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Correio Braziliense

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Crise? Aqui não!

Os modelos de negócios das startups podem driblar a recessão com soluções inovadoras. A maior dificuldade é captar recursos neste período, mas quem entrar no mercado agora pode crescer bastante quando o país voltar a se desenvolver

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postado em 03/04/2016 13:47 / atualizado em 03/04/2016 14:04

Carlos Moura

O momento econômico não é visto como um dos mais propícios para investir e abrir novas empresas, e muita gente se desanima com o cenário. Contudo, especialistas analisam que donos e investidores podem encarar o período como uma boa oportunidade para lançar startups — afinal, quem começar a crescer agora tende a ser alavancado em uma trajetória de êxito quando o país se recuperar e voltar a crescer. O termo se refere a organizações inovadoras em período inicial, com custos de manutenção baixos e grande potencial de crescimento. Conseguir verba para se lançar no mercado e desenvolver a ideia estão entre as maiores dificuldades de qualquer startup e, agora, esse desafio se torna ainda maior. A característica mais importante dessas entidades é o objetivo de solucionar necessidades da sociedade. E o que não falta durante a recessão são problemas.


“Estamos no meio de um furacão. As startups precisam aproveitar seus pontos positivos — como flexibilidade, facilidade de adaptação e modelos versáteis — para investir no mercado, pois, com essas capacidades, é mais provável que sejam bem-sucedidas”, opina Danilo Roselli, co-fundador da Ideation, aceleradora brasileira de startups. Para Fernando Santiago, administrador de empresas e sócio-fundador da Acelere.me, aceleradora de startups, as startups têm maiores chances de sucesso em relação a negócios tradicionais. “O custo é mais baixo, assim como as perdas”, opina. Segundo o fundador da aceleradora Startup Farm, Felipe Matos, o diferencial dessas iniciativas é oferecer para o consumidor opções mais inteligentes e econômicas de serviços e produtos, exatamente o que as pessoas procuram durante a crise. “Setores que oferecem comodidade à clientela e têm custos menores, como a área de tecnologia, são os preferidos para o cenário atual”, aposta.

E o dinheiro?
Uma boa notícia é que existem alternativas para superar o principal desafio das startups no período: conseguir recursos para sustentar a empresa. “A crise ainda não está afetando os investimentos nas startups”, opina Andre Ghignatti, diretor executivo da aceleradora Wow. Ele acredita que, no momento, há uma tendência de investir valores maiores em menos empresas entre as aceleradoras e os investidores-anjos (saiba mais sobre as formas de angariar fundos em Como conseguir investimento). Andre também aponta que o governo federal faz investimentos no ramo. Daniel Arcoverde e Rafael Belmonte, ambos de 26 anos, sócios da Netshow.me, plataforma de transmissões de vídeo ao vivo, receberam uma mãozinha generosa para colocar a proposta em pé. “Batemos mais de 3 mil transmissões. No começo, a iniciativa recebeu um capital de aproximadamente R$ 1 milhão de investidores-anjo, por meio de programas de aceleração e investidores diretos”, conta Daniel. Os investidores passam a fazer parte do conselho da empresa, participam de reuniões periódicas sobre os rumos do negócio e se tornam sócios minoritários.


Caso não seja possível contar com aceleradoras, investidores-anjo ou incubadoras, é possível arranjar verbas em outras fontes. “A solução é procurar plataformas de crowdfunding, organizações que queiram otimizar seus serviços, por meio de troca de comodidades e atividades, ou que estejam interessadas em fundir empresas para expandir o ramo de atuação”, indica Fernando Santiago. A ajuda não precisa vir, necessariamente, na forma de dinheiro. “O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Emprasas) tem programas de capacitação interessantes. Maratonas de empreendedorismo também são ótimas oportunidades para criar networking”, adiciona Andre Ghignatti.

 

Crescendo entre espinhos

Em dezembro do ano passado, seis brasilienses fundaram a startup Be.cause, que vende camisetas para ajudar causas sociais. Cerca de 20% do preço de uma peça, que está com previsão de custo de R$ 85, será destinado a organizações sem fins lucrativos. “Existe uma demanda por serviços que auxiliem entidades sem a necessidade de o público ter que dar dinheiro diretamente para elas”, percebe um dos idealizadores da empresa e publicitário Renato Amaral, 26 anos. A iniciativa conseguiu um investimento de R$ 15 mil com a aceleradora brasilense Acelere.me, ao vencer a Maratona Ignition, que arrecadou a verba por meio da plataforma de financiamento coletivo Kikante.


