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Na próxima terça-feira, o Centro-Oeste ganha o primeiro fundo de investimento de venture capital voltado para empresas de base tecnológica da região. O objetivo é investir R$ 100 milhões em negócios com alto potencial de crescimento. Modelo de aplicação tem se consolidado no Brasil e começa a ganhar força fora do eixo Rio-São Paulo

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postado em 24/04/2016 15:04 / atualizado em 03/05/2016 12:02

Ana Paula Lisboa

Rodrigo Nunes

Nesta semana, o Centro-Oeste ganha um fundo de venture capital para empresas inovadoras da região e dos estados de Tocantins e Minas Gerais (saiba mais no quadro Não perca). Com administração da Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários do Banco de Brasília (DTVM/BRB) e gestão da Cedro Capital, a iniciativa captou R$ 50 milhões para investir em projetos de alto potencial de crescimento nas seguintes áreas de tecnologia: da informação, agropecuárias e em saúde. No entanto, os organizadores esperam chegar a um total de R$ 100 milhões para aplicar em cerca de 15 empresas. Os negócios podem ou não ser startups, mas precisam ter um modelo que propicie alta possibilidade de crescimento.


A contrapartida é que o FIP Venture Brasil Central ganha ações minoritárias das organizações (de até 49%), tornando-se sócio das companhias. A oportunidade se destina a instituições cujo faturamento no ano anterior ao investimento seja de até R$ 16 milhões. Outro pré-requisito é uma equipe motivada e criativa, com bons conhecimentos de empreendedorismo e vontade de trabalhar. O processo é de longa duração: em oito anos de acompanhamento, serão aplicados de R$ 1 milhão a R$ 6 milhões por empresa. Sócio da Cedro Capital, Bruno Brito alerta: “o dinheiro vem carimbado, não é para gastar como a pessoa quiser; existe um planejamento estratégico feito a quatro mãos, entre o investidor e a empresa, sobre o melhor uso da verba”.


Andrea Lopes, diretora de Serviços da DTVM/BRB, revela que a crise atrasou o lançamento da oportunidade. “Demoramos mais para captar recursos, mas vemos que a recessão pode trazer muitas oportunidades, pois surgem novas ideias e projetos”, revela. Na iniciativa, o BRB presta um serviço de administração e custódia, seguindo a tendência de outros bancos. “Bradesco, Itaú e Santander também estão investindo nesse mercado, que está muito aquecido. As instituições financeiras têm muito a aprender com pessoas que vivem para criar soluções que o mercado não tem”, diz. “WhastApp, Waze e outros negócios surgiram assim. Temos que aproveitar o que existe de melhor por aqui, senão investidores de fora vão pegar. Além disso, o BRB está preocupado em movimentar o mercado local e acredita muito no potencial do Centro-Oeste.”


Clovis Meurer, vice-presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVcap), vê com bons olhos uma iniciativa específica para o DF e os estados próximos. “Isso vai dar maior atenção às empresas locais e será mais fácil observar os empreendimentos nascentes”, acredita.


Na indústria do venture capital, é importante o gestor estar próximo do empresário para tomar decisões, construir um bom planejamento e a estratégia do negócio. “É como um casamento: é difícil funcionar a distância. Então, só posso dar meus parabéns aos idealizadores”, elogia Clovis Meurer. Ele admite que os fundos estão mais concentrados na Região Sudeste, mas percebe que eles têm se espalhado pelo país.

 

Perigo controlado
A melhor tradução para o termo é capital de risco. Investimos do tipo são voltados para empresas de pequeno ou médio porte que precisam dar um salto de crescimento e que, com a verba, podem conquistar seu potencial máximo. No Brasil, os primeiros fundos do tipo foram lançados há 20 anos.

 

No coração do país
“É o primeiro fundo de venture capital do Centro-Oeste, uma área promissora”, observa Bruno Brito, sócio da gestora de recursos Cedro Capital. Para explicar como funciona a parceria ao longo do tempo, Bruno usa uma analogia. “Imagine três caixas, uma em cima da outra. A de baixo é a startup, a do meio é o fundo, e a de cima são os cotistas do fundo. Durante o período de investimento (que, no nosso caso, dura quatro anos), o dinheiro corre de cima para baixo visando o crescimento da companhia. No quinto ano, a verba começa a correr de baixo para cima, e o fundo passa a vender as participações com boa rentabilidade.”


Como se trata de capital de risco, pode ser que nem todos os casos deem certo, mas isso faz parte do processo. “É por isso que teremos um portfólio diversificado. As que rendem podem compensar eventuais perdas.”

Morosidade brasileira
O administrador Davi Guedes Neves, 27 anos, é sócio da startup de distribuição de produtos orgânicos Pepmesh. Apesar de toda a equipe ser de Brasília, ele abriu a empresa nos Estados Unidos, porque os canais de investimento por lá são mais desenvolvidos. “Queremos prospectar US$ 2 milhões, estamos em contato com os 30 maiores fundos americanos e vemos que isso deve se dar de forma muito rápida”, diz. “Para uma startup, às vezes, é difícil esperar muito tempo”, lamenta Davi. Clovis Meurer, da ABVcap, conta que, no Brasil, demora em média um ano para fechar um acordo do tipo, mas alerta que não dá para comparar o ritmo brasileiro com o norte-americano. “Lá tem Vale do Silício, um PIB (Produto Interno Bruto) 10 vezes maior, mais dinheiro para aplicar mais rápido. São condições totalmente diferentes.”

