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CONJUNTURA ECONÔMICA »

De olho no sobe e desce do mercado

Crise não é sinônimo de falta de vagas e desvalorização salarial em todos os ramos.Certas funções passam a ser mais reconhecidas.Confira também as que estão em baixa

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postado em 15/05/2016 13:49 / atualizado em 16/05/2016 11:08

Ana Paula Lisboa

Ana Rayssa

A crise política e econômica gerou uma série de dificuldades, principalmente quando o assunto é trabalho. No entanto, nem tudo é motivo para pessimismo: algumas áreas crescem em meio ao caos e demandam determinados profissionais para auxiliar empresas a sobreviverem ao mau momento. Além de serem mais procurados, trabalhadores de algumas áreas podem ter incremento salarial, além de ganharam importância dentro das empresas.


O Guia Salarial da Robert Half analisou as carreiras que sofrem valorização (confira exemplos no quadro Ganhos e perdas). Daniela Ribeiro, gerente-sênior da Robert Half, explica que a pesquisa analisou tendências também para 2017 e  avalia que, na crise, o sobe e desce das carreiras se inverte. “As pessoas não estão comprando nem carro nem casas — por isso engenharia está em baixa —, então optam por reformá-las, e profissionais de decoração são mais procurados”, exemplifica. Entre os ramos que devem ser mais valorizados, ela aponta vendas, finanças e cadeia de suprimentos (veja Entenda as tendências do mercado).

O poder da internet
Segundo Daniela Ribeiro, da Robert Half, a ascensão das carreiras de tecnologia deve ser de longo prazo. “Na parte de software, porque as pessoas se tornaram dependentes das facilidades tecnológicas; e em hardware, pois empresas se atualizam (o que pode reduzir custos) e investem, mesmo durante a recessão”, garante. “Tudo relacionado a tecnologia, internet e e-commerce prosperará agora”, complementa Josué Bressane Júnior, sócio-diretor da consultoria Falconi Gente.
Ele percebe a valorização de funções como gerente de comunidade, que trabalha com reclamação de usuários; criador de conteúdos para páginas da web; gerente de marketing on-line; e desenvolvedor. A estudante de publicidade Isabella Bottino, 20 anos, deseja construir carreira em mídias sociais e faz estágio na área numa agência de marketing. “Percebo uma preocupação cada vez maior com a presença de marcas na internet e um crescimento na busca por profissionais do ramo”, diz, animada.

Para fechar as contas
Para o administrador Sílvio Celestino, sócio da Alliance Coaching, áreas como manutenção de máquinas, resolução de problemas, cobrança, tecnologia da informação, RH, aplicativos e redes sociais estão em um bom momento. “É preciso ficar de olho nas oportunidades que surgem de necessidades do mercado. Com a crise, é cada vez maior o número de pessoas que não conseguem pagar suas contas, por isso são mais procurados trabalhadores da área de cobrança”, exemplifica. Apesar de determinados perfis serem mais valorizados, isso não quer dizer que qualquer um conseguirá emprego: os recrutadores estão mais exigentes.


A percepção é reiterada pelo contador Hugo Justino, 28 anos, que trabalha como analista contábil em uma empresa privada e é sócio de uma organização de contabilidade. “A época é ruim, houve uma queda no número de vagas, e só conquista as oportunidades existentes quem tem um bom currículo”, opina. De acordo com ele, a função que exerce é importante, pois ajuda na tomada de decisões estratégicas. Por meio dos relatórios feitos por analistas como Hugo, é possível determinar ações de posicionamento no mercado e o futuro da empresa.


O setor de recursos humanos também é mais procurado pela diretoria das empresas para alinhar ações estratégias para o futuro. Marilyn Joos, 53 anos, é assessora estratégica de Recursos Humanos do grupo empresarial Brasal, que conta com 3,3 mil funcionários no DF. Segundo ela, a companhia não fez demissões significativas por causa da crise. “Além disso, os profissionais de gestão de pessoas já desempenhavam um papel de peso na firma antes da recessão, por isso não percebi mudanças significativas na demanda de trabalho ou valorização no meu setor. A tendência, no entanto, é que, em companhias em que  situação não é assim, profissionais de RH ganhem valor”, percebe Marilyn.


Antes de ficar de olho no aquecimento ou no desaquecimento da área, ela aposta em ter um bom desempenho. “Sempre acreditei que, quando o profissional tem alta performance, o campo é sempre promissor”, resume. Investir em educação também é fundamental. “Quem não busca conhecimento nessa áera não se solidifica”, conta.

 

Claudio Reis

Mudanças no topo
“Houve grandes cortes nos perfis executivos, porque as empresas dispensam pessoas com remuneração elevada e substituem por outras com menor salário”, diz o sócio-diretor da consultoria Falconi Gente Josué Bressane Júnior. “Além de visar o corte de gastos, essas trocas procuram mudar o perfil do profissional. Tivemos um período de longo crescimento até 2014, então muitos líderes de agora não sabem lidar com a temporada de escassez. Além disso, antes, as empresas cobriam propostas para não perder bons executivos e, agora, é tempo de economizar”, observa


Joseph Teperman,  sócio-fundador da Inniti, consultoria de executive search e governança corporativa.

