empreendedorismo em todo o país. “Além da mudança fiscal e tributária, houve uma alteração de mentalidade muito grande. Quem sai de um emprego consegue prospectar ser dono do próprio negócio e não funcionário. Isso é resultado de uma mudança cultural”, considera Thiago Almeida.

 

Conheça histórias de profissionais que atendem em domicílio

 

 

 

Um salão de beleza em casa
Desde outubro do ano passado, a maquiadora Maira Victor dos Santos, 30 anos, preferiu passar a atender em domicílio a ser contratada por um estabelecimento do ramo. “Não preciso pagar a comissão alta que pagaria num salão de beleza. É mais vantajoso para mim e para a cliente”, afirma. Além da divulgação entre as freguesas que aprovam o serviço, ela conta com o cadastro no aplicativo GetNinja (veja quadro Opções para achar trabalho), que reúne profissionais autônomos de diferentes áreas para aumentar a clientela. “Chego a atender cinco clientes por semana, e a pessoa não tem nenhuma preocupação: levo todo o material necessário. É muito mais cômodo, e o consumidor ainda evita a bagunça e os atrasos que podem ocorrer com um horário marcado no salão”, completa a maquiadora.

 

 

 

Consultório flexível
Aqueles que querem acertar a dieta sem precisar ir ao consultório podem solicitar os serviços da nutricionista Marina Schwindt, 31 anos. Ela leva balança, adipômetro e todos os instrumentos necessários para realizar a consulta na casa do paciente. “É um atendimento particular. Comecei com familiares e amigos no ano passado e vi que dava certo. Nunca gostei de ficar parada em consultório, então, é também uma boa opção para mim porque consigo ter horários flexíveis”, explica Marina. “Muita gente não se sente à vontade para ir a uma clínica porque a consulta precisa ser feita com poucas roupas, por exemplo. Na residência da pessoa, consigo fazer o mesmo atendimento e é mais simples para o paciente”, destaca a nutricionista, que tem 20 clientes até o momento. O valor da consulta não tem adicionais, mas, quando recebe solicitações de pacientes que moram longe dela, Marina inclui uma taxa adicional pelo deslocamento.


“O serviço é até mais completo na casa do paciente, porque muitos me mostram o que têm na geladeira, o que estão comendo e posso dar orientações e elaborar uma dieta mais completa, de acordo com a realidade do indivíduo”, completa.

 

 

 

Um chef na sua cozinha

Para comer preparações de um bom chef, não é mais preciso fazer reserva e enfrentar fila em restaurantes. Erick Silveira, 40 anos, prepara o menu escolhido na cozinha do cliente. “Estudei análise de sistemas e fiz carreira no mercado de computação, mas decidi dar uma virada na minha vida e fazer outra coisa”, conta o chef, que oferece o serviço há um ano. Quem o recebe tem uma única preocupação: comer. “Utilizo algumas coisas da casa da pessoa, mas levo frigideiras maiores, panelas que as pessoas normalmente não têm e facas. O menu é sugerido previamente por mim e também sirvo de maneria formal, à francesa. Ao fim, deixo a cozinha pronta para ser utilizada novamente”, explica.


O valor cobrado por convidado é R$ 90, para entrada, prato principal e sobremesa, mas pode variar de acordo com o prato escolhido pelo anfitrião. Além disso, a pessoa pode acompanhar o processo de preparo da refeição na própria cozinha. “Em São Paulo, esse tipo de serviço apresenta um bom crescimento. Aqui, ainda está começando, mas há demanda. Muita gente não gosta do ambiente do restaurante, prefere comer em casa”, destaca o chef.

 

 

 

Médico a poucos cliques de distância

Os mais velhos irão se lembrar dos médicos familiares, que visitavam a residência dos pacientes para realizar atendimentos. Com o avanço da tecnologia, o costume parece voltar: Lorena Luiza Fernandes, 26 anos, é médica pediatra e uma das 30 profissionais que atendem pelo aplicativo brasiliense Dokter, lançado no mês passado. Para aqueles casos em que não há emergência, é possível solicitar por meio da ferramenta atendimento sem a necessidade de deslocamento até o hospital. “Grande parte dos trabalhos realizados no pronto-socorro da rede privada são de baixa complexidade, como dores de cabeça, indisposição. Essas consultas podem ser realizadas em domicílio, sem necessidade de aumentar a fila dos hospitais”, destaca o cirurgião plástico e idealizador do aplicativo, Marco Venturini, carioca que mora em Brasília desde 1994.


