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Uma nova chance para estudar

Fábrica de cimento oferece aulas no local de trabalho para que cerca de 100 funcionários possam concluir o ensino fundamental. Formatura está prevista para dezembro. A iniciativa abriu os olhos dos empregados para as oportunidades geradas com mais acesso à educação

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postado em 01/05/2016 19:21

Antonio Cunha

Depois de perceber que mais de 100 trabalhadores da fábrica de cimento Ciplan não tinham o ensino fundamental completo, a empresa decidiu criar o projeto Ensino Fundamental e dar aos funcionários a chance de estudar. Em novembro do ano passado, após três meses de idealização, professores do Centro Educacional d’Paula, localizado na Asa Norte e especializado em Educação de Jovens e Adultos (EJA), foram contratados para ministrar aulas e cumprir a meta de que a cimenteira não tenha nenhum colaborador sem a escolaridade básica completa. Todos recomeçaram no 1º ano.


O segurança patrimonial Conrado Ribeiro, 47, é um dos alunos, e aproveitou a chance depois de 27 anos na fábrica. “Foi um presente, uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida”, conta. Na juventude, ele abandonou a escola para trabalhar no local. Agora ele se sente realizado pela chance de voltar a estudar. “Hoje, trabalho com mais alegria porque aprendo muito”, completa. Conrado ficou tão feliz que até chorou de emoção quando pegou o primeiro livro do programa.


Empolgado com as aulas de geografia, o almoxarife Elielci Lira, 52, começou bem e quer continuar se dedicando ao estudos. “Tirei 10 em duas provas, uma de artes e outra educação física, e espero continuar assim até o fim”, empolga-se. Após 30 anos de fábrica e sem estudar, ele acredita que nunca é tarde para recomeçar. “É uma porta que está se abrindo para um futuro melhor”, aposta. Carlos Soares, 25, que está na Ciplan há três anos, viu a oportunidade como uma chance de crescer também dentro da empresa. “É uma alegria muito grande, eu me sinto mais motivado a continuar a trabalhar aqui”, comenta. Ele pretende concluir o ensino médio e começar uma graduação de direito.


De olho no futuro
Proporcionar esse tipo de avanço é a grande intenção do projeto, idealizado por Joseanne Marques, gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Ciplan. Segundo ela, a proposta foi pensada para que os funcionários não pegassem apenas um certificado de conclusão do ensino médio, mas, principalmente, se sentissem entusiasmados e preparados para o futuro. “O conhecimento abre um leque enorme de possibilidades”, observa Joseanne. A ideia surgiu em uma reunião de metas estratégicas da empresa, quando ela pegou um levantamento do nível de escolaridade dos colaboradores da fábrica e percebeu que cerca de 10% não tinha o ensino fundamental completo. Depois de uma conversa com os donos da cimenteira, R$ 250 mil foram investidos no projeto.


A iniciativa foi desenvolvida no modelo EJA adaptado. Foram formadas nove turmas por semana, que começaram em novembro do ano passado e vão até dezembro deste ano. Cada professor ministra uma matéria e, a cada sete dias, a mesma aula é dada nas turmas para atender a todos os turnos, já que a fábrica funciona 24 horas por dia. Os alunos participam dos encontros e, depois, fazem provas para verificar a aprendizagem. O projeto ainda oferece uma semana de recuperação e acompanhamento para os estudantes que reprovarem. As aulas que duram duas horas por dia são oferecidas dentro da fábrica. Tanto o curso quanto o material são gratuitos. Ao fim do projeto, que vai até dezembro deste ano, a empresa pensa na possibilidade de também oferecer ensino médio aos funcionários.

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