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Talento da UnB premiado em Harvard

Que os jovens amam internet não é novidade, mas ir além do entretenimento e fazer dela objeto de pesquisa deu a Kimberly Anastácio a chance de conquistar o terceiro lugar em um concurso promovido pela mais prestigiada universidade dos EUA

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postado em 22/05/2016 13:16 / atualizado em 22/05/2016 13:23

Jéssica Gotlib /Especial para o Correio

Ana Raysssa

Terminar um curso de graduação é uma grande conquista, mas, para chegar lá, é preciso passar pelo momento mais temido pelos universitários: o trabalho de conclusão de curso (TCC). Foi pensando em tornar a jornada um pouco menos penosa que a brasiliense Kimberly Anastácio, 20 anos, decidiu estudar algo de que gosta muito: a internet. “Meu grande problema é que eu não sabia como aliar esse assunto ao meu curso, que era o de ciência política. Conversando com amigos e fazendo algumas pesquisas, tive a ideia de estudar governança na internet e como as decisões sobre o ambiente digital são tomadas no nosso país”, comenta ela que se formou em dezembro do ano passado na Universidade de Brasília (UnB) e hoje faz mestrado na área de formação.


A monografia foi tão bem recebida que rendeu a ela um prêmio de US$ 2 mil, além do diploma universitário. Em janeiro deste ano, Kimberly foi a terceira colocada em um concurso de artigos e TCCs promovido pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, além de receber uma quantia em dinheiro, ela também teve o trabalho publicado na revista científica da instituição, a Harvard Business Review (acesse pelo linkcyber.law.harvard.edu/node/99360). “Encontrei a competição por acaso, mais ou menos em outubro de 2015, quando ainda estava escrevendo. As exigências do edital casavam perfeitamente com o meu trabalho, mas não achei que ganharia. Foi uma surpresa receber um e-mail contando que fiquei em terceiro lugar e que receberia um prêmio. Fiquei muito feliz”, conta.


A brasiliense recebeu o certificado pela vitória em 8 de março. Os prêmios do primeiro e do segundo lugares foram conquistados por dois indianos. Depois do mérito reconhecido, a jovem segue pesquisando o tema em um mestrado acadêmico no Departamento de Ciência Política da UnB. “De certa forma, meu projeto continuará dentro do tema da internet. Minha maior descoberta foi sobre a importância da ampla participação nos debates sobre o meio virtual. É preciso que o usuário entenda como as decisões são tomadas, quais são as ferramentas legais disponíveis e como defender os próprios direitos no meio on-line”, explica.


Interessados em participar da próxima edição da oportunidade devem ficar de olho no site da Universidade de Harvard. “Como são chamadas para publicar artigos em revistas sobre diversos temas, eles são periódicos, mas não há datas certas para os editais serem lançados”, observa Kimberly.

Web brasileira
O trabalho de Kimberly foi apresentado em dezembro de 2015 com o título Participação na governança da internet: o multissetorialismo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), orientado pela professora Marisa von Bülow. Em resumo, a estudante analisou como ocorrem as relações políticas entre os participantes do CGI.br, entidade criada pela Portaria Interministerial nº 147/1995 para coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços relacionados à web no Brasil e promover qualidade técnica, inovação e disseminação dos serviços digitais ofertados.


A principal característica da organização é o modelo multissetorial, que garante que a sociedade civil, o governo, o setor privado e a comunidade tecnoacadêmica — totalizando 20 conselheiros —, além de um especialista em assuntos de internet, tenham representação dentro do comitê. “É uma forma bastante elogiada mundo afora porque permite que todos os envolvidos tenham voz. O problema é que os usuários ainda não participam o suficiente dos processos. Existem várias organizações, como o coletivo Intervozes e o Instituto Beta para Internet e Democracia (Ibidem), das quais todos podem participar, além de acompanhar para que a voz do usuário também seja ouvida”, argumenta Kimberly.

Pioneirismo brasileiro

“Em termos legais, o Brasil está à frente de muitos países com a elaboração do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014)”, esclarece Kimberly. A lei garante aos usuários direitos, como liberdade de expressão, respeito à intimidade de cada cidadão e oferta de serviços sem discriminação de função social. “Se nossa sociedade e o próprio Judiciário brasileiro conhecessem melhor o marco, bloqueios — como o do WhatsApp — não aconteceriam”, explica.

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