Os métodos mais comuns — como aceleradoras — não são as únicas formas de ganhar investimento. Pedro Kauffman, 32, CEO da startup Fit Anywhere, aplicativo que faz treinos físicos personalizados, evitou as aceleradoras e investidores-anjos e buscou pessoas que queriam investir. “Entrei em contatos com amigos que eu sabia que estavam procurando um negócio para colocar capital e agregariam conhecimentos a empresa. Achei que isso seria mais fácil, e foi um tiro certeiro”, conta. Ele apresentou o projeto para colegas e, com a entrada deles, a empresa começou a crescer. “Meus novos sócios têm uma empresa de tecnologia, então acabei ganhando também o suporte da equipe do outro negócio.”


Johanes Duarte/Divulgação

As designers de interiores Luiza Amaral, 33 anos, Fernanda Nasser, 46, e Daniela Cavalcante, 43, trilharam um caminho independente ao lançarem a Concretize, design de interiores. Aberta em julho do ano passado, a startup produz projetos enxutos e reaproveita o material dos clientes. “Vi que a proposta de fazer reformas com orçamentos reduzidos e reutilizando o que o proprietário tem tinha potencial: é uma forma de atuar de forma diferente de outras empresas no mercado”, relembra Luiza. Elas não contam com investidores externos e não querem patrocinadores no momento, por causa do momento econômico delicado e das contas que teriam de ser prestadas.

 

Oportunidades

Confira chances para potencializar seu negócio

 

Aprender e crescer
O Centro Europeu lançou a Universidade das Startups (UniStart). A iniciativa é gratuita e inclui incubação e aceleração. Para participar, os interessados, de todo o Brasil, devem escrever sobre o nível de interesse na UniStart e o grau de compromisso com o programa. As inscrições começam em 9 de abril. Informações: (41) 3222-6669 ou www.centroeuropeu.com.br.


Startup Weekend Brasília

A quinta edição do Startup Weekend chega a Brasília em 29 de abril e vai até 1º de maio. Além de assistir a palestras, a proposta é que os presentes participem de uma competição de modelos de negócio, abordando o passo a passo da operação. As inscrições podem ser feitas pelo site www.sympla.com.br/startup-weekend-brasilia---abril-2016__56458, e a inscrição custa R$ 175.

 

Aprimoramento   

Em 16 de abril, Brasília recebe o Exobase, um workshop sobre empreendedorismo e autoaprimoramento criado por uma startup americana. O evento oferece aos participantes a oportunidade de entrarem em contato com temas como tecnologias emergentes, psicologia empreendedora, filosofia, antifragilidade, lean startup, autoconfiança, perfis de personalidade e disciplina. As atividades serão realizadas no Campo Escola dos Escoteiros do Distrito Federal, localizado no SCES, Trecho 3, Lote 3 (em frente à AABB), a partir das 9h. O ingresso custa R$ 150. Informações:  3039-3419. 

 

Como conseguir investimento

 

Confira as diferenças entre os métodos de apoio

Aceleradoras
Buscam ajudar empresas com potencial de crescimento a avançarem de maneira mais rápida, para que elas consigam pagar as próprias contas no menor tempo possível. A contrapartida é a participação nos lucros. Brasília ganhou sua primeira aceleradora no ano passado, a Acelere.me.

Investidores-anjo
Aplicam recursos financeiros em negócios com alto potencial de retorno, que consequentemente terão um grande impacto positivo para a sociedade. Normalmente, os investidores têm participação nos lucros ou viram sócios da empresa. Exemplos: Anjos do Brasil, Angels Club, TI Angels e C2i Anjos.

Incubadoras
Não oferecem aporte financeiro. É indicado para quem busca ajuda ao conseguir planejamento, infraestrutura e preparação. Em Brasília, há incubadoras na Universidade de Brasília (UnB), no Centro Universitário de Brasília (UniCeub), na Universidade Católica de Brasília (UCB).

Aplicações do governo e entidades
Por meio da Startup Brasil (startupbrasil.org.br), o governo federal oferece fundos para seis startups por ano. O Governo do Distrito Federal também lança editais de apoio a iniciativas inovadoras por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP/DF); informações: www.fap.df.gov.br. Outras organizações como Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVcap), Associação Brasileira de Startups, Endeavor e Finep oferecem programas similares.

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