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Negócio de mulher

As empresárias são responsáveis por 48,1% das firmas lançadas em 2015 no Brasil. No ano passado, o percentual feminino entre os novos empreendedores do país foi o maior verificado desde 2010

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postado em 13/03/2016 14:42 / atualizado em 14/03/2016 19:24

Paula Braga /Especial para o Correio

Marcelo Ferreira

A caminhada das mulheres na busca por igualdade de gêneros no mercado de trabalho ainda apresenta obstáculos a serem superados. No empreendedorismo, elas deram mais um passo à frente: segundo levantamento da proScore, empresa de informação e análise de crédito, o número de empresas abertas por brasileiras entre 2010 e 2015 cresceu cerca de 10% a cada ano, totalizando mais de 1,9 milhão de novos empreendimentos em que, pelo menos, um dos sócios é do sexo feminino. Só no ano passado, a entidade contabilizou 930 mil negócios recém-inaugurados liderados por empresárias, o que corresponde a 48,1% do total de firmas iniciadas em todo o país.

Para a diretora executiva da proScore, Mellissa Penteado, o acesso à capacitação e a facilidade na formalização foram alguns dos fatores que influenciaram a escalada crescente da participação feminina no universo empresarial. “Nos últimos anos, observamos o crescimento na disponibilidade de cursos técnicos de curta duração em instituições que auxiliam quem deseja empreender. Além disso, as profissionais que estavam fora do mercado por conta da maternidade, por exemplo, passaram por uma mudança cultural. Elas sabem que podem se profissionalizar e conciliar as duas coisas, então estão se engajando cada vez mais para abrir uma empresa e alcançar autonomia”, destaca.

 

 

 

“Progressivamente, as mulheres estão se inserindo no mercado laboral. Essa é uma realidade dos últimos 50 anos. O que mudou é que o número de trabalhadoras que são chefes de famílias está aumentando bastante, assim, as mulheres buscam atividades que tragam independência e não sirvam só para complementar a renda do marido”, explica a economista e coordenadora do Instituto de Pesquisa Aplicada da Mulher (Ipam), Tânia Fontenele.

 

Bruno Spada
 

Iniciativa recompensada

 A empresária Jordana Saldanha, 36 anos, está entre as que engrossam as estatísticas de empreendedoras nos últimos seis anos. Desde 2010, ela é proprietária da Salgadart, que vende salgados integrais na 112 Norte. “Minha mãe — Angélica de Castro — trabalhava com quitutes de massa branca e, naquela época, ainda não havia ocorrido essa explosão na busca pela alimentação saudável. Eu fui atleta de kung fu durante 17 anos e sugeri que ela produzisse salgados nessa linha. Começamos com uma operação menor, com algumas encomendas. Ainda brinquei que, caso o negócio desse certo, viraria sócia dela”, conta Jordana. A mudança não programada foi bem-sucedida. “Eu trabalhava como jornalista e nunca tinha imaginado seguir outra carreira. Fiquei levando as duas coisas ao mesmo tempo, mas vi que precisaria vestir totalmente a camisa do novo negócio para crescer”, lembra a empresária.


A empresa de Jordana fornece alimentos para cerca de 200 pontos de venda em sete estados. Por conta do desempenho na gestão, o negócio recebeu neste ano o prêmio nacional Mulher de Negócios, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), na categoria Pequenos negócios. “Foi a primeira vez que a Salgadart participou da etapa nacional. Na última edição, fomos indicados na etapa estadual. Receber o prêmio é a certificação de que estamos no caminho certo”, comemora a vencedora. A loja oferece uma variedade de 37 produtos (como salgados integrais, pães de queijo fit, coxinhas assadas e refeições com baixo índice calórico) e conta com 20 funcionários. O estabelecimento também oferece serviço de entregas, e a proprietária está planejando a expansão do empreendimento por meio do modelo de franquia.

 

Negócios preferidos
O ramo de atuação de Jordana é um dos que despertam o interesse das novas empresárias — segundo dados da proScore, as cinco principais atividades escolhidas pelas brasileiras estão na área de bens e serviços. São elas: lojas de roupas (14%), salões de beleza (11%), lanchonetes (4%), alimentos delivery (4%) e clínicas de estética (3%). Há um ano, Ivanoska Filgueira, 51, é uma das proprietárias da clínica de estética Corposição, na 915 Sul. “Apesar da crise, o segmento de estética e tratamentos está estável, as pessoas querem cuidar mais de si mesmas. A decisão de iniciar a clínica veio depois de perceber a demanda existente”, conta a empresária e cirurgiã plástica Ivanoska. “Continuo sendo médica, mas trabalho com uma equipe que cuida da administração e conto com dois sócios. À frente da minha clínica, trabalho mais, mas tenho uma flexibilidade maior e sou mais realizada”, conclui.