 

Ele observou uma perda salarial que varia entre 30% e 60% nesses cargos nos últimos dois anos. “Tive contato com profissionais que ganhavam de R$ 65 mil a R$ 85 mil por mês e, agora, aceitaram um salário de R$ 45 mil”, exemplifica. A consultoria da qual Teperman participa constatou que a demanda por executivos cresceu 30% entre novembro de 2015 e março de 2016 entre seus clientes.


Os novos contratados entram nas companhias para alavancar a produtividade. Para o sócio fundador da Inniti, as características principais necessárias a esses executivos são espírito de liderança, olhar de dono, alta capacidade de gestão e estratégia, e a mais importante é a capacidade de antever circunstâncias, se preparar para elas e ter coragem de tomar decisões difíceis para que a empresa esteja pronta e aproveite a retomada econômica que deve vir.

Ladeira abaixo
“Quem atua com coomodities de petróleo e minérios, geólogos, engenheiros químicos, vendedores de automóveis, engenheiros civis, os que trabalham com aluguel e venda de galpões estão vendo as portas se fecharem”, aponta o coach de carreiras Silvio Celestino. Já Josué Bressane Júnior se sente pessimista quanto ao segmento industrial, a indústria pesada ou de construção, e setores sem inovação tecnológica. Daniela Ribeiro,da Robert Half, observa que engenharia e desenvolvimento estão em baixa, mas, quando o mercado se recuperar, são justamente essas áreas que voltarão a crescer.

 

O peso do comportamento
“Independetemente de sua carreira estar em alta ou em baixa, o mais importante para conseguir um emprego, se manter no mercado e até ser promovido é o comportamento”, afirma Daniela Ribeiro, da Robert Half. Na ponta oposta, os trabalhadores com atitudes negativas ficam mais em evidência. “Está em queda a reputação do perfil reclamão que sempre critica tudo, mas não age nem gera resultados”, alerta Joseph Teperman,  da Inniti.

 

Palavra de especialista

 

No que investir?

Muitas pessoas pararam de procurar formas de se especializar, o que restringe as possibilidades de emprego. Se o profissional não tem determinados diferenciais, várias portas se fecham. Os que estão investindo no conhecimento estão à frente e têm mais chances à sua disposição.


Carla Borges, coordenadora do curso de RH da Faculdade Max Planck

 

Entenda as tendências do mercado

Veja o que a pesquisa da Robert Half verificou sobre diversos ramos profissionais:

Área comercial


As empresas estão mais exigentes, buscam funcionários com experiência e competência técnica que consigam resultados de curto prazo. O profissional da área precisa entender a realidade dos clientes e atingir conquistas que façam tanto o consumidor quanto a empresa ganharem. Vendas técnicas é a função mais valorizada.

Cadeia de suprimentos
Na crise, o ramo é pressionado a gerar redução de custos em compras e logística. O profissional precisa ter conhecimento técnico da cadeia produtiva e perfil crítico para a otimização de processos, sendo responsável por escolher opções de melhor custo-benefício à empresa.

Compliance
Área responsável por garantir que as vendas da empresa sejam lucrativas, mas dentro das normas. É bastante valorizada por evitar o pagamento de multas e taxas desnecessárias.

Tesouraria
Trabalha com a saúde financeira do fluxo de caixa, de forma que as vendas paguem as contas e deem lucro. É muito valorizado pelo fato de as empresas estarem se preocupando mais com as finanças.

Auditoria
Fiscaliza o fluxo do dinheiro, revisa planilhas do orçamento e avalia se o capital é coerente com as vendas e os pagamentos da empresa.

Recursos humanos
Grande enfoque é dado aos parceiros de negócios. O profissional precisa entender a empresa e os colaboradores, fazendo uma ponte entre a área e o suporte. Ele precisa ter uma visão estratégica e desempenhar um papel consultivo, aconselhando em que áreas a companhia pode mudar para melhorar seu funcionamento. A área de remuneração e benefícios também ganha destaque já que, em períodos de crise econômica, a rotatividade tende a ser maior.

Resseguros
A operação de resseguro permite que a seguradora diminua a responsabilidade em relação a um risco, considerado excessivo para a capacidade financeira dela. O profissional formaliza um contrato em que assume o compromisso de indenizar a seguradora pelos danos que possam ocorrer em decorrência de suas apólices e está em alta porque em período de crise o grande interesse é evitar perdas.

 

Fonte: Daniela Ribeiro, gerente sênior da Robert Half, e Ana Carla Guimarães, gerente de Divisão da Robert Half

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