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Balada lucrativa

Brasília desponta como um público forte para festas independentes. Segundo especialistas, a crise não vai prejudicar o setor, pois as pessoas continuarão investindo em diversão. Mas é preciso apostar em uma boa gestão para diminuir custos

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postado em 24/04/2016 13:36 / atualizado em 25/04/2016 19:48

Ana Paula Lisboa , Jéssica Gotlib /Especial para o Correio

Festas R2 Produçôes

Já pensou viver embalado pelo som de música agitada, luzes coloridas, gente animada e a fim de se divertir? É essa a rotina dos produtores de festas — no entanto, muito mais do que se entreterem no trabalho, eles encaram o assunto com seriedade, carregam nas costas a responsabilidade por muitas vidas e precisam cuidar de uma série de procedimentos para garantir o sucesso, a segurança e a qualidade de um evento. Antes de colocarem o DJ para tocar, esses profissionais investem várias horas em montagem do espaço, preparação de cenografia, iluminação e som, compra de comida e bebida, entre outros preparativos.


“As pessoas que pretendem fazer carreira no ramo têm que ter em mente que gostar de festejar não é suficiente: é preciso buscar informações e qualificação”, observa Alessandra dos Santos, mestra em turismo e hotelaria, professora de gestão de eventos em gastronomia no Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e de turismo rural no Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (CET/UnB). “O setor é bastante complicado e exige um conhecimento muito grande de administração e organização”, explica. A professora avalia o Distrito Federal como um campo fértil, mas percebe a carência de profissionais qualificados por aqui. “A cada ano, vemos mais eventos surgindo em Brasília, alguns se consolidam e outros, não. O que diferencia quem consegue se solidificar dos que não passam da primeira edição é a capacidade de gestão”, afirma.


A opinião de Alessandra converge com o que diz Aparecida Vieira Lima, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Distrito Federal (Sebrae-DF). “Antes de começar a investir, é necessário que o empreendedor busque conhecer a área, saiba o que é oferecido pelos concorrentes, entenda quem são os possíveis fornecedores, faça uma planilha de custos e, principalmente, trace estratégias para inovar”, descreve a gerente da Unidade de Serviços. “Normalmente as pessoas que são atraídas para o ramo de eventos têm grandes habilidades de inovação, mas precisam desenvolver também a capacidade de administração para garantir rentabilidade”, reforça Aparecida.


Para ambas as especialistas, a profissionalização é a melhor maneira de conseguir ter um negócio sustentável. “Existe um curso técnico específico para produção de eventos no IFB (Instituto Federal de Brasília), além de pós-graduações e disciplinas nas universidades. Conhecimento para organizar o evento da maneira mais profissional possível previne acidentes e erros, além de evitar  prejuízos”, afirma Alessandra.

Fator exclusividade
O senso comum leva a pensar que, quanto mais específico o público de um negócio, melhor. Porém, essa ideia nem sempre é real. “Não dá para ser um bom produtor com um evento só. Você até pode ter um tipo de festa que seja o carro-chefe da empresa, mas precisará diversificar para atender às demandas dos clientes e, assim, ter um negócio rentável. A média de renda  e a escolaridade no DF são mais elevadas. Justamente por isso, o público exige um portfólio maior de soluções”, explica Aparecida Vieira, do Sebrae-DF.


Os produtores de eventos fazem concorrência indireta com casas noturnas, mas, segundo Alessandra, a competição não é tão alta, pois, em Brasília, não existem tantas opções de danceterias. “Se, por um lado, as boates têm o ônus de arcar com mais custos para manter local e equipe fixos, por outro lado, é mais fácil que sejam mais profissionais por não precisarem contratar terceirizados. Já no caso dos promoters, a busca do espaço pode ser um problema. Em contrapartida, é mais simples para eles inovar e mudar radicalmente de tema ou de estilo”, ressalta Alessandra.

E a crise?
O desempenho da economia nacional pode desmotivar empreendedores em potencial, mas o entretenimento continua a ser uma parte importante na vida das pessoas: o mercado de entretenimento não vai parar porque o país está em recessão. É o que defende Aparecida Vieira. “A taxa de sobrevivência de negócios em Brasília é superior à do resto do Brasil; isso quer dizer que aqui as empresas têm maior chance de sucesso. Muito porque boa parte da população é servidora pública e tem renda garantida. A grande mudança precisa estar na inovação: o empreendedor de festas tem que inovar mais e se tornar mais atrativo para os clientes”, argumenta a especialista.


