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PERFIS DE SUCESSO//RENATA CARVALHO E GIOVANNA MAIA »

As donas do Loca Como Tu Madre

Donas de um gastropub e de uma casa de parrilha atribuem o sucesso das unidades, na 306 Sul, à dedicação e à criatividade, visível em todos os traços dos restaurantes: desde a decoração, os pratos e drinks, até a programação cultural

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postado em 29/05/2016 14:11 / atualizado em 29/05/2016 14:53

Ana Paula Lisboa

Gustavo Moreno

 

Trilhando caminhos diferentes, Renata Carvalho, 32 anos, e Giovanna Maia, 31, acabaram parando numa rota convergente. Por coincidência, as duas viveram por um tempo na Argentina — onde aprenderam sobre gastronomia e administração de restaurante, respectivamente. Quando elas se conheceram, Giovanna, formada em direito, estava planejando a abertura de um café em Brasília, e Renata, graduada pelo Instituto Argentino de Gastronomia, em Buenos Aires, foi indicada como consultora para montar a cozinha. O encontro deu tão certo que elas acabaram abrindo a empreitada juntas, em um formato diferente: um gastropub.

Nascia, assim, na 306 Sul, em março de 2012, o Loca Como Tu Madre. A sociedade gerou ainda mais um fruto: o Ancho Bistrô de Fogo, aberto em janeiro de 2015 no ponto ao lado do primeiro, que oferece carnes especiais, todas preparadas na parrilha. Um anexo ao segundo estabelecimento é o Bar dos Fundos, localizado na área externa e estruturado em um contêiner gigante com uma pegada moderna e drinks diferenciados. Com 55 funcionários nas duas casas, elas recebem 1,8 mil pessoas por semana no pub e 400 no bistrô.

O Loca Como Tu Madre serve pratos no almoço — como o popular tornedor de filé-mignon com risoto de aspargos —, mas o foco principal está no funcionamento noturno, quando o bar pulsa ao som de DJs e oferece drinks variados acompanhados de empratados e petiscos, como bolinho acostelado — preparado com macaxeira e carne bovina cozida por 12 horas. “Esse é tão pedido que são produzidas 3 mil unidades por mês”, diz Renata.


Apesar de alguns itens tradicionais serem uma constante, o cardápio da casa está sempre em mudança. “É um bar sazonal. Muda de acordo com as estações do ano desde o início.” A aparência despojada é sempre motivo de elogios. “As pessoas perguntam muito sobre a estrutura do Loca, mas cada casa tem sua identidade, e o que podemos dizer é que nossa alma está no negócio”, define Giovanna. “O nosso público é mais balzaquiano. Já no Ancho Bistrô de Fogo, é mais variado”, conta Renata.

Ampliação
“O primeiro ano de um negócio é o mais difícil. É porrada atrás de porrada, pois é muito difícil ser empresário no Brasil. Mas a gente foi superando”, lembra Giovanna. Depois de consolidarem o Loca Como Tu Madre, as sócias perceberam que podiam atender a um público maior, mas, em vez de aumentar o espaço da casa, resolveram inovar e lançar outro restaurante.

 

“Muita gente deu pitaco no começo, dizendo que eu devia ampliar o Loca, mas isso seria fugir da proposta gastronômica. O bar dá certo por causa do ambiente que tem, daquela proposta. Se eu colocasse várias cadeiras a mais, perderia o caráter intimista, por exemplo”, explica Renata. “Não temos um projeto megalomaníaco. Queremos que cada casa tenha qualidade”, complementa Giovanna. A recessão nunca as assustou. “Sei que existe uma crise, mas o trabalho e a movimentação garantem o seu negócio. Então, não fomos afetadas”, comemora Renata.

Combinação acertada
“Eu estava com o nome para abrir o primeiro restaurante na cabeça e pensava num estabelecimento mais tradicional. Na Argentina, ‘loca como tu madre’ é uma expressão muito usual, que serve para um monte de coisa. Só que, quando conheci a Renata, ela me disse que não combinava com um café, mas sim com comida de bar gourmetizada”, lembra Giovanna, que teve que se desapegar da ideia original para se lançar em outra mais moderna. “Ela queria algo mais quadradinho, e eu insisti para mudar”, lembra a chef e beer sommelier pelo Instituto Federal de Brasília (IFB) Renata.

“Em um negócio, a maior dificuldade para um chef nunca é a cozinha — na qual eu conto qual dois subchefs de confiança, mas sim as outras partes, como a financeira, mas a minha sócia cuida mais disso”, conta Renata. Além dos conhecimentos em direito, que acabam ajudando, Giovanna fez três cursos no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) antes de se tornar empresária. “Eu e minha sócia somos completamente diferentes, e foi uma combinação perfeita. A Renata é exemplar no que faz. Somos muito transparentes uma com a outra”, observa Giovanna.

A união foi forjada com muito trabalho. “As pessoas precisam entender que não existe glamour em ser empresário. Tem que ralar mesmo, é difícil, a gente não tem muito descanso, mas é o que gostamos de fazer.” Para Renata, o maior prazer está no contato com a clientela. “Adoro servir. Sempre estou conversando com as pessoas para saber se os pratos estão bons.” Entre os ingredientes para o sucesso dos dois restaurantes, ela cita criatividade e dedicação. “A inquietação sempre foi um componente importante e está em tudo que fazemos, desde as atrações — trazendo DJs e eventos diferentes — até pratos novos”, diz.

Origens
Antes de se tornar chef, Renata Carvalho cursou publicidade, mas abandonou o curso no último semestre para se especializar em gastronomia na Argentina. “Eu percebi que não era o que eu queria, então fui para lá trabalhar e estudar. Meus pais não gostaram. Minha mãe, como funcionária pública, ficou preocupada. Aprendi a gostar de cozinha com minha avó, mas ninguém via isso como uma carreira. No entanto, depois acreditaram no meu potencial e hoje estão orgulhosos”, relata. Giovanna também trocou o “certo” pelo duvidoso. “Trabalhei com direto bastante tempo, e meu último trabalho foi no Procon. No entanto, depois ter vindo morar em Brasília, decidi que queria abrir um negócio para contribuir para a parte cultural da cidade. Para me especializar, fui para a Argentina, onde trabalhei em um café”, conta a paraibana.

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