SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

PERFIS DE SUCESSO »

Da feira às lojas de departamentos

Conheça a história do dono da Tesoura de Ouro, que conta com 40 lojas e mais de 50 mil clientes cadastrados. O empresário fornece roupas para grifes de 20 estados e se orgulha da trajetória trilhada

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 17/04/2016 14:24 / atualizado em 20/04/2016 16:25

Ana Paula Lisboa

Ana Rayssa

 

Aos 55 anos e à frente de uma rede de lojas de departamentos com mais de mil funcionários, Juraci Pessoa de Carvalho se orgulha por dizer que contribuiu para o desenvolvimento da região. “Estou entre os 10 empresários que mais geraram empregos no DF”, conta. Ele é dono e fundador da Tesoura de Ouro, popular empresa de venda de roupas e calçados no varejo, aberta há 24 anos, que conta com 40 lojas no quadradinho candango e em Goiás. Além disso, tem duas fábricas — uma em Jaraguá e uma em Goiânia.


As roupas produzidas por ele — de jeans a camisas de gola polo — não são comercializadas apenas em estabelecimentos da rede, mas em unidades de diversas outras grifes. “Produzimos seis marcas, vendo para 20 estados e ainda fazemos serviços terceirizados”, comemora. Na Tesouro de Ouro em Brasília, o empresário calcula que tem, pelo menos, 50 mil clientes — a quantidade de pessoas que fizeram cartão específico da loja. “Antigamente, o pessoal fazia crediário. Com o cartão, temos um cadastro próprio e fidelizamos os compradores.”


Ele admite que a crise afetou os negócios, mas estima que recebe mais de 10 mil pessoas nas unidades por mês. “Está bem apertado, mas a situação é a mesma para todos os lojistas. Além disso, temos dois sócios pesados: a carga tributária e o aluguel — que, no DF, é dos mais caros do Brasil”, aponta.

Satisfação
O cearense de Icó se realiza com o trabalho. “Sou muito feliz. Faço aquilo que gosto, que é comprar e vender. Sou um bom comprador e um bom vendedor”, resume. Satisfeito, ele pretende trabalhar bastante antes de se aposentar. “Ainda sou novo, quero continuar na liderança por, pelo menos, 10 anos”, planeja. A rotina dele é agitada, mas ele garante que sobra tempo para a família. “Trabalho quase 80 horas por semana. Além disso, faço muitas viagens todo mês”, diz. “Normalmente, compro tecidos em malharias do Sudeste e do Sul do país. Cheguei a ir ao exterior, por exemplo à China, mas, com a burocracia para a importação, vale mais a pena fazer aquisições no país”, conta.


Para manter o negócio, Juraci conta com a ajuda de muitos empregados que se tornaram da família. “Tem gente que está comigo desde a época em que eu era feirante. Tenho uma relação muito próxima com os contratados. Todo ano, faço uma festa para eles e representantes nossos. Tenho que valorizá-los, pois o bom profissional levanta qualquer patrão”, revela. Juraci tem ainda 10 sócios minoritários, dos quais oito, ou são da família dele, ou são conterrâneos.
No grito

Para iniciar a operação de lojas, o empresário fez um empréstimo e, com o sucesso, se expandiu. A segunda unidade abriu em Taguatinga; a terceira, em Sobradinho; a quarta, no Gama. Antes de abrir a primeira loja da Tesoura de Ouro no centro de Ceilândia em 1992, Juraci foi servidor público da Fundação Hospitalar, em que trabalhou como datilógrafo e encarregado até 1986. Um ano antes de deixar a carreira, o cearense começou a comercializar roupas na Feira do Guará e, posteriormente, na Feira de Ceilândia. “Eu comprava peças de confecção e vendia — normalmente, para mulheres. Com o tempo, coloquei pessoas para trabalhar para mim nas feiras e passei a fornecer para camelôs no atacado no apartamento em que eu morava em Taguatinga”, lembra.


O sucesso para conquistar o público na época era verbal. “Eu era daqueles feirantes que gritam, e eu tinha muito cliente.” O tino para o comércio era um traço antigo. “Meu pai tinha uma bodega, e eu ajudava desde os 10 anos. Então, sempre gostei disso”, conta ele que tem nove irmãos, dos quais sete moram em Brasília. Os outros dois e os pais dele ainda vivem no Ceará. Juraci tem um filho que é dono de postos de gasolina, e duas filhas que ainda fazem faculdade. Nenhum deles pretende seguir a carreira do pai. “Tenho muitos parentes que trabalham comigo, então eles sentiram que não precisava”, explica Juraci.

 

* Errata: Diferentemente do publicado na coluna Perfis de sucesso do caderno Trabalho & Formação Profissional de 17 de abril, Juraci Pessoa de Carvalho, fundador da rede de lojas de departamentos Tesoura de Ouro, não é proprietário de unidades da Mr. Foot, especializada em calçados, em Brasília. Ele foi dono da marca na capital federal durante cinco anos, mas vendeu a rede local para o grupo Polyelle. Hoje, ele é dono das lojas da Mr. Foot em Goiânia. Além disso, os donos da Polyelle e da Agittus não foram funcionários de Juraci.

publicidade

publicidade