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Trampolim para o sucesso... Ou o fracasso

É assim que as redes sociais funcionam, e resultados positivos dependem de bom senso. Empresas podem evitar problemas ao estabelecer regras de comportamento entre os colaboradores

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postado em 17/04/2016 12:44 / atualizado em 23/05/2016 21:05

Breno Fortes

Grandes aliadas dos tempos modernos, as mídias sociais oferecem diversas facilidades para o dia a dia, inclusive quando o assunto é trabalho. Por meio delas, é possível se atualizar, entrar em contato com alguém de interesse, descobrir uma oportunidade de emprego ou curso e construir uma imagem profissional positiva. No entanto, se não forem usadas com moderação e bom senso, podem ser vilãs da produtividade e se tornar um mural de gafes. Os brasileiros gastam cerca de nove horas por dia na internet, de acordo com pesquisa da We Are Social, empresa de mídias digitais. O número deixa o país em terceiro lugar no ranking de nações mais conectadas. Por isso mesmo, os profissionais daqui precisam ficar ainda mais atentos sobre como se comportam on-line.


Rômulo Xavier, 35 anos, precisou aprender na prática a importância de moderar os conteúdos. Baterista da banda Duo Dika, o músico foi contratado para um evento, mas a divulgação de uma foto beijando uma moça que trabalhava na empresa contratante complicou o serviço. “Não conseguimos fechar mais nenhum trabalho com a produtora”, lamenta. Depois do incidente, ele se tornou mais reservado. “Entendi que a internet faz de você um produto e que trabalho com a minha imagem também”, conta.


“Tudo que alguém posta pode aparecer em um processo seletivo, na mesa do chefe ou na da concorrência”, alerta Lúcia Costa, diretora executiva da Stato, consultoria em RH. Até o que não tem a ver com trabalho pode impactar o lado profissional. “Se a empresa julga que um comportamento não é adequado, como discutir política ou postar memes, isso pode acarretar uma demissão.”


Quando se trata de acessar as redes sociais durante o expediente, o problema começa quando a atenção se dispersa. É o que indica o especialista em análise de mídias digitais pela Universidade de Michigan Marcelo Minutti. “Se alguém fica o dia todo no celular, cria uma imagem ruim. Caso surja algum desafio ou promoção, terá vários pontos contra ele.”

O patrão me vigia
Renata Moreira, 40 anos, gostava de postar imagens e mensagens sobre autoconhecimento e ficou surpresa ao saber que a empresa em que trabalhou como vendedora de seguros por dois anos observava isso. “Um gerente comentou após uma reunião que o superior dele viu que eu fiz 18 publicações no Facebook no dia anterior e, por isso, não estava produzindo tanto quanto poderia”, relembra a graduada em relações públicas e especialista em administração. A funcionária conferiu os horários e constatou que nenhuma das postagens foi feita durante o expediente. “Eu me senti invadida e bastante constrangida. Fiquei nervosa com o sentimento de perseguição.” Renata mantinha contato com colegas nas redes sociais, mas, depois do ocorrido, bloqueou todos. Por causa da vigilância on-line, somada à sobrecarga de trabalho, pediu demissão em 25 de março. Agora, atua no cerimonial de uma confederação e pensa duas vezes antes de qualquer comportamento virutal.


De acordo com Gisele Truzzi, advogada especialista em direito digital, se as empresas querem ter controle sobre o que o quadro funcional faz na internet precisam estabelecer normas. “Se a organização não tem regras sobre o uso de redes sociais, seria indevido punir alguém pelo comportamento numa rede social”, comenta. “A empresa sem políticas definidas deve repreender o funcionário e orientá-lo; mas não poderá demiti-lo por justa causa.” Ela afirma que é preciso ter cautela quanto ao tipo de monitoramento — que pode ser feito caso a caso ou por meio de softwares — para não caracterizar perseguição. “Qualquer vigilância deve ser informada aos colaboradores previamente.”

 

Rede de vantagens
É claro que a internet não traz apenas perigos. Antonio Carlos Soares garante que as mídias digitais podem impactoar positivamente a carreira. “Indivíduos que trabalham com a área comercial utilizam o Linkedin e o Twitter para estabelecer conexões com organizações e cultivar relacionamentos com contatos comerciais”, exemplifica. Já quem atua em recursos humanos pode recrutar candidatos. “O pessoal de marketing e comunicação usa as redes para saber o que os consumidores estão falando da instituição ou avaliar a reação a produtos”, cita. “Esse contato com notícias e inovações pode gerar boas ideias para melhorar a corporação, além de conectar o contratado com outros funcionários do ramo”, aponta Marcelo Minutti, especialista em análise de mídias digitais.


Ele defende que as redes sociais podem melhorar a produtividade, uma vez que seriam ferramentas para agilizar a troca de conhecimento. “O WhatsApp, por exemplo, pode ser utilizado para se comunicar com rapidez.” A consultora de RH Lúcia Costa acredita que manter contatos com outras pessoas relacionadas às atividades laborais — como colegas, clientes e fornecedores — é outro benefício. “Essas redes podem melhorar a relação entre colaboradores, pois favorecem a troca de ideias.”


