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PERFIS DE SUCESSO - MIQUéIAS FRAGA »

Rei do hot-dog

Quer saber como um morador de Taguatinga construiu uma rede de lanchonetes que atende, pelo menos, 12 mil pessoas por semana a partir de um carrinho de cachorro-quente?

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postado em 06/03/2016 15:38 / atualizado em 06/03/2016 15:44

Ana Paula Lisboa

Ana Rayssa

 

O que começou com apenas um carrinho de cachorro-quente em 1994, hoje é a rede Miquéias Fast Food com cinco lanchonetes — três em Taguatinga (Pistão Sul, Taguatinga Centro e Pistão Norte) e duas em Águas Claras (nas avenidas das Araucárias e das Paineiras) — que, além do lanche inicial, oferecem sanduíches, refeições e massas. Responsável pelo negócio e por empregar 120 pessoas, Miquéias Fraga, 42 anos, atribui o crescimento a muita dedicação e vontade de melhorar. “A qualidade é a alma do negócio, e estamos sempre nos aperfeiçoando”, resume.

“Comprei o carrinho de cachorro-quente para um amigo que estava parado tocar. Ele trabalhou dois dias e não quis mais. Depois, fiquei desempregado e fui eu mesmo mexer com isso. A cada dia, ficava num lugar diferente. Aos poucos, fui crescendo e colocando duas mesinhas para os clientes”, recorda. A única ajuda com que ele contou foi a da mãe, Nadeje Fraga, 82, responsável pela receita do molho e que continua a trabalhar com isso até hoje. “Ela vive na cozinha supervisionando o que é feito.” Para atrair mais clientes, Miquéias resolveu inovar no sabor. “Lancei os cachorros-quentes de frango na chapa, de frango no molho e de salsicha na chapa. Isso não existia nas lanchonetes daqui”, lembra.

A novidade agradou, e o carrinho criou ponto no centro de Taguatinga. “O produto ficou famoso e, realmente, bombou. O pessoal ia a festas, shows, igrejas e passava ali na ida ou na volta — ou até nas duas”, brinca. Quando começou o negócio, Miquéias não havia terminado os estudos secundários. “Foi um período difícil. Eu saía da escola e ficava vendendo até mais tarde.” O esforço foi uma constante para construir a rede. “Teve dias em que trabalhei 21 horas. Eu lavava, fazia compras, cozinhava, recebia”, relata.

 

Pedro Ladeira
 

 

Expansão
Como o negócio não era fixo, havia uma pressão para deixar a área pública em que Miquéias comercializava os lanches. “O local onde eu ficava, em Taguatinga Centro, não estava suportando mais tantos quiosques e teríamos que ser realocados para o Taguaparque. Só que o novo ponto não atenderia todo o meu público, então inaugurei duas lojas em 2010: uma em Taguatinga Sul e outra no Taguaparque.” Outras unidades vieram nos anos seguintes e, entre 2013 e 2014, inaugurou as de Águas Claras. Além disso, a lanchonete conta com uma central de produção em Taguatinga.

“Com as lojas, o sucesso continuou, mas se dividiu. A minha rotina rotina mudou também; preciso me desdobrar e não dou conta de tudo sozinho, conto com braços direitos — meus supervisores e gerentes e funcionários que vestem a camisa da empresa — para dar conta do trabalho”, afirma. Nos novos endereços, a lanchonete do Miquéias passou a oferecer sanduíches, massas e pratos executivos — o último caso é uma novidade que chegou no ano passado. “Entre as unidades, a de Taguatinga Centro é a mais movimentada, mas todas recebem bastante gente. Em uma semana, temos facilmente 12 mil clientes.”

Diferenciais

O horário de funcionamento das lanchonetes — que se estende durante a madrugada — é uma facilidade para o público, mas um desafio para o empresário quando o assunto é retenção de empregados. “Como éramos um quiosque, não tínhamos como fechar as portas e ir para casa - atendíamos de madrugada e mantivemos isso nas lojas”, explica.

O empresário admite que não foram poucas as vezes em que pensou em desistir da empreitada frente às dificuldades. “Teve uma sexta-feira em que trabalhei a noite inteira e vendi apenas 11 cachorros-quentes. Eu me perguntei: ‘O que eu estou fazendo aqui?’ Não foi fácil sair de uma barraquinha e construir uma rede num país louco que impõe tantos desafios. Isso é fruto de muita luta, persistência e vontade de vencer”, revela.

Outro ingrediente para alcançar o sucesso, segundo Miquéias, é realmente colocar o cliente em primeiro lugar. “É fast-food, então tem que ser rápido de verdade”, define. “É preciso tentar oferecer o melhor atendimento, o melhor produto. Se alguém come algo de qualidade e é bem atendido, não tem erro: vai voltar. Por isso, nossa propaganda sempre foi e continua sendo o boca a boca”, finaliza.
 

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