SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

INCREMENTO PARA O CURRÍCULO »

Muito além da língua da rainha

O inglês é pré-requisito em várias seleções, mas não é mais um diferencial, garantem especialistas. Jovens devem apostar em conhecimentos de outros idiomas, como espanhol, alemão e mandarim, que trazem vantagens no mercado

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 15/05/2016 14:05 / atualizado em 02/06/2016 16:29

Arquivo Pessoal

Saber falar e escrever em inglês é pré-requisito em grandes e até em pequenas empresas. No entanto, segundo especialistas, dependendo da área de atuação, dominar apenas esse código de comunicação não é suficiente para crescer na carreira. Uma pesquisa feita em 2015 pela Rosetta Stone, organização de soluções tecnológicas na educação, elencou os cinco idiomas mais populares entre empresas públicas e privadas: em primeiro lugar, aparece o espanhol; seguido por inglês, francês, alemão e japonês.


De acordo com Luiza Vianna, gerente de Produto da CI — Intercâmbio e Viagem, o inglês deixou de ser novidade. “É uma língua universal, mas não é mais vista como diferencial.” Segundo ela, proficiência em outros idiomas pode ser interessante e agregar muito mais ao profissional. “O alemão, por exemplo, é uma distinção para quem tem interesse em trabalhar em montadoras, com logística, engenharia e inovação.” O japonês se tornou moda entre jovens, já que a terra do sol nascente costuma lançar muitas novidades contemporâneas.


“Lá, estão diversas empresas de tecnologia, o que pode ser uma chance para os falantes do idioma saírem na frente, já que terão acesso a mais oportunidades”, explica. A gerente da CI acredita que quem tiver interesse em aprender outro idioma deve ponderar a área em que atua na hora de escolher qual. Ela garante que o espanhol é uma ótima aposta, já que o Brasil tem relações comerciais com países latinos. Italiano e francês são importantes para quem trabalha com moda, design e arte. Já o mandarim pode ser uma boa ferramenta em negociações.


“Empresas, como Google e Microsoft, exigem inglês e espanhol obrigatoriamente. Na área industrial, é preciso saber alemão e inglês. No setor comercial, mandarim é relevante. No campo automobilístico, existem muitas empresas francesas, como Citroën e Peugeot”, complementa Neiva Maróstica, professora do Institute Business Education – Fundação Getulio Vargas (IBE-FGV).

O poder do mandarim
“Existe interesse mútuo entre a China e o Brasil, mas poucas pessoas sabem falar os idiomas nativos dos dois países, então muitos contatos são mantidos em inglês. No entanto, em relações comerciais, o profissional que domina o mandarim tem vantagem porque tem uma noção maior de como funciona uma empresa chinesa, conhece a cultura”, explica Sumara Lorussa, presidente da escola de mandarim Nin Hao. Só de olhar os ideogramas do alfabeto, parece um desafio muito grande dominar tal língua, mas, segundo Sumara, não é tão difícil quanto parece. “Ler é fácil. A maior dificuldade está em escrever e pronunciar.”


Marcos Beziaco, 18 anos, foi incentivado pelo pai a estudar mandarim ainda no ensino médio. “Acho que ele teve a ideia por causa do crescimento do mercado chinês, e eu gostei muito”, revela. Com três anos de dedicação à língua, ele aumentou o contato com a cultura chinesa, com livros e jogos para se manter atualizado. “Não temos tanto contato com produtos culturais da China, em comparação aos de língua inglesa, o que dificulta o aprendizado do idioma”, observa.


Logo no início, o jovem percebeu que incluir mandarim no currículo seria uma boa aposta. O investimento deu retorno. Graças aos conhecimentos linguísticos, em janeiro do ano passado, Marcos conseguiu uma vaga de aprendiz na unidade paulista da Huawei, multinacional de soluções tecnológicas de telecomunicações da China. Agora, ele deve continuar na empresa como auxiliar administrativo. “Seja qual for a área de trabalho, saber outro idioma amplia as oportunidades de trabalho e de lazer”, comenta o jovem que pensa em fazer uma faculdade de administração e em estudar espanhol e alemão.

Perfil diferenciado
Doutora em administração e mestre em administração, educação e comunicação, Neiva Maróstica observa que, antigamente, não era necessário estudar muitos idiomas, porque existiam poucas multinacionais no Brasil, mas essa realidade mudou bastante. No caso de empregados e aspirantes a funcionários desse tipo de firma, o ideal é estudar o idioma do país-sede da empresa.


