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Quanto tempo?

Calcular o prazo em que será preciso estudar até passar num concurso é uma tarefa difícil, mas há como estimar essa resposta e se planejar. Concurseiros levam, no mínimo, seis meses para serem aprovados numa prova de nível médio; em ensino superior, o período se eleva para um ano

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postado em 05/06/2016 13:50 / atualizado em 06/06/2016 11:33

Rodrigo Nunes

Quem se propõe a estudar para passar em concurso sabe que as chances de conquistar uma vaga são mínimas — especialmente durante esse período de instabilidades econômica e política, em que o orçamento sofre cortes que afetam a oferta de certames. No entanto, mesmo que o número de editais abertos tenha diminuído, eles não param de ser lançados, já que a administração pública nas esferas municipal, estadual, distrital e federal precisa suprir postos vazios para se manter em funcionamento. Tudo isso pode afetar o tempo que se leva para passar numa seleção, no entanto, independentemente do contexto, achar a chave para essa equação é um dos dilemas mais complicados para concurseiros. Afinal, como descobrir quando você vai garantir uma vaga? Apesar de a conta não ser composta por variáveis fixas e determinadas e de não existir uma fórmula mágica, é possível fazer uma estimativa para se planejar enquanto a carreira pública não se torna realidade.


Alexandre Meirelles, autor de Como estudar para concurso (Editora Elsevier/Método, 462 páginas, R$ 56,60), leu mais de 100 livros de metodologia de estudo para se embasar sobre o tema e chegou a uma estimativa geral básica sobre o tempo mínimo necessário para passar. “As pessoas que se dedicam e têm alto rendimento nos exercícios demoram de seis meses a um ano para passar em um concurso de nível médio; enquanto em seleções mais concorridas, de nível superior, o tempo médio se eleva e varia de um ano a três anos”, diz o graduado em informática e matemática e mestre em estatística que foi aprovado em concursos de órgãos como a Receita Federal, o Ministério da Fazenda e a Prefeitura de Belo Horizonte.


Já o coordenador do cursinho IMP Concursos, o economista e matemático Anderson Ferreira, pós-graduado em finanças públicas e controle interno, professor de administração financeira e orçamentária, diz que, normalmente, quem se dedica consegue passar em um concurso mediano somando um ano ou um ano e meio de estudo. Para seleções mais concorridas, como as da Receita Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU), é necessário um período maior: dois anos ou dois anos e meio de preparação, no mínimo. Anderson Ferreira, no entanto, ressalta que esse cálculo é muito relativo, pois “depende de quanto tempo a pessoa dedica ao aprendizado por dia, da complexidade do edital, do período necessário para estudá-lo, da oferta de concursos e se eles estão compreendidos na área para a qual a pessoa está focando”.

Método inovador
O estatístico Victor Maia, 34 anos, especialista em aprendizagem pela Universidade da Califórnia, desenvolveu um programa para ajudar a calcular quanto tempo alguém terá de estudar para passar num concurso de forma mais individualizada: o QualConcurso. Em 2013, a ideia se tornou um site, e, agora, um aplicativo para celular está prestes a ser lançado. Ele desenvolveu uma metodologia que calcula a “velocidade de aprendizagem” do concurseiro. “É como se o candidato precisasse se deslocar de A para B, mas, sem orientação, ele não sabe nem aonde está indo. O software funciona como um GPS”, compara (entenda o método em Aplicativo para estudar). Segundo o pesquisador, quatro fatores principais influenciam esse cálculo: proficiência inicial, objetivo final, disponibilidade de tempo e velocidade de aprendizagem.


“Naturalmente, a base de conhecimentos da pessoa impacta bastante o tempo de preparação. Um candidato proficiente em português, por exemplo, larga à frente dos demais. Um bancário da iniciativa privada também terá vantagens em concursos que cobrem a disciplina de conhecimentos bancários, como os do Bando do Brasil e da Caixa Econômica Federal”, exemplifica. Certames mais complexos, como os de magistratura, que envolvem até 20 disciplinas, exigem um maior tempo de preparação, pois, além da extensão do edital, cobram o conteúdo com grande profundidade. Em relação à disponibilidade, Victor afirma que quem não trabalha não necessariamente leva vantagem. “É comum que trabalhadores tenham melhor regularidade, mesmo com menos liberdade, pois candidatos com mais tempo tendem a procrastinar mais. As horas efetivamente estudadas é que de fato contam.” A afirmação é reiterada por Alexandre Meirelles. “Não existe a necessidade de sair do emprego para estudar. A maioria das pessoas que passa em concurso estava empregada antes”, afirma.


