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Correio Braziliense

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Não é hora de se render

O orçamento do governo está reduzido, mas concursos continuarão a ser necessários: afinal, a administração pública não pode parar. Confira dicas %u2014 de especialistas e de servidores para se manter firme na preparação

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postado em 05/06/2016 13:58 / atualizado em 28/06/2016 17:44

Ana Paula Lisboa

Minervino JUnior

Anderson Ferreira, coordenador do IMP Concursos, explica que a atual situação econômica e política em que o país se encontra interfere diretamente na contratação de pessoal por parte do Estado, porque os certames dependem do orçamento público para serem autorizados. No entanto, mesmo diante de um cenário ruim, há uma demanda mínima de manutenção do quadro. “Então, ainda que não estejamos em momento de expansão, a simples necessidade de reposição por conta de aposentadorias gera a necessidade de contratação por concurso público.” Isso significa que não é aconselhável sair da rotina de estudos, pois quem esperar os certames serem abertos para começar a estudar não deve passar. “Tem gente estudando enquanto você está parado”, garante o matemático Alexandre Meirelles.


Para ter sucesso, é preciso adotar estratégia e uma rotina disciplinada. “Nada de interromper os estudos durante um período, por conta de alguma eventualidade, como uma viagem, e depois tentar compensar com uma carga maior de dedicação, porque isso acaba por não permitir a fixação”, alerta Anderson Ferreira. Alexandre Meirelles acredita que, para descobrir o método de preparação mais adequado ao perfil do candidato, a melhor forma é avaliar o rendimento: faça muitos exercícios e meça a quantidade de acertos em relação ao tempo que você dedicou a uma matéria. “Se a pessoa não faz essa autoavaliação frequentemente, fica complicado fazer adaptações na metodologia, pois não tem como saber o que está dando certo e o que pode ser melhorado”, completa.


Para avaliar se está preparado o suficiente para uma prova, o mestre em estatística Alexandre Meirelles indica se basear no edital anterior do certame desejado, pegar as notas mínimas (do último colocado) e manter seu desempenho um pouco acima delas, pois é preciso considerar fatores como nervosismo, pressão, limite de tempo e desconforto na hora da avaliação. Segundo o matemático e escritor, não há um mínimo de tempo diário de estudo a ser atingido. “Deve ser o máximo que a pessoa for capaz de aguentar, no ritmo que ela conseguir, conciliando com a família e o lazer. Tem gente que passa de primeira estudando três horas por dia; há pessoas que dedicam 10 horas diárias aos estudos e não passam nunca. O importante é ter a confiança de que está fazendo o seu melhor”, diz.

 

Concursos à vista / Confira órgãos que devem lançar edital até ano que vem, segundo o professor Anderson Ferreira:

»  Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
»  Receita Federal do Brasil
»  Controladoria-Geral da União (CGU)
»  Tribunal de Contas do DF (TCDF)
»  Câmara dos Deputados
»  Câmara Legislativa do DF
»  Senado Federal
»  Polícia Federal
»   Agência Nacional de Águas (ANA)
»  Agência Nacional de Vigilência Sanitária (Anvisa)
»  Ministério do Trabalho (MTE)
»  Secretaria da Fazenda (Sefaz-Df)
»  Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
»  Tribunal Regional Federal (TRF)
»  Supremo Tribunal Militar (STM)

 

 

Aprenda com quem entende
Confira como aprovados em concursos encararam o tempo até passar

 

Danilo Bruno Barbosa Campos, 29 anos, coleciona aprovações em concursos e não pretende parar: ele sonha em ser promotor de Justiça Ministério Público. O lema dele é estudar até passar, sem calcular exatamente quanto tempo gastará com isso. Os bons resultados não vieram sem esforço e ele calcula ter prestado pelo menos 25 certames ao longo da vida. A primeira vez que ele decidiu se dedicar a seleções públicas foi em 2004. “Eu tinha entrado na faculdade de direito em 2003, mas tranquei por falta de grana para bancar e, apesar de não termos boas condições financeiras, minha mãe me colocou num cursinho em março de 2005”, lembra. Segundo ele, a experiência de ter aulas preparatórias durante um ano foi fundamental para aprender a base teórica e receber uma carga de motivação de outros alunos e também dos professores.


Ele largou o cursinho um ano depois, aos 19 anos, quando foi aprovado em seleções de nível médio do Ministério do Turismo, da Companhia Metropolitana de Brasília (Metrô-DF) e da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Ele optou pelo último órgão, que bancou sua faculdade de direito. “Eu tinha na minha cabeça o mito de que era impossível passar num concurso. Eu ia bem nos simulados, mas na hora da prova para valer, eu ficava nervoso, dava um branco mesmo. Ter passado em um fez com que a pressão diminuísse. Eu me cobrava demais por resultados, o que me atrapalhava. Então, o desempenhou melhorou depois disso.”