Para Alessandra, um jeito de enfrentar a má fase é administrar bem a planilha de custos para tentar reduzir os gastos e, quem sabe, o preço final. “Uma das opções comuns é fazer parcerias. Uma empresa de cerveja, por exemplo, oferece cadeiras e bebidas e, em troca, expõe a marca no material publicitário do evento. É uma barganha que costuma dar certo”, ensina. Um dos maiores erros no setor é subestimar o poder de uma boa propaganda. “É preciso estar presente nas redes sociais e fazer ações de marketing”, aconselha Aparecida. Oferecer ingressos mais baratos na compra antecipada também é uma boa estratégia para que as pessoas não deixem de comprar um ingresso por causa do preço.

 

Minha vida é uma diversão

Conheça histórias de quem viu na produção de eventos uma oportunidade de negócio

 

Paulo Caveira/Produções
 

De churrascos de faculdade a festas de luxo

Os donos da R2 Produções, Rick Emediato, 31 anos; Rafael Damas, 29; Bruno Sartório, 34; e Eduardo Alves, 32, começaram a trabalhar no ramo organizando churrascos de turmas no Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e, hoje, produzem anualmente 12 festas comerciais — sem contar a Na Praia, que consiste em dois meses consecutivos de programação à beira do Lago que, este ano, será de 9 de junho a 9 de agosto —, cinco eventos gratuitos, mais de 30 formaturas e ainda festividades corporativas. Fundada em 2004, a empresa é conhecida por eventos como Surreal, Calourada UniCeub, Muv Festival e Bloco do Primeiro Beijo, em que recebem de mil a 500 mil pessoas. Os valores dos ingressos podem chegar a R$ 2 mil na porta, e os empreendedores têm uma margem de lucro de 30%.


A boa notícia para quem também quer trabalhar no ramo é que os empresários não sentiram os efeitos da recessão. “Na crise, as pessoas cortam bens de valor alto, como carro e apartamento. Mas o entretenimento, apesar de não ser necessidade básica, é semanal: se a semana foi boa, a pessoa sai para comemorar; se foi ruim, vai afogar as mágoas. Então, não vemos queda”, comenta Rick. “O mercado de Brasília está mais forte agora, pois há poucas casas noturnas boas funcionando.”


Num escritório do Lago Sul, os quatro sócios contam com uma equipe de 30 pessoas. A cada evento, contratam, pelo menos, 300 terceirizados, criteriosamente selecionados por uma equipe de RH. Para que todos trabalhem dentro do conceito pretendido, ministram um treinamento a cada festa. “Nós nos preocupamos não apenas com a festa em si, mas com o cliente. Nossa equipe tem que estar treinada até para dar informações sobre a cidade, sobre onde achar algo que a pessoa quer.” A preocupação com a qualidade é tão grande que eles colocam funcionários disfarçados para avaliar os serviços.

 

Cada conceito de festa — da cenografia às músicas — é criado totalmente do zero, mas consultando o público, por meio de pesquisa de satisfação e do contato com clientes. Travar parcerias com empresas de bebidas e de diversas outras áreas é uma das apostas da produtora. “Temos uma parte de prospecção e, por exemplo, na festa Na Praia, chegamos a ter 17 parceiros, desde companhia aérea a marca de carros e de plano de saúde. Também fazemos eventos gratuitos com patrocínio, incentivo fiscal ou a Lei Rouanet”, revela.


Diretor de Criação na empresa, Rick abandonou os cursos de publicidade e arquitetura para trabalhar no ramo. “Eu e o Rafael percebemos que os churrascos de faculdade eram uma oportunidade de negócio rentável e que tinham o poder de unir as pessoas. Meus pais e os dele são de ramo comercial, então sempre tivemos uma visão empresarial”, conta. “Tomamos muito tombo até nos consolidarmos. No começo, não tínhamos CNPJ, era tudo no nosso nome. Quebramos, tivemos que vender carro, levamos prejuízo alto…”, lembra.