Por fim, sobre o último fator que mais influencia o cálculo, Victor diz que a velocidade com que se aprende pode acelerar ou retardar a aprovação. Nesse quesito, influências genéticas entram em campo, porém o estatístico afirma que o que mais pesa nesse sentido são as técnicas de estudo utilizadas. O especialista em aprendizagem acredita que os métodos mais efetivos, como dissertar sobre os assuntos estudados, exigem maior proficiência; enquanto as técnicas de preparação mais passivas, como aulas e leituras, são menos eficientes. Repetir os conteúdos eternamente também pode ser contraproducente. “À medida que evoluem, muitos candidatos insistem em releituras do mesmo tipo de material, quando deveriam, a essa altura, procurar formas mais ativas (e proveitosas) de aprendizagem, como simulados e mapas mentais”, observa.

 

 Deadline indefinido
Apesar de fazer cálculos estimativos para definir o tempo que se leva para passar em um concurso, o matemático Alexandre Meirelles não acredita em fórmulas mágicas que possam trazer uma resposta exata, pois “os certames são muito diferentes entre si, assim como as pessoas e seus níveis de aprendizado”. Anderson Ferreira, do IMP Concursos, concorda. “Não existe nenhuma metodologia milagrosa para fechar essa conta.”

 

 

Faça a escolha certa

 

Rodrigo Nunes
 

Segundo Anderson Ferreira, os primeiros passos a serem adotados por qualquer concurseiro são buscar conhecimento em livros, apostilas, aulas e outros meios; depois, é preciso ganhar segurança sobre o conteúdo por meio de revisão constante; por último, é necessário entender como as matérias serão abordadas na prova pretendida e, para isso, o aluno precisa resolver o maior número de questões possível daquela banca. O professor ainda indica um ingrediente essencial na preparação: foco. “Não adianta estudar qualquer área ou fazer toda prova que aparecer”, comenta. O importante é escolher um dos ramos de atuação da administração pública — como as carreiras policial, fiscal, bancária ou administrativa — e se dedicar a ele. Essa é a estratégia do biólogo Ricardo Paysano Marrocos, 28 anos, que estuda há mais de um ano exclusivamente para concursos com vagas para a área de formação dele, mesmo que elas não sejam fartas.


“Não existe muita oferta de emprego sem ser licenciatura, principalmente aqui em Brasília, e eu não tenho paciência para ser professor”, lamenta. O próximo concurso que o jovem vai prestar é o para perito da Polícia Civil, cuja prova será aplicada em 19 de junho. Ele optou por não trabalhar e se dedicar inteiramente aos concursos: faz cursinho pela manhã e estuda duas matérias por dia na parte da tarde, mas não mais que por quatro horas seguidas. “Meu cérebro não assimila as coisas quando passa muito disso”, percebe. Ricardo não faz tabelas de organização e nunca pesquisou metodologias de estudo: apenas faz resumos e exercícios. “Como isso deu certo no primeiro concurso que eu prestei (para papiloscopista da Polícia Civil no ano passado) e me deu uma boa classificação, estou mantendo. Acho que as pessoas complicam demais uma coisa que é simples”, completa. Com a preparação, ele estima ter gastado R$ 4,8 mil. O biólogo acha difícil definir um prazo para ser aprovado, mas espera que seja o mais rápido possível.

 

A tentação de desistir

 

Segundo Victor Maia, do QualConcurso, existem 13 milhões de candidatos para uma média de 350 mil vagas anuais. O número pode assustar, mas muitos fazem as provas sem estudar — o que diminui as chances de aprovação. Além disso, os que têm perseverança ou condições para continuar estudando formam um grupo ainda mais reduzido: pelas contas do estatístico, uma a cada quatro pessoas desiste no primeiro ano de estudo.


Para Alexandre Meirelles, o alto nível de desistência é ocasionado pelo fato de as pessoas começarem a estudar com uma expectativa elevada, mas, quando ela não é alcançada, desanimam. “É mais fácil desistir do que continuar, pois os resultados demoram. É como numa academia de musculação: muita gente para no primeiro mês.” Segundo Victor Maia, para se manter motivado, é importante estabelecer metas diárias e cumpri-las.


