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ENTREVISTA / ANDRéA GUIMARãES NUNES »

Método para controlar atitudes e emoções

Carioca radicada em Brasília criou um conceito inovador, que promete mais serenidade para o trabalho e a vida pessoal - universos indissociáveis segundo a autora. Desde o ano passado, 90 líderes de empresas foram treinados pela consultora

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postado em 06/03/2016 15:45 / atualizado em 07/03/2016 12:47

Helio Montferre

 

Depois de mais de 10 anos de observações e reflexões junto a gestores de recursos humanos e desenvolvimento de estudos sobre comportamento humano, Andréa Guimarães Nunes, 44 anos, lançou o conceito de educação atitudinal em 2014. Natural do Rio de Janeiro, é moradora da capital federal desde 1973. Ela é administradora, mestra em ciência da informação pela Universidade de Brasília (UnB), especialista em gestão e fundadora da ATC Consultoria e Treinamentos. Em 2015, o método passou a ser disponibilizado a instituições e empresas de grande porte. De lá para cá, 91 gestores de nível tático e operacional participaram de workshops temáticos.


Com o método, por meio de atividades individuais e em grupo, ela demonstra a importância de controlar pensamentos, emoções, sentimentos e expressões, utilizando-os para qualificar a tomada de decisões, a convivência em família e no trabalho. Felipe  Andreolla, 38 anos, supervisor de Educação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Sul (Senai-RS) participou de uma oficina sobre educacional atitudinal. A programação fazia parte de um programa de desenvolvimento e aperfeiçoamento de lideranças do Instituto Euvaldo Lodi (IEL). Ele avalia a experiência como marcante e importante para aflorar um estilo de vida que queria aprender a levar: o de estar sempre em equilíbrio nos âmbitos pessoal e corporativo.

“Eu tentei absorver tudo que foi dito. Eramos apresentadas dificuldades e tínhamos que trabalhar em cima disso. O grupo todo construía uma solução individualmente ou em equipe, e essa colaboração fez toda a diferença. As atividades são muito dinâmicas e interativas, você se sente à vontade para expor sentimentos e emoções”, lembra Felipe. Ele conta que passou a aplicar o que aprendeu para ter autocontrole, saber se posicionar, ser mais resiliente e apresentar mais foco em resultados.

O que é a educação atitudinal?

É a educação que não tivemos, de pensamentos e expressões. Nossos sistemas de ensino tradicionais não contemplam essa abordagem e, hoje, o mundo do trabalho, a vida em família e em sociedade estão imensamente carentes desse conceito, que é a educação do pensar, das emoções. Não sabemos administrar impulsos nem estados temporários de conflito que se expressam, muitas vezes, em agressões verbais, omissões ou ações e decisões infelizes que nos adoecem ou que limitam muito nossa capacidade de criar, produzir, cooperar e atingir resultados. O método proporciona a indivíduos e grupos a oportunidade de encontrar nos próprios valores e talentos, soluções e resultados. A atitude é a variável mais crítica e sensível na gestão de pessoas e é a que mais impacta os resultados nas organizações. Nós precisamos desse “refletir sobre pensamentos, emoções e sentimentos antes de agir”.

Por que é algo tão importante?
Nós vivemos em uma realidade de mundo que nos adoece, dificulta a nossa capacidade produtiva, compromete o desenvolvimento cognitivo e a convivência em sociedade. Tudo isso gera incapacidades. Nós acabamos permitindo que as pressões do ambiente externo prevaleçam sobre nós mesmos. Quando saímos de casa com uma discussão ou uma contrariedade no pensamento, carregamos isso aonde vamos, o que intoxica a nossa mente. Precisamos compreender como funcionamos para não sermos comandados pelo estresse e pela ansiedade. A educação atitudinal proporciona paz interior, aceitação e capacidade de ação e inovação.

Quais são as técnicas usadas na educação atitudinal?
Nós formamos grupos de até 25 participantes nos workshops para produção de planos de ação individuais ou em equipe. A abordagem é acolhedora e dinâmica. As técnicas são: exposições de conteúdos, dinâmicas de integração e de ativação da curva de atenção (incluindo músicas e movimento, figuras geométricas, adesivos e fichas que chamamos de ‘moedas’ da gratidão e da confiaça para recompensá-los), atividades lúdicas sistematizadas, sempre contextualizadas ao grupo.

Como a interação em grupo ajuda na compreensão do conceito?
   
É a prática em tempo real, que evidencia os benefícios que o conceito propõe. Ativa a serotonina e traz sensação de bem-estar, assim a produção avança. O grupo é estimulado a trocar ideias, todos aproveitam muito este momento. Se for um grupo resistente, vamos trabalhar com esta realidade durante o workshop.

Por que você escolheu treinar líderes?

Porque são eles que possuem a valiosa missão de serem exemplo, de serem facilitadores do desenvolvimento de pessoas. A educação atitudinal é para todos, mas os gestores são os indutores de avanços. Um líder pode estar em qualquer função; a liderança é uma característica natural e pode ser exercida por qualquer um. Já a função de gestão, por vezes, é ocupada por profissionais que não têm perfil de liderança. A educação atitudinal se dirige a todas essas situações.

Como você percebeu a necessidade de criar algo novo?

Ouvindo executivos, gestores de RH e outros profissionais, identifiquei que conflitos de relacionamento e o comportamento individual e coletivo dificultavam ou facilitavam muito o desempenho das equipes. Além disso, com o estudo continuado de doutrinas filosóficas e de literatura sobre o comportamento humano, foi possível perceber que as capacitações, treinamentos e demais iniciativas para formação profissional deveriam contribuir para a compreensão de como o indivíduo e o grupo funcionam nas dimensões mental, emocional e sentimental, as competências afetivas, atitudinais devem ser trabalhadas. Por exemplo, paciência, bondade, humildade, empatia, prontidão para cooperação, resiliência, brandura são fundamentais para um profissional qualificado. Do contrário, a formação profissional não se completa. Não foram poucas vezes em que foi possível identificar excelentes técnicos ou gestores com formação nas melhores escolas e institutos do Brasil e do mundo, incompetentes emocionalmente, com dificuldade para gerar resultados. É necessário induzir e facilitar a mudança de conduta, de atitude, a começar pela atitude mental.

Você se inspirou em outros métodos existentes?
Não. Eu desenvolvi a ideia com incentivo de psicólogos especialistas em educação, treinamento e desenvolvimento humano, e inspirada por autores como Carl Gustav Jung, Willian Ury, Stephen Covey, Rossandro Klinjey e Maria Cândida Moraes.

Qual a diferença entre educação atitudinal e inteligência emocional?
A inteligência emocional é uma competência, é uma capacidade que pode ser alcançada por todos. A educação atitudinal é o método, é o meio de se chegar lá.

Como a educação atitudinal se aplica ao ambiente de corporativo?
Muitas vezes, chegamos ao nosso ambiente de trabalho com a capacidade produtiva lá embaixo. E o trabalho é um lugar onde precisamos render. Por isso, a educação atitudinal tem como objetivo básico facilitar a compreensão do nosso estado, não só físico, mas também mental — assim, passamos a ter adequado controle sobre ele. O método torna as pessoas mais capazes de encontrarem em si mesmas e coletivamente respostas


"Precisamos compreender como funcionamos para não sermos comandados pelo estresse e pela ansiedade. A educação atitudinal proporciona paz interior, aceitação e capacidade de ação e inovação”


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Entre em contato com Andréa Guimarães Nunes por meio do site da ATC Consultoria e Treinamentos: atcconsult.com.br ou pelo e-mail andrea_nunes@atcconsult.com.br.
 

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