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O poder transformador da educação

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postado em 21/02/2016 13:39 / atualizado em 22/02/2016 17:22

Daniel Zappe

 

Nascido em Santo André (SP), Mizael Conrado, 38 anos, é advogado, vice-presidente e secretário-geral do Comitê Paralímpico Brasileiro(CPB).Bicampeão mundial e paralímpico, foi eleito um dos melhores jogadores do mundo de futebol de cinco modalidade praticada por cegos. Com catarata congênita, passou por quatro cirurgias, ainda bebê, para voltar a enxergar, mas, aos 9 anos, teve um descolamento de retina. Aos 13, estava completamente cego. O atleta, aposentado desde 2008, começou a trabalhar aos 14 anos como vendedor, atuou nas áreas administrativa, financeira, de telemarketing e de seguros em diversas instituições. “Na minha época, era difícil se dissociar do trabalho e ser apenas atleta. Tive que trabalhar e jogar. Foi um tempo difícil”, conta o graduado em direito.


Conseguir um diploma de ensino superior é um desafio que ganha proporção multiplicada para pessoas como Mizael. Prova disso é que somente 6,7% dos mais de 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência conseguiram concluir o grau, ou seja, pouco mais de 3 milhões de cidadãos, segundo dados do Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “É importante se preocupar com a formação, é preciso se dedicar, almejar algo maior e se esforçar para alcançar os objetivos. Os estudos são a chave para a nossa inserção no mercado de trabalho”, ressalta Mizael. Jorgete Lemos, diretora de Diversidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), concorda. “Por questões de inacessibilidade, as pessoas com alguma limitação sofrem com um atraso, existe uma desigualdade que elas só conseguirão superar quando forem incluídas por meio do ensino.”


Quando se trata de deficiência intelectual, os obstáculos para estudar são ainda maiores: somente 989 estudantes com esse tipo de limitação ingressaram em alguma graduação em 2014 de acordo com o Censo da Educação Superior . Jéssica Mendes, 23 anos, superou todas as barreiras e se formou em fotografia.Hoje, trabalha como fotógrafa na Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e acredita que a formação é a melhor forma de fazer os obstáculos caírem por terra. “Por causa disso, estou no controle da minha vida, quero crescer profissionalmente e exercer meus direitos. É preciso ter perseverança e saber superar as dificuldades”, conta.

 

Ponte com o mercado

A Coordenação de Promoção de Direitos de Pessoas com Deficiência (Promodef), ligada à Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do Distrito Federal (Sedestmidh-DF), localizada na estação do metrô da 112 Sul, conecta empresas a procura de candidatos e pessoas com limitações em busca de vagas. Em 2015, o serviço possibilitou a contratação de 363 profissionais.


“Empresários, muitas vezes, não entendiam que não precisam derrubar paredes e gastar muito dinheiro para contratar pessoas com essas condições: elas usam a mesma mesa, a mesma cadeira e passam pela mesma porta que qualquer outro. Auxiliamos as organizações a se adaptarem”, diz o diretor de Política Para Pessoas com Deficiência, Carlos Guimarães.


Ana Rayssa

Quem quiser se candidatar a um emprego deve ir à estação de metrô da 112 Sul e levar os seguintes documentos: currículo, laudo médico, identidade, CPF e carteira de trabalho. Já as empresas que tiverem interesse em contratar podem mandar e-mail ou agendar um horário por telefone. Informações: 3245-7210 / geat.promodf@gmail.com.

 

Ana Rayssa
 

Leia

Liane Martins Collares, 52 anos, lançou um livro em 2004 chamado Liane, uma mulher como todas. A publicação é uma autobiografia da gaúcha com síndrome de Down que, com ajuda de familiares e amigos, conta os detalhes sobre sua vida desde o nascimento até os 40 anos, incluindo histórias sobre sua trajetória profissional.


Atualmente, ela é secretária comissionada na Promodef e, antes, trabalhou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e na creche da Fundação Cruz de Malta, onde cuidava de recém-nascidos e de crianças. “Comecei a escrever quando estava trabalhando com Paulo Beck, atual coordenador-geral da Promodef, com quem trabalho há mais de 20 anos, quando fiz meu primeiro estágio. Liane ainda tem intenção de lançar mais uma publicação. “ Espero inspirar outras pessoas com deficiência com o meu livro, para que elas façam o que realmente gostam”, diz.

 

Denuncie

Caso haja irregularidades na contratação de profissionais com deficiência é possível fazer denúncias na Delegacia do Trabalho, localizado no SCS, Quadra 8, Bloco 50, Venâncio 2000, 1º Andar. Os telefones para contato são 3340-3205 e 3340-3215. Também é possível denunciar em órgãos públicos por meio de ouvidoria e em conselhos de órgão que trabalham com direitos do cidadão com deficiência, como o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (Conade/SDH/PR).

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