“Assim, é possível separar tempo para tudo, inclusive para a diversão (moderadamente) e para a família. Além disso, na medida em que os objetivos são cumpridos, o ato de estudar se torna mais natural.” De acordo com o especialista em aprendizagem, o processo de se acostumar com a rotina de estudos ocorre em três semanas, por isso a força de vontade deve ser maior no início.


Débora Cristina da Costa Silva, 30 anos, está no grupo dos que perseveraram. Ela começou a estudar para concursos logo após se formar em educação física em agosto de 2014, no Rio de Janeiro. Desde então, gastou R$ 8 mil com a preparação. Morando em Brasília, ela pensou em desistir dos estudos, já que ser servidora pública não era um sonho, mas percebeu que precisava de estabilidade financeira para poder fazer o que gosta: a atuação. “Eu amo atuar. Isso me motiva a estudar, pois sei que, no serviço público, poderia conciliar minha atividade com o teatro”, declara.


No ano passado, ela fez 10 sessões de técnicas de estudo com um coaching e se matriculou num cursinho preparatório para o Supremo Tribunal Federal (STF). Foi quando percebeu um melhor desempenho nas provas da carreira escolhida: técnico e analista administrativo, cargos que, normalmente, podem ser ocupados por pessoas com qualquer diploma de ensino superior.


Débora trabalha das 8h às 18h como secretária na clínica odontológica da irmã e lançou a Minha Doce Browneria, em que vende quitutes encomendados pela internet desde novembro de 2015. No tempo que sobra, estuda por meio de livros e videoaulas. “Faço uma planilha de estudos semanal com as metas de horas e assuntos a serem estudados. Repondo questões e avalio como está indo meu aprendizado”, completa. Segundo seus cálculos, baseados no site QualConcurso, até o fim do ano, deve passar em alguma prova.

 

Aplicativo para estudar

 

Durante o mestrado em estatística que fez na Universidade de Brasília (UnB), Victor Maia se dedicou à Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo em que se baseiam diversos certames, incluindo o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para avaliar os candidatos. Posteriormente, quando ele mesmo decidiu estudar para concursos, fez pesquisas sobre os métodos de seleção do serviço público, além de levar em conta experiências de aprovados para elaborar seu modelo estatístico, buscando encontrar o caminho mais eficiente para a aprovação. Em poucos meses, conquistou uma vaga de agente da Polícia Federal e começou a ajudar amigos e conhecidos a estudar.


A metodologia adotada foi inspirada no ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act ou Planejar, Fazer, Verificar e Agir, em português), método interativo de gestão utilizado para o controle e melhoria contínua de processos e produtos baseada em quatro etapas: primeiro, são estabelecidos as metas e os processos a serem utilizados para atingi-las; depois, implementa-se o plano e analisa-se os resultados; por fim, são tomadas medidas corretivas sobre as diferenças significativas entre os resultados reais e o que foi planejado. “Se o candidato não tem um feedback em curtos períodos — no mínimo, mensais — pode desperdiçar muito tempo de estudo com estratégias ineficientes sem perceber”, explica.


O programa faz a análise a partir de simulados, que avaliam a evolução do estudante. “Também registramos (em um ambiente on-line de controle de estudos) quanto e como o candidato estudou. Podemos calcular a velocidade de fixação do conteúdo por cada modal, que é a variação do conhecimento dividido pela variação de tempo de estudo”, completa. Dessa forma, é possível saber como está o desempenho do candidato em cada disciplina e comparar com a proficiência de pessoas efetivamente aprovadas em concursos anteriores. Assim, o programa indica em quais provas o concurseiro tem mais chance de aprovação e quanto de estudo ainda falta para atingir a performance exigida pelo concurso desejado. Saiba mais sobre o software e seus planos e mensalidades em www.qualconcurso.com.br.

 

Ai, meu bolso!

 

Durante o período de estudo, os gastos com material e cursinho variam dentro da faixa de R$ 1 mil a R$ 10 mil, segundo o matemático Alexandre Meirelles. Ele alerta que ter aulas, apesar de ajudar, é opcional; no entanto, um material de qualidade é imprescindível. “No cursinho, apreende-se muito, mas se memoriza pouco. É preciso estudar em casa. Se matricular ou não num preparatório depende da sua capacidade de aprender as coisas sozinho”, completa. Estudar pelo tablet ou pelo computador é uma dica sustentável para aproveitar as tecnologias, economizar papel e dinheiro.

 

 

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