Após se formar, em 2010, ele voltou a focar em seleções públicas: desta vez, de olho em tribunais. Demorou dois anos para que ele passasse na seleção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Quando assumi, foi reaproveitado no STJ (Superior Tribunal de Justiça), onde trabalhei de maio de 2014 a junho de 2015.” Depois desse período, ele foi empossado no concurso do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), no qual foi aprovado em 2015 para o cargo de analista judiciário e, hoje, atua no Fórum de Samambaia, cidade onde mora. A motivação para buscar posições concursos melhores era familiar. “Eu queria dar uma casa para a minha mãe e condições melhores de vida a ela. E consegui”, comemora.


Apesar de ter feito um cursinho para se preparar para o primeiro concurso, Danilo nunca mais apostou nesse método de estudo e, das outras vezes, se dedicou sozinho. “O cursinho é bom para pegar o ritmo e aprender a focar. Eu precisei me isolar um pouco, mas estudando de forma qualitativa — tinha dias em que eu estudava três horas; em outros sete. Tem gente que se engana achando que focou 10 horas, mas, na verdade, parou para olhar o celular ou fazer outras coisas”, diz. “Segui a dica de um professor que dizia: ‘você tem que ralar para caramba dos 22 até os 30 anos para depois colher os frutos. Então, dá para curtir a vida dos 30 anos 80’. Optei por esse caminho”, conta. Entre os métodos de estudo adotados, Danilo destaca fazer muita revisão e exercícios; acessar aplicativos, sites e canais de vídeos focados em concursos; estabelecer metas mensais e se reavaliar mensalmente para se organizar para o próximo mês. “Existe um preço: sentar, estudar e abrir mão de algumas coisas; mas, no fim, vale a pena”, conclui.

 

Parceria nos estudos

 

Gustavo Moreno
 

Os graduados em direito Sílvia Ramos, 36 anos, e Gustavo Frota, 34, pais de um menino de 12 anos, se revesaram para estudar para concursos. Primeiro, enquanto ela dedicou dois anos exclusivamente à preparação com foco em tribunais, até passar nos cargos de técnica judiciária e analista judiciária no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o marido pagava as contas da casa. “Depois que ela foi nomeada, chegou a minha vez”, brinca Gustavo, que estudou durante dois anos até conquistar uma vaga de técnico judiciário no TJDFT, na qual foi empossado no meio do ano passado.


O tempo gasto na preparação e a espera até a nomeação não foi o que planejaram. “Eu esperava que, com dois anos de estudo, passaria em algum concurso muito bem classificada. Eu fui aprovada no edital de 2008, mas demorei muito a ser chamada. Fui convocada como técnica em 2010 e, como analista, em 2012. Enquanto não me tornava servidora pública, voltei à iniciativa privada”, revela Sílvia. Já Gustavo se candidatou a 10 concursos e se surpreendeu com a concorrência. “Em muitas seleções, eu ia bem na prova, mesmo assim, não ficava nem perto de ser aprovado.” Depois de ter pegado o embalo, ele passou ainda nos certames da Polícia Civil, do Ministério Público da União (MPU) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).


Para Sílvia, a preparação se tornou séria quando ela mudou de postura. “Quando perguntavam o que eu estava fazendo, eu tinha o costume de dizer ‘nada, só estudando’. Isso é porque eu não tinha entendido que aquilo era algo de grande importância para o meu futuro. Eu tive que focar.” Para ela, ingredientes importantes na preparação são um bom local e um cronograma de estudos, equilíbrio emocional, perseverança e dedicação. Já Gustavo apostou em mapas mentais e fluxogramas, videoaulas, bons materiais, persistência e muitos sacrifícios. “Além disso, tem que fazer muito exercício”, diz. Nenhum dos dois estudou em cursinho o tempo todo, mas acreditam que as aulas são importantes no início, até a pessoa adquirir uma boa base teórica, ou em momentos em que falta motivação.

 

Tranquilidade na prova

 

Arquivo Pessoal
 

Laís Crestani, 26 anos, está se formando em jornalismo e, desde que era caloura, buscava estabilidade financeira para poder constituir uma família. Apesar de ter vários parentes no serviço público, o que a incentivou bastante, quem motivou Laís a estudar foi o marido dela, Guilherme Crestani, 28. “Em 2012, a gente começou a estudar juntos cerca de 10 horas por dia, inclusive nos fins de semana.” A rotina era cansativa, e os amigos reclamavam da ausência da jovem em eventos sociais. “Eles não concordaram muito, reclamavam de eu não estar muito presente”, conta. Durante a preparação, ela apostou em cursinho, livros, videoaulas, pesquisas na internet e muitos exercícios. Os três anos de dedicação valeram a pena: em 2014, ela foi aprovada para o cargo de técnica do Banco Central, no qual tomou posse em 2015.


Apesar de ter sido aprovada, Laís não esperava esse resultado. “Quando fiz a prova, fiquei nervosa e achei que tinha me saído muito mal. Além disso, é difícil saber quando você está pronta ou não, porque tem a questão do fator emocional, que conta muito na hora do exame. Você pode até saber o conteúdo, mas, se não estiver tranquilo, não adianta”, completa. Ter contatado com o apoio