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Experts em pão de mel gourmet

Brasiliense deu prosseguimento à receita criada pela mãe e, com duas sócias, comercializa 30 mil unidades do doce por mês para clientes individuais, aniversários, eventos corporativos e festas de casamento dentro e fora do DF

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postado em 08/05/2016 10:59

Hélio Montferre

“Nem parece pão de mel!” Esse é um dos comentários que Renata Torres, 36 anos, Clarissa Ludovico, 40, e Daniela Kiggendorf, 47, mais escutam quando alguém prova algum dos 30 mil quitutes produzidos por elas mensalmente. O doce é de consistência leve e sabor suave. O recheio pode ser de doce de leite, brigadeiro de capim santo ou brigadeiro de nozes, e há opções de chocolate preto ou branco para a cobertura. Há vários modelos de decoração, que pode ser ainda personalizada com imagens ou símbolos para eventos, por exemplo. Os itens são encomendados para aniversário, eventos corporativos e casamentos.


A produção do Pão de Mel Graça Torres começou quando Renata e a mãe dela, que dá nome à marca, passaram a comercializar a receita nos anos 2000. “Ela era professora aposentada e largou o trabalho para se dedicar somente aos doces. Eu sempre cuidei da gestão. Minha mãe aprendeu a receita num programa de culinária e aperfeiçoou com o tempo. Acabou se tornando algo tão único que ninguém consegue fazer igual”, conta Renata. “É por isso que vários concorrentes pediram para que nós os ensinássemos a fazer pão de mel como o nosso”, observa a sócia paulista Daniela.


“E muita gente nos procura para perguntar se funcionamos em formato de franquia porque teriam interesse em levar essa marca adiante”, complementa Clarissa. A crise econômica abalou as vendas, mas não substancialmente. “As pessoas continuam comprando, só diminuem a quantidade. Os clientes corporativos também cortam em valores. Estamos há mais de um ano sem reajuste nos preços para nos adequar. Não caímos, mas não estamos aumentando as vendas como gostaríamos”, relata Daniela. Reduzir custos o apostar em ingredientes mais baratos, por exemplo, não está entre os planos para lidar com o período adverso.

 

Pão de Mel Graça Torres/Divulgação
 

“Tem muito empreendedor que até trabalhava bem, mas não manteve a qualidade, assim acaba perdendo a clientela. Nós não abrimos mão de que tudo seja do mais alto nível”, garante Clarissa. Um produto de qualidade, uma equipe comprometida e criativa estão entre os ingredientes para o sucesso segundo as empresárias. O investimento na imagem e na divulgação do produto na internet (no site www.paodemelgracatorres.com.br, no Facebook e no Instagram) é importante, mas elas percebem que o boca a boca ainda é a maior arma do negócio. “Quando o produto é bom, as pessoas acabam falando dele para outras. A maior propaganda é alguém que prova”, percebe Renata.


Foi assim que elas conquistaram clientes dentro e fora do DF. A cortesia no trato com o púbico também é importante. “Sou exigente e brigo com todo mundo que atende mal, então, no nosso negócio, faço questão de que o atendimento seja como eu gostaria que fosse em todos”, diz Daniela. O trio conta com seis funcionárias, uma secretária e cinco responsáveis pela produção culinária — a maior parte delas está na empresa desde a abertura dela. “Todas são apaixonadas pela dona Graça, que não participa mais do negócio, mas sempre vista e supervisiona”, diz Renata.


Soma de saberes

As três sócias acumulam experiências em outros ramos de atuação, não deixaram de trabalhar em suas áreas de formação e dividem as atribuições do negócio. Renata é farmacêutica, Daniela é administradora com experiência em marketing, e Clarissa é economista atuante no ramo da moda. A primeira cuida da gestão e supervisiona a produção; a segunda assume funções de publicidade e mídias sociais, além de se responsabilizar por lançamentos de novas linha e embalagens especiais para datas comemorativas, como o Dia das Mães; e a terceira se ocupa da parte financeira da empresa.


O primeiro ponto de vendas do produto foi a loja de roupas de Clarissa, localizada no Lago Sul, onde Renata trabalhava. A amizade e a relação de trabalho se tornaram uma sociedade mais tarde. A farmacêutica estava em busca de parceria com pessoas que pudessem profissionalizar a empreitada e ajudá-la a levar o projeto adiante. “Apesar de eu e minha mãe termos aberto uma fábrica em Águas Claras, ela não via o pão de mel como negócio: fazia porque gostava. Então, depois de cinco anos, resolvi procurar colaboradores”, lembra Renata. Hoje, a produção e as vendas se concentram na 510 Sul.


“Convidei a Clarissa para o negócio, e ela trouxe também a Daniela, sócia dela numa consultoria de imagem. Posso dizer que se tornou uma empresa de verdade depois que elas entraram, há cinco anos. Foi importante para profissionalizar o projeto”, diz. “Os conhecimentos e técnicas que aplicamos na outra empresa — em que montamos looks não só de clientes, mas também de lojas — nos ajudaram a compor um visual e uma marca para o Pão de Mel Graça Torres”, explica Daniela.