A inspiração para o projeto veio quando ele ficou horas com a avó na fila do pronto-socorro à espera de uma consulta simples com o clínico geral. O procedimento no Dokter é fácil: a pessoa descreve o que está sentindo no chamado, e o médico mais próximo e com horário disponível aceita a consulta. O profissional entra em contato com o paciente para descartar uma situação de emergência e, no prazo máximo de uma hora, deve prestar o atendimento.


Por enquanto, o aplicativo está disponível apenas em Brasília, mas a previsão é que o serviço se expanda para outras capitais daqui a dois meses, começando por Goiânia. Para atender pelo Dokter, o médico precisa ser convidado ou ser indicado por outro profissional. Depois disso, é feita uma entrevista em que a equipe explica os procedimentos padrão das consultas e confere se a pessoa tem perfil para atuar no sistema.


“Tive uma formação bastante voltada para o atendimento médico humanizado, que envolve conhecer e ter contato com o paciente. Ainda estou estudando abrir um consultório, então atender em domicílio por demanda tem sido ótimo. Naqueles momentos em que estou estudando, por exemplo, fico disponível para receber as demandas do aplicativo”, afirma Lorena, que vê na ferramenta uma maneira de fidelizar pacientes. “As pessoas têm médicos preferidos, então é uma forma de fazer com que conheçam o meu trabalho e marquem consultas posteriores comigo. A troca de benefícios entre médico e paciente é mútua”, destaca a pediatra.

 

Prepare-se!

Confira dicas do professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), especialista em gestão de pessoas e coach executivo Vagner Sandoval para se preparar antes de levar os serviços à casa do cliente:

» Saiba lidar com circunstâncias adversas. Ao atender na casa do cliente, você estará sujeito a situações como birra de uma criança que mora no local e presença de animais de estimação. É preciso saber gerenciar tudo isso para garantir que o trabalho seja feito com qualidade.

» Tenha flexibilidade de dias e horários. Quem solicita um serviço em domicílio normalmente tem uma rotina com pouco tempo livre. É importante que você consiga se encaixar nos horários e na necessidade de cada pessoa que atenderá.

» Defina os mecanismos de contato. Você precisa ser ágil nas respostas. Se vai receber pedidos por ligações, deve estar com o celular sempre por perto. Se as demandas serão feitas por e-mail, deve ter sempre acesso à internet para não deixar os clientes na mão.

» Esteja disposto a fazer atendimentos fora do horário comercial. O serviço em domicílio deve ser cômodo para quem solicita, logo, é provável que pessoas que chegam muito tarde ou saem muito cedo para o trabalho, por exemplo, solicitem atendimento em períodos diferenciados. Fornecer esse tipo de trabalho pode representar um nicho de mercado.

» Seja pontual. Programe-se, analise as melhores maneiras de se deslocar, preveja o trânsito e não deixe o cliente esperando por você.

» Estabeleça relacionamentos interpessoais com quem você atende. O boca a boca é a sua principal ferramenta de divulgação.

 

Opções para char trabalho

]Confira aplicativos e sites disponíveis gratuitamente que fazem a ponte entre clientes e profissionais. O ofertante paga pelo uso do aplicativo, o preço pode ser uma porcentagem de cada trabalho ou um valor fixo em planos.

Aplicativos disponíveis na GooglePlay e na Apple Store

Para diversos tipos de profissionais

» GetNinjas
» Bicos
» Freelancer — Hire & Find Jobs

Para diaristas
» Diinga
» Miss Limpeza

Para clínicos gerais e pediatras
» Dokter

Para colaboração

» Good People — por meio dele, os usuários trocam diversos tipos de serviços entre si

Sites para agendar com clientes
99 Freelas — www.99freelas.com.br

Comunica geral — www.comunicageral.com.br

Escola freelancer —
www.escolafreelancer.com

Near Job — www.nearjob.com.br

Prolancer — www.prolancer.com.br
Trampos.co — www.trampos.co

 

 

 

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