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Correio Braziliense

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PERFIS DE SUCESSO - JOSé BATISTA DA SILVA »

Para servir do meu jeito

Há 25 anos, pioneiro da capital federal fundou restaurante no Gama em que preza pela qualidade da comida e do atendimento. A maior satisfação do chef e maître é ver os clientes satisfeitos

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postado em 20/03/2016 14:25 / atualizado em 21/03/2016 17:09

Ana Paula Lisboa

Marcelo Ferreira

Morador do Gama desde a fundação da cidade, José Batista da Silva, 70 anos, é reconhecido por clientes, amigos e admiradores. À frente do restaurante Grume Room, na Quadra 39 do Setor Leste da cidade, cativa o público há 25 anos com pratos bem elaborados e de preços acessíveis. Antes disso, o chef trabalhou em hotéis, onde aprendeu os mais altos padrões de qualidade quando se trata de alimentos e bebidas. São essas lições, acrescidas de toque pessoal, simpatia e simplicidade, que ele aplica no estabelecimento ao atender até 50 pessoas por dia no restaurante e até 3 mil em eventos.


Entre os destaques do cardápio criado por Batista, estão o filé à siberiana e o surubim grelhado ao molho branco (ambos a R$ 49 a porção para duas pessoas). Aos sábados, faz sucesso a feijoada. Chama atenção o fato de alguns pratos serem preparados na frente do cliente. “Uso um rechaud para receitas especiais, como filé e camarão. Depois que alguém pede, todo mundo quer”, diz ele que conta com uma equipe de cinco pessoas. “Eu trabalho com coração bom para atender bem. É um dom que Deus me deu”, diz ele, que veste smoking para trabalhar. Completam a indumentária o sorriso e o bom humor no trato com o freguês.


“Eu queria atender o cliente do jeito que eu achava que ele merecia, mas, quando você tem um chefe, só pode ir até certo ponto. Então, eu pedia muito a Deus que um dia eu conseguisse ter um lugar meu para servir do meu jeito. Afinal, servir é o que eu adoro e não faço só pelo dinheiro. Hoje, sou muito grato. Devo a todo mundo que veio aqui, que acredita no meu trabalho”, diz, com a voz embargada. A emoção ao falar sobre a trajetória reflete também as dificuldades que ele precisou enfrentar para colocar o sonho de pé.


“Eu não teria conseguido nada sem a minha grande ajudadora”, brinca com o nome da esposa, Auxiliadora Pereira Batista, 63. Os dois formaram dois filhos advogados e um administrador; a caçula faz letras. Têm cinco netos, e a mais velha está se formando em direito. No início, os filhos também trabalharam no restaurante. Agora, os planos são de expansão e também envolvem a família: Batista quer abrir uma segunda unidade do Grume Room daqui oito meses na entrada do Gama. “Lá, além de pratos à la carte, vamos ter um piano bar e self-service. Minha filha vai criar uma ilha no meio do salão”, planeja.

Mudanças
“Por tudo que aprendi em 40 anos de trabalho em hoteis, percebi que, pelo meu conhecimento, poderia montar um negócio. Então, falei para meus filhos: vamos procurar uma sombra para receber o nosso povo”, lembra. “Aluguei uma loja, onde ficamos só um ano, porque o espaço se tornou pequeno para o nosso público. Daí, fui para outra maior, onde começamos a fazer eventos. Depois de dois anos e meio, o lugar não comportava a nossa necessidade, porque fazíamos de tudo, até batizados e casamentos. Compramos um terreno da Terracap e fomos construindo.” Hoje, é uma loja com quatro salões para eventos, além do espaço do restaurante.


“Quando abrimos o restaurante, o Gama não tinha muitas opções, então bombou mesmo. Com o tempo, foram vindo self-services, churrasquinhos, e o povo se dividiu. Mas temos uma clientela fiel. Em épocas comemorativas, como Dia dos Pais, Dia das Mães, Dia dos Namorados, não cabe todo mundo.” Nos últimos tempos, Batista admite que teve queda no movimento por causa da crise. No entanto, os serviços de bufê continuam emandados. “As pessoas diminuem o número de convidados, mas não deixam de fazer festa.”


Nos eventos, no local e fora, comanda uma equipe de cozinha que atende até 3 mil pessoas com cardápios dos mais variados. “Não faço só bufê. Meu cardápio tem 60 opções, mas, na minha cabeça, tem mais de 500. Posso oferecer salgados, churrasco, coquetel. Tudo aliando bom preço e qualidade. Enquanto, em média, empresas fazem eventos a partir de R$ 120 por pessoa, nós oferecemos até por R$ 60 dependendo do caso.” O custo-benefício também é um dos chamativos do Grume Room. “Nos restaurantes e hotéis, o preço dos pratos é de uns R$ 120 para duas pessoas, aqui temos de R$ 49.”

Aprendizado
Paraibano de Patos, José Batista da Silva veio para Brasília atrás do sonho de conseguir uma vida melhor. Na terra natal, ele trabalhava como barbeiro e, na capital federal, chegou a atuar no ramo, por apenas 15 dias. Depois disso, ingressou numa carreira que seguiria por quase 40 anos no ramo de hotelaria. Trabalhou 10 anos no Brasília Palace, uma década no Hotel Nacional e 18 anos no Eron. O último cargo ocupado foi de gerente de alimentos e bebidas. Desse período, guarda histórias únicas e revela que os empregos foram uma verdadeira escola. “Só no Brasília Palace, os donos pagaram 36 cursos para mim, como de cumim, cozinheiro, garçom, comunicação, relações humanas, inglês, francês, alemão. Então, na área de comida, podem falar qualquer coisa que eu entendo. É preciso saber de muita coisa para atender o cliente”, revela.


Batista se orgulha de contar que, nos anos de hotelaria, conheceu diversos presidentes e governadores. “De Juscelino Kubitschek a Fernando Collor de Mello, servi todos.” O paraibano tem lembranças do idealizador da capital federal pouco antes da morte dele. “Fui o último garçom que o atendeu em Brasília. Pouquinho tempo depois, ele morreu. Numa noite, chegaram JK, dona Sarah e um casal de amigos. Ele perguntou: ‘Maître, onde podemos nos divertir por aqui?’ Eu o acompanhei até uma boate no hotel e o servi lá. Comeram um tornedor à grega e um peixe à dorê. Eu tinha trabalhado para o Juscelino em eventos e, diferentemente de outros, ele não queria andar cercado por seguranças”, lembra.


Um dos pratos que, hoje, é estrela no Grume Room tem história para contar. “O Delfim Neto estava hospedado num hotel com um grupo de cinco pessoas. Em 10 dias, eles se cansaram do cardápio. Então, ele falou assim: ‘hoje, não quero ver cardápio; quero que você crie algo para nós.’ Então, fiz um filé flambado com vodca e arroz puxado no molho de filé. Eles adoraram, e é o nosso tradicional filé à siberiana.”

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