 

Buscando a igualdade

Apesar de o número de empresas abertas por mulheres estar próximo ao de empreendimentos iniciados por homens, ao levar em consideração os negócios em funcionamento no mercado, a diferença entre os gêneros ainda chama a atenção. Segundo o Anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras em Micro e Pequenas Empresas, divulgado em parceira entre o Sebrae e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mais de 800 mil mulheres passaram a trabalhar por conta própria em 10 anos — o número foi de 5,4 milhões, em 2003, para 6,2 milhões, em 2013. A quantia de empregadoras também subiu: de 841 mil para 1,03 milhão no mesmo período. Entre os homens, em 2013, os autônomos totalizavam 13,6 milhões, enquanto os empregadores eram 2,5 milhões.


“O grande problema das brasileiras com o empreendedorismo é a cultura. Muitas na faixa entre 30 e 40 anos foram criadas para serem funcionárias públicas ou trabalhar na empresa de alguém. Ainda que estejamos em 2016, é uma realidade refletida por essa geração, mas as que conseguem se desprender desse estigma encontram um mercado bastante promissor para atuar”, afirma Cristiana Mendanha, diretora da Associação das Mulheres Empreendedoras (AME). Para ela, a busca pela especialização é a principal diferença entre homens e mulheres no momento de decidir abrir um negócio próprio. “Algumas iniciam o empreendimento de maneira intuitiva. Se ela gosta de fazer bolos como hobby, por exemplo, monta uma confeitaria sem saber lidar com gestão. Há uma série de preocupações que o empresário deve ter com a administração que vão além da execução do serviço e, normalmente, os homens buscam essa profissionalização antes de começarem a empresa”, explica.


Apesar de ainda haver disparidades entre os gêneros, Mellissa Penteado, diretora-executiva da proScore, acredita que o número de empreendimentos iniciados por ambos os sexos deve se igualar nos próximos dois anos. “Espero que isso se concretize. As mulheres têm muito a agregar nesse mercado e estão passando por uma mudança cultural, deixando de ser temerosas e explorando novos empreendimentos”, completa.

 

Apoio para crescer

Associação das Mulheres
Empreendedoras (AME)

Desde 2004, atua na capital federal para fomentar a participação feminina na sociedade por meio da oferta de capacitação profissional. Saiba mais: www.amedf.org.br.

Rede Mulher Empreendedora
Fundada em 2010, é uma plataforma que auxilia empresárias no desenvolvimento dos próprios negócios. Além do conteúdo sobre o tema disponibilizado no portal, a organização promove eventos e encontros. Saiba mais: www.redemulherempreendedora.com.br.

10.000 mulheres
O programa do banco de investimentos Goldman Sachs e da Goldman Sachs Foundation lançado em 200 oferece educação em administração e gestão de negócios a empreendedoras de 43 países em desenvolvimento. Para participar é precisos estar à frente ou ser sócia de um negócio com faturamento anual mínimo de R$ 450 mil há um ano e que empregue, pelo menos, 10 pessoas. As inscrições para a próxima turma estão abertas até 29 de abril. Saiba mais: www.10000mulheres.com.br.Relacionamento

Empreendedorismo Rosa
O site reúne material para novas empreendedoras, como entrevistas com empresárias de destaque, dicas sobre gestão de negócios e relatos de experiências de outras mulheres na área. Saiba mais: www.empreendedorismorosa.com.br .

Negócio de mulher
O portal tem como objetivo “ajudar mulheres a empreenderem a própria vida, se reconectando com os talentos e criando um negócio ao redor da sua vida, não o contrário”, como descrito pelas organizadoras Karine Drumond e Priscila Valentino. O site promoveu quatro oficinas em São Paulo e Belo Horizonte, publicou três e-books sobre o assunto e formou uma rede de mais de 12 mil mulheres, além de disponibilizar um curso on-line para mais de 200 participantes. Saiba mais: www.negociodemulher.com.br.

 

 

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