Diego da Silva, 19 anos, é aluno do técnico de informática da Escola Técnica de Ceilândia (ETCDF) e sentiu necessidade de aprender inglês porque não entendia palavras especificas durante o curso. O jovem se matriculou no cursinho do Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac) há 1 ano, o que expandiu as ambições dele. “Gostaria de ir aos Estados Unidos trabalhar com programação”, almeja. Diego quer estudar também espanhol, pois considera a língua tão importante quanto a inglesa para a carreira.

 

Arquivo Pessoal
 

Portas abertas

A estudante Louise Cantuda, 24 anos, aluna do curso de línguas estrangeiras aplicadas — graduação lançada na Universidade de Brasília (UnB) em 2010 que capacita os alunos para dominar até três idiomas e atuar em diferentes áreas do meio digital —, começou a estudar inglês aos 8 anos e francês, aos 13. Falar dois idiomas estrangeiros abriu portas para experiências diferentes. O primeiro emprego dela foi como professora de adolescentes e adultos na Casa Thomas Jefferson, depois foi assistente de comentarista na Host Broadcast Services (HBS), responsável pela captação e transmissão dos jogos durante a Copa do Mundo de 2014.


Além disso, ela atuou como voluntária durante as competições de patinação artística e de handebol nos jogos Pan- Americanos de Toronto, no Canadá, em 2015. Há sete meses, ela mora em Nova York, em que trabalha como au pair na casa de uma família americana e tem aulas de conversação e escrita em inglês. Louise ainda pretende continuar começar um curso de espanhol. “Morar na América Latina e não saber falar espanhol pode fechar portas para mim”, acredita ela que pretende voltar ao Brasil para terminar a graduação e trabalhar com eventos internacionais.


Mesmo no início da carreira, a jovem tem consciência da importância dos conhecimentos linguísticos para se consolidar como profissional. Ela não está sozinha no grupo dos que pensam assim. Um estudo feito pela Pearson revela que 48% dos estudantes brasileiros acreditam na chance de conseguir uma promoção no emprego por causa do domínio de idiomas, e que podem ganhar quase US$ 5 mil a mais por ano com nível de inglês intermediário.


Para Steven Beggs, CEO da Rede Seven Idiomas, a capacitação em inglês influencia no salário, gerando um ganho até 50% maior em relação aos que não dominam a língua, principalmente em cargos altos. No entanto, ele destaca que só esse conhecimento não basta. “Um executivo provavelmente precisará participar de muitas reuniões em outros países, fazer relatórios e falar mais de um idioma estrangeiro”, explica. Segundo Steven, no entanto, “ainda é, pequeno o número de profissionais com fluência na língua da rainha no ambiente corporativo e e menor ainda a quantidade de profissionais que falem, ao menos, duas línguas estrangeiras”.

 

O idioma é meu ganha-pão

Professor adjunto da Universidade de Brasília (UnB) desde 2010, Gleiton Malta, 41 anos, dá aulas de prática de tradução espanhol-português e teoria da tradução. O gosto pela língua surgiu na juventude, quando estudou no Centro Interescolar de Línguas (CIL) do Gama. Graduado em letras, fez mestrado em linguística aplicada na UnB, além de doutorado em estudos linguísticos pela Universidade de Federal de Minas Gerais (UFMG).


Como professor na Secretaria de Educação entre 2001 e 2010, deu aulas de espanhol e foi coordenador CIL 2 de Brasília. Ao longo da carreira, teve a oportunidade de ir a nove países dar palestras e fazer cursos. Gleiton se orgulha de tudo que conseguiu graças ao estudo do idioma. “Ter conhecimento de outra língua é importante porque abre a cabeça para o mundo: as pessoas começam a ter outras perspectivas a partir disso”, diz ele que, além de espanhol, fala inglês.


A tradutora Luciana Oliveira, 30 anos, sabe falar inglês, francês, espanhol e hebraico. Ela é formada em nutrição, mas atuou na área por apenas quatro anos. Agora, dá aulas de inglês e, há dois anos, é tradutora na embaixada do Gabão, um país africano. “Comecei a estudar inglês aos 12 anos, depois fiz um curso rápido de espanhol. Posteriormente,  morei um tempo em Tel Aviv, em Israel, onde trabalhei como garçonete”, lembra. Na função que ocupa na representação diplomática, precisa usar os conhecimentos em francês, inglês e espanhol. “Os idiomas abrem oportunidades de trabalho, especialmente em órgãos internacionais.”

 

Arquivo Pessoal
 

Oportunidade para professores

 

 

 

publicidade

publicidade