“Hoje, tudo é mais calculado”, compara. Apesar de trabalhar com afinco, o preconceito com a área demorou a passar entre familiares e amigos. “Nossos pais, amigos e até namoradas achavam que era algo temporário e não profissional. Passou e, hoje, nossas famílias têm orgulho, e podemos dizer que ajudamos a formar o ramo aqui, pois dá para contar nos dedos as empresas que trabalham no business artístico, mas o mercado está em franco crescimento”, avalia.


Cinco anos após a abertura do negócio, os donos investiram em restaurantes e casas de chopp com mais de 150 funcionários. “Fomos sócios de três restaurantes durante dois anos, mas paramos para focar nas festas. A gente saiu com a cabeça mais calejada de negócio.” A oportunidade de abrir uma casa noturna foi uma possibilidade, mas eles perceberam que não seria tão interessante. “Há muitos gastos. O investimento é muito alto, e o retorno é curto. É por isso que a gente vê tantas boates abrindo e fechando, mudando de nome. Além das dificuldades, num local fixo, o público enjoa, e, com eventos, não dá para cansar porque cada um é muito diferente do outro”, percebe Rick.

 

Espumante com suco de laranja e centenas de amigos 

 

Ana Júlia Melo
 

Hanna Guimarães
 

Quando lançou a Mimosa, em setembro de 2012, Sandro Biondo, 41 anos, servidor da Câmara dos Deputados, não fazia ideia do que estava para começar. “Foi um projeto muito descompromissado. Era só para tomar a bebidinha que dá o nome da festa, feita de espumante com suco de laranja, e encontrar os amigos. Acabou crescendo um pouco demais”, lembra. Para conseguir um lugar, ele fez parceria com os donos do café Objeto Encontrado, na 102 Norte. Em novembro daquele ano, Ana Júlia Melo, 26, — que, na época, era estagiária da equipe de Sandro na Câmara — juntou-se a ele como fotógrafa voluntária e agregou tanto à festa que se tornou parte dela. “Hoje, ela é uma produtora mesmo, fez curso de produção, e é essencial para a Mimosa. Sem ela, eu não faço a festa”, confessa Sandro, que é DJ e foi um dos dois jurados de Brasília que avaliaram os desfiles de escolas de samba no Rio de Janeiro neste ano.


O envolvimento com o ramo de entretenimento foi tão intenso que Sandro tirou uma licença do serviço público e, por enquanto, se dedica integralmente à articulação cultural. Na quarta edição, o evento não cabia no café em que foram feitas as primeiras versões: foi quando começou a se desenhar o formato que a festa tem hoje, uma edição durante o dia e outra durante a noite, em locais diferentes. Nas Mimosas noturnas, o público flutua de 700 a 1,2 mil pessoas, as diurnas chegam a ter de 3 mil a 4 mil. A festa foi realizada em lugares como o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o Parque da Cidade e o Jardim Botânico.


Enquanto Ana Júlia resolve as etapas do planejamento, Sandro cuida da parte artística. “Se tivéssemos uma equipe, faríamos a montagem em um dia. Mas, como fazemos só com nosso trabalho e ajuda de amigos, demora um pouco mais. Nossa intenção nunca foi produzir para ganhar dinheiro. Esse é nosso diferencial, as pessoas conhecem a gente, temos uma relação muito legal com o público”, explica Ana Júlia. O faturamento varia, mas, em média, os organizadores conseguem um lucro líquido de R$ 5 mil.

 

Paixão eletrônica

Os amigos Fellipe Bernardo, 22; Isaac Dantas, 20; e Gabriel Jaques, 26, da produtora Drops, são apaixonados por música eletrônica e sempre sentiram falta de festas desse estilo em Brasília. Foi quando decidiram criar as próprias, como o Arraiá Psicodélico e a Music On. “Era um hobby para juntar os amigos e, só a partir do quarto ano, começamos a nos profissionalizar”, conta Fellipe. Os eventos são sempre durante o dia para 2 mil pessoas. Os três dizem que o que mais aprenderam foi a ter noções de logística, planejamento, organização, cumprimento de metas e responsabilidade. A maior dificuldade das festas eletrônicas é enfrentar o preconceito. “A pessoa ouve falar em rave e faz uma associação com o consumo de drogas, mas não é bem assim”, explica Fellipe. O planejamento de cada festividade dura quatro ou cinco meses, e os rapazes conseguem receber o dobro do que investem em cada festa. Numa delas, por exemplo, eles usaram R$ 22 mil para produzir e tiveram retorno de R$ 40 mil.