Gisele Truzzi pondera que a decisão de manter amizade com colegas de trabalho no ambiente virtual deve depender do tipo de empresa, da postura da firma quanto às redes sociais e do modo de interação mantida. Cautela ao fazer postagens públicas e usar listas de privacidade são passos para evitar problemas. “É possível restringir a visibilidade de uma publicação para os colegas”, exemplifica.


De acordo com Ana Tex, consultora de marketing com foco em novas mídias, as redes sociais podem aumentar a visibilidade tanto do empregado quanto da empresa em que ele trabalha. “Se a pessoa costuma criar conteúdo, postar textos, fotos e curiosidades para um nicho específico, atrai novos seguidores para a página da empresa ou dela própria.” O cuidado com questões controversas é mandatório. “As polêmicas podem afetar negativamente a sua imagem.”

Impulsionando negócios

 

Tatyane Mendes
Recém-formada em nutrição, Ana Beatriz Diniz, 23 anos, procura acertar nas mensagens para divulgar serviços nas redes sociais. “Com duas semanas de atuação no Facebook e no Instagram, consegui 15 clientes”, conta. Para dar visibilidade às páginas, a nutricionista aposta também em promoções e sorteios.


Tatyane Mendes
“Isso atraiu mais curtidas”, revela. Lucelia Arruda, 37, é outra que se beneficia desses sites para vender alfajores finos. “O mercado é amplo, e o diálogo com o cliente fica mais fácil e rápido assim”, explica ela, que vende 500 unidades por semana, exclusivamente por meio das redes sociais.

 

O que não convém
A consultora de RH Lúcia Costa acrescenta que é necessário refletir antes de entrar em contato com pessoas do serviço. “Assuntos que não têm a ver com o trabalho, piadas e emoticons devem ser evitados”, ensina. “Passar por um grupo de WhatsApp do trabalho para dar bom dia ou falar sobre assuntos inúteis pode ser irritante.” A foto utilizada nas redes sociais não deve ser pessoal demais, com familiares ou poses sensuais. “Além disso, temas sérios e delicados devem ser discutidos pessoalmente.”

 

As gafes mais comuns 

As pessoas se esquecem de que não deixam de ser profissionais por não estarem no escritório. “Não adianta achar que fora do horário de expediente vale tudo. Ao adotar uma postura no trabalho e outra no Facebook, seus chefes podem achar que você é um duas-caras”, alerta Alexandre Prates, coach e especialista em carreira, autor do livro Resultado — a liderança além dos números. Veja um ranking das gafes cometidas nas redes:
» Postar desabafos e mandar indiretas
» Expor demais a vida pessoal
» Ser pego na mentira (dizer que vai trabalhar de casa e postar foto se divertindo num shopping, por exemplo)
» Curtir e compartilhar posts no trabalho
» Ficar distraído nas redes sociais em momentos importantes, como uma reunião
» Reclamar que a segunda-feira chegou ou comemorar demais a sexta-feira
» Postar mensagens ofensivas
» Compartilhar boatos sem checar a fonte

 

Limites

As mídias digitais podem trazer várias facilidades, mas, às vezes, colegas, chefes e funcionários podem extrapolar, conversando conteúdos irrelevantes ao ofício ou em horários absurdos. Segundo Antônio Soares, especialista em produtividade, a conversa fora do horário de trabalho não tende a ser saudável. “Uma pergunta rápida até dá para responder, mas sem espaço para virar um dialogo interminável. Todos precisam impor limites.”

 

Palavra de especialista 

Punições adequadas

Se a empresa não tem uma política clara sobre uso das redes, em teoria, não pode bisbilhotar funcionários nem demitir por justa causa devido a algo que encontrou na internet — a não ser que se trate de um crime, como difamação (falar mal do chefe, por exemplo) e calúnia ou falsidade ideológica (se a instituição descobre que o sujeito mentiu). Em casos de comportamento inadequdo, o ideal é que a pessoa seja advertida. É importante lembrar que as publicações não são mais algo só imediato: vão ficar na internet para sempre, então o usuário deve ponderar se é um conteúdo que deseja que exista para a vida inteira.

Adriano Mendes, especialista em direito digital e empresarial, membro da Comissão de Ciência e Tecnologia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/

 

Pegou mal

 

Confira casos de profissionais que passaram dos limites no
ambiente virtual

 

Recuperação milagrosa
Em 2015, um cozinheiro de um hotel no Ceará foi demitido por justa causa após apresentar atestado médico e postar fotos em festas durante o afastamento. O caso foi parar na Justiça, tendo o veredito sido favorável ao contratante.

Preconceito regional
Em 2014, um piloto de avião da linha aérea Avianca foi demitido após chamar os nordestinos de porcos, nojentos e relaxados no Facebook.

Conforto censurado
Uma docente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) ridicularizou um homem por vestir camisa regata e bermuda em 2014. Após repercussão na internet, ela foi afastada de um cargo de coordenação.


Provando o produto

Uma das gafes que mais espantou as redes sociais foi a foto de um funcionário do Taco Bell, franquia de comida mexicana, lambendo uma fileira inteira de quitutes. O fato ocorreu em 2013 nos Estados Unidos e o jovem foi demitido.

Acabou antes de começar
No ano passado, uma jovem americana reclamou no Twitter por ter que começar a trabalhar em uma pizzaria. O patrão foi alertado por um funcionário da declaração da moça e a demitiu pela própria rede social.

 

 

 

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