PERFIS DE SUCESSO

Elas estão à frente do Girassol

Mãe e filhas comandam restaurante de comida vegetariana na Asa Sul que recebe 300 clientes por dia. Segredo do crescimento, segundo elas, está na qualidade dos ingredientes

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postado em 22/05/2016 14:00 / atualizado em 23/05/2016 21:48

Gustavo Moreno
Saladas com folhagens fartas, brotos, maioneses, castanhas e tabules; pratos quentes, envolvendo tortas, acarajé de soja, pastéis assados, almôndegas de castanha, lasanhas e outras opções — sem contar a feijoada vegetariana aos sábados; molhos e pastas à base de sementes e vegetais, além de canapés recheiam o bufê de almoço do Restaurante Girassol. Localizada na 409 Sul, a casa também não deixa a desejar na parte doce: torta, gelatinas, mousses, pudins, iogurtes, crepes, pavês e bolos estão entre as preparações que encantam a visão e o paladar.


Para beber, há vitaminas, sucos e leites sem lactose. À noite, caldos, saladas, sanduíches e açaí arrebatam a freguesia. No café da manhã, aos sábados, o estabelecimento ainda oferece pães integrais, tapioca, biscoitos, bolos, frutas, iogurte, pudim, queijo minas, chás, sucos e shakes. A diversidade é enorme e prova que não é preciso servir carne para elaborar pratos saborosos e conquistar um público cativo: o Girassol recebe cerca de 300 pessoas diariamente. Além de vegetariano, todo o cardápio é símbolo de alimentação saudável. As responsáveis por comandar a casa são da mesma família.


A nutricionista Ros’Ellis Moraes, 61 anos, se juntou às filhas Rayanne Moraes Taveira, 37, e Rani Moraes, 36, para lançar o negócio em abril de 2000. A empresa também abriga um empório de produtos naturais, de fabricação própria e outros selecionados, e recebe uma feira orgânica nas manhãs de quarta-feira e de sábado. Tudo isso contribui para que os clientes se alimentem com consciência num ambiente diferenciado: é como se, ali, o tempo passasse mais devagar, e as proprietárias transmitem tranquilidade ao lidarem com o trabalho.


“Nossos clientes são muito parceiros: tem gente que vem aqui tomar café da manhã, almoçar e jantar. Outros dizem que se mudaram para perto do restaurante pela vontade de comer da nossa comida sempre”, explica Ros’Ellis. As três garantem que trabalhar em família não é problema. “Sempre tivemos uma relação harmônica, e esse clima é transferido para o restaurante”, diz Rani, graduada em recursos humanos.

O início
A ideia surgiu porque Ros’Ellis ministrava oficinas de reeducação alimentar a adolescentes num projeto social. “Eu percebi que esse trabalho seria mais fácil se eu tivesse um ambiente com todos os alimentos à mão”, lembra. Somou-se a isso o impulso das filhas. “A gente tinha acabado de se mudar para a 409 Sul, e elas fizeram a proposta de abrir um restaurante. No princípio, não levei a sério, mas as meninas queriam trabalhar”, conta ela. Hoje, a família não mora mais na mesma quadra, mas cada uma delas vive nas redondezas do negócio para poder estar sempre presente. “Acabou nascendo de uma forma bem espontânea e descontraída, e o mercado de produtos naturais também foi crescendo. Logo no primeiro dia, há 16 anos, tivemos um bom público. Demos sorte com isso”, percebe Ros’Ellis. As primeiras mesas do restaurante, ainda hoje um destaque no centro do salão, são adornadas com mosaicos feitos artesanalmente pela família. Com o tempo, foi preciso aumentar o número de lugares e a estrutura, e o espaço passou por duas reformas.

Qualidade
A iniciativa atraiu outros interessados: no primeiro ano de funcionamento do Girassol, dois restaurantes naturais foram abertos na mesma quadra, mas nenhum deles sobreviveu. “A diferença está na nossa qualidade. Esse é realmente o nosso forte. Fomos trabalhando assim, e o sucesso foi consequência”, garante a educadora física Rayanne. Para a mãe, Ros’Ellis, isso se traduz na busca pelos melhores ingredientes. “O diferencial está nos insumos. Compramos produtos orgânicos e de produtores qualificados — inclusive, o companheiro da Rani é produtor orgânico, algo que nos ajuda bastante. Usamos óleo de coco e óleo de palma sustentável, nossa baunilha é importada”, exemplifica.


A forma de preparo também conta. “Eu fico responsável por essa parte técnica; além disso, contamos com empregados que estão conosco há muitos anos”, observa Ros’Ellis. Entre eles, está o garçom Cláudio Sousa, 37, conhecido como Claudinho no restaurante. “Trabalho aqui há 11 anos e mudei minha vida e minha alimentação depois de ter entrado para o Girassol. Minha saúde melhorou, sinto mais disposição. Além disso, a energia aqui é diferente, então gosto do que faço”, comenta um dos 30 funcionários do local. Graduada em recursos humanos, Rani fica responsável pela parte de compras, enquanto Rayanne cuida da administração financeira e de pessoal.

 

Leia

Alimentação
viva e ecológica

Autora: Ros’Ellis
Moraes; Editora Alaúde;
292 páginas; R$ 90