 

Movidos a rock

 

Claudio Reis
 

A produtora alternativa The Click Creations é responsável pelas festas Rock2Drunk, Play e Happy End. Tudo começou quando Gustavo Capela, 30, formado em direito pela Universidade de Brasília (UnB), caiu de paraquedas no ramo ao ser designado pelos colegas para fazer a tradicional festa do curso: Vaca Louca.


Deu certo. Um colega, então, sugeriu a produção de reuniões universitárias, e assim surgiu a UniBeer. “A festa tocava músicas  que eu  não gostava, então era mais para ganhar dinheiro”, revela Gustavo. Quando ele estava quase desistindo do ramo, recebeu um convite para produzir a Happy End e aceitou com a condição de ter liberdade de reformular a festa. “Foi aí que a gente começou a fazer eventos com rock alternativo, e o Catu (Rafael Catunda) virou meu sócio.”


Eles avaliam que o ramo é de alto risco. “Às vezes, você tem um prejuízo de R$ 8 mil e, em seguida, um lucro de R$ 20 mil”, explica Rafael. Em alguns casos, perder dinheiro é um investimento. “Ninguém nunca saiu da Rock2Drunk falando que a festa foi palha, muito pelo contrário: elogiam e pedem mais, mas é open bar, sai caro, mas gera lucro indireto.” A cada festa, eles precisam de 45 dias de planejamento e 30 dias de execução. “Demanda um trabalho bem penoso, mas a gente se diverte”, admite.

 

Issac,Fellipe e Gabriel ganham dinheiro fazendo raves
 

Recursos

Existem diversas maneiras de diminuir ou dividir os custos de uma produção. Uma delas é ficar atento aos editais governamentais de fomento, tanto pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC/DF) quanto pelo Ministério da Cultura. Na iniciativa privada, é comum encontrar patrocinadores, para os eventos maiores, ou parcerias. Acompanhe a publicação de editais pelos sites www.fac.df.gov.br e www.cultura.gov.br/apoio-a-projetos.

 

O que não fazer

Confira erros clássicos e evite-os na sua festa
» Descuidar da divulgação
» Não investir em segurança
» Oferecer comida sem higiene
» Não conhecer a equipe
Fonte: Alessandra dos Santos, professora da UnB e do UniCeub

 

Facebook/Reprodução

Uma universidade que pulsa

 

Alunos e ex alunos da Univeridade de Brasília (UnB) fazem festas no câmpus ou que extrapolam o território da instituição

 

Pedro Lacerda/Divulgação
 

Calouros e produtores

Desde 1986, calouros do curso de comunicação social da UnB recebem dos veteranos, como trote, a missão de organizar uma festa à fantasia. Trata-se da Realize, que se transformou num dos eventos mais esperados do ano e recebeu, ao longo do tempo, artistas como Valesca Popozuda, Bonde do Tigrão, É o Tchan! e Anitta. A festa desperta em muitos a vontade de trabalhar no ramo. “Entrei pela experiência e pela vontade de aprender a criar um evento”, comenta a caloura Bárbara Malato, 18 anos. Antigamente, os novatos tinham que se virar, sem nenhum amparo, por isso, muitas vezes, dava errado e gerava prejuízos para o Centro Acadêmico de Comunicação (Cacom).


“Agora estamos mudando um pouco o jeito da festa. Ela começou a lucrar mais e chegou a um ponto em que não dá mais para fazer só com os calouros, então fizemos parceria com uma produtora”, explica a representante do Cacom Ana Paula Araújo, 19 anos. O lucro da festa é separado em três partes entre o Cacom, a produtora e os calouros, que, normalmente, fazem um churrasco para a turma com o dinheiro. Nas últimas três edições, que tiveram um público muito grande, os artistas atrasaram bastante. “Achávamos que eles não chegariam, e essa é a parte mais complicada, porque isso mexe com o nome e a divulgação da festa”, observa Ana Paula. 