 

Sócios e peso

 

Breno Fortes

Além do FIP Venture Brasil Central, o BRB mantém outro fundo de investimentos para empresas inovadoras. Trata-se do Criatec 2, a segunda fase de um projeto do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com quatro instituições financeiras. A gestão dos recursos fica por conta da Bozano Investimentos, e a Triaxis Capital é assessora operacional. O patrimônio é de R$ 186 milhões, a serem distribuídos entre 36 empresas numa estratégia com 10 anos de duração. De dezembro de 2013 para cá, foram investidos R$ 60 milhões em 18 companhias, então interessados ainda podem ser beneficiados. A seleção é rigorosa: para chegar a esse montante, foram analisadas mais de 900 propostas.


A diretora de Serviços da DTVM/BRB, Andrea Lopes, explica que, diferentemente do Brasil Central, no caso do Criatec 2, o BRB se torna sócio dos negócios. “A gente é investidor e toma a decisão de investir. Colocamos um diretor financeiro em cada negócio. O objetivo não é sufocar a gestão dos donos, mas cobrar de forma mínima e atuar no que temos expertise.”


Rafael Moraes, dono da consultora de investimentos Garan e gestor de Brasília no Criatec 2, tem a missão de encontrar empreendimentos promissores para o fundo.“Investimos em duas empresas de Brasília, e uma terceira está em fase de aprovação. No processo de deliberação, também está uma de Goiânia. Até o fim do projeto, devemos investir em seis do Centro-Oeste. São poucas, mas é um processo longo e cuidadoso, pois cada negócio pode chegar a receber até R$ 6 milhões”, revela.


A qualidade da equipe é um dos principais critérios de avaliação, seguida pelo tamanho do mercado e pelo modelo de negócios. O faturamento anual de cada empresa pode ser inexistente ou chegar a R$ 10 milhões. “A gente auxilia na gestão, mas quem faz a empresa crescer é o empreendedor. É muito importante que ele tenha vontade”, observa Rafael Moraes.


As duas empresas de Brasília que receberam investimentos do Criatec 2 são a Pin my Pet e a Visent. A primeira criou uma solução de monitoramento e localização de animais por meio de uma coleira — assim, quem encontrar um bicho perdido poderá contatar o dono pela internet. O diretor Bruno Souza, 33 anos, teve a ideia com o sócio Ednaldo Souza, 34, depois de perdas traumáticas de animais. O negócio conta ainda com Marcos Buson, 30, na sociedade. Os três tiveram experiências anteriores com empreendedorismo, o que contou pontos na seleção. Aberta em 2013, a empresa foi selecionada pelo fundo internacional 500 Startups e passou uma temporada no Vale do Silício.  “O foco agora é melhorar nossa governança, e estamos muito animados com o trabalho do Criatec 2. Antes do investimento, tínhamos uma equipe de quatro pessoas. Hoje, somos 12”, comemora Bruno.


A segunda firma brasiliense beneficiada pelo Criatec 2 é a Visent, que oferece soluções de dados para as maiores operadoras de telefonia do país há 20 anos. O presidente, Ricardo Nascimento, 57, conta que a empresa teve que passar por muitas inovações para acompanhar as atualizações tecnológicas. “A entrada do fundo foi muito positiva para a parte administrativa. Outro lado bom é que ganhamos recursos financeiros num momento de crise, e isso nos deu maior resiliência para continuar crescendo e investindo em projetos inovadores”, comenta.

 

Palavra de especialista

A escolha certa

Ao analisar uma proposta de venture capital, é preciso pensar no momento em que esse dinheiro se torna disponível e avaliar o custo disso. Há investimos mais “caros” que pedem uma porcentagem maior de ações da empresa. Se o negócio está muito no início — e, por isso, tem maiores riscos —, podem pedir mais participação: às vezes, é melhor esperar a ideia estar um pouco mais desenvolvida antes de conseguir investimento. Quem não tem reservas vai topar a primeira proposta que aparecer, mas os que tiverem feito economias para empreender poderão pensar melhor nas opções. Procure um fundo cuja equipe agregue valor à sua organização. Analise o contrato e conheça as cláusulas de saída.

Marcelo Amoroso Lima, PhD em negócios pela Université Lumiere Lyon e  gerente de Projetos do Lean Institute Brasil, que dissemina a ilosofia de gestão inspirada no modelo Toyota

 

Não perca!

Lançamento — O Fundo de Investimento em Participações (FIP) Venture Brasil Central será lançado na próxima terça-feira (26) na Faculdade Senac (703/903 Sul) durante a programação do Ecossistema da inovação do DF, que começa às 19h. O evento faz parte das Terças da inovação do Instituto Iluminante. Informações e inscrições gratuitas: www.eventbrite.com.br/e/o-ecossistema-de-inovacao-do-df-terca-da-inovacao-abril16-tickets-24742587746.

 

Inscreva-se
Interessados em receber recursos do FIP Venture Brasil Central podem se inscrever pelo site www.cedrocapital.com. Para se informar e se candidatar ao Criatec 2, acesse www.criatec2.com.br.

 

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