 

Arquitetando eventos

 

A tradicional festa da Faculdade de Arquitetura (FAU) existe há mais de 30 anos. A organização e a produção são inteiramente executadas pelos alunos do curso, com o objetivo de arrecadar fundos para o Centro Acadêmico. “É um trabalho voluntário: o dinheiro vai para projetos de extensão, projetos sociais e reformas físicas”, explica Júlia dos Anjos Marques, 21 anos, que trabalhou em duas edições do evento e, no próximo, será uma das diretoras. Nirvana dos Santos, 22, ajuda a organização desde 2012 e fica feliz em poder colocar a mão na massa nos preparativos. “Eu gosto muito da Festa da Arquitetura, porque a gente pode fazer tudo, pouca coisa é terceirizada. A realização da festa, desde o papel até chegar à coisa pronta, é gratificante”, diz.


Lidar com a burocracia é uma das maiores barreiras: são contratos, despaches e impostos. Outro ponto preocupante é o cuidado com o público. “Temos a identificação de todos os funcionários, fazemos reunião e contamos com uma equipe apenas para fazer a conexão entre a produção e a segurança”, explica Júlia. “O aparato de som e iluminação, os equipamentos técnicos, a montagem... A gente aprende isso do zero, por meio da vivência”, completa Cecília Neves Vieira, 22, cenógrafa há cinco edições do evento que pretende seguir carreira fazendo cenários.


Reis da balada

 

Produtora das últimas duas edições da Calourada da UnB, do Bota Fora e do Sextão de Sacanagem, a UnBaladas surgiu da amizade entre os estudantes Matheus Primo e Victor Canato que tiveram a ideia de organizar uma festa em 2013: a Sabatina. À frente do projeto, os dois contam com a ajuda de outros alunos para trabalhar. A UnBaladas tem um acordo com a universidade e repassa metade dos rendimentos dos eventos para os Centros Acadêmicos (Cas) da instituição.


“Hoje, muitos deles têm sofá, tevê, mesa de sinuca; há três anos, não era assim. Nesses anos, colocamos mais de R$ 250 mil nos centros. Poderíamos estar mais ricos com isso, mas é gratificante saber que deixei algo bom para a instituição”, relata Matheus Primo, 27.


Segundo o integrante da UnBalada, cada evento é uma aula e “às vezes, se aprende errando” — queda do gerador, máquina de cartão sem sinal, bilheteria sem troco, artista esquecer de que ia tocar na festa, policial querer curtir o evento de graça e até segurança tentar impedir a banda de entrar na festividade foram alguns dos imprevistos que eles precisaram contornar. Entre erros e acertos, a produtora vem se consolidando no mercado, e a última Calourada resultou num lucro de R$ 114 mil.

 

Vinícius Santa Rosa

Vinícius Santa Rosa

Hanna Guimarães

Espírito jovem

A República começou como um trabalho de conclusão do curso de comunicação social de Leonardo Muniz, 28 anos, que consistia em uma plataforma de entretenimento para universitários. “O carro-forte era o canal de vídeos de entrevistas e coberturas de eventos, que começou a ficar famoso. Foi então que decidimos fazer nossas festas”, diz Leo. Enquanto isso, os amigos Andrey Moraise André Nogueira, 24, estudantes de engenharia de produção na UnB e fundadores da Atlética Maquinada, trabalhavam com eventos paralelos para o CA do curso deles.


Em 2014, os três se juntaram como uma empresa. “A parte mais prazerosa é mobilizar milhares de pessoas para a diversão”, comemora Leo. Os jovens selecionam estudantes de 1º e 2º anos da UnB e de outras faculdades para se juntarem à equipe; o objetivo é que o espírito seja jovem e diversificado. Nas festas, tiveram lucros de até R$ 80 mil, mas também prejuízos que chegaram a R$ 30 mil. Andrey cita os entraves do trabalho. “Qualquer estrutura precisa de responsável técnico. Vários fornecedores não têm CNPJ. O aluguel de espaços é caro. Para completar, tem a questão da segurança no estacionamento: policiais ficam na porta dos eventos só até 3h da manhã, a partir daí rolam muitos furtos e roubos em carros.”

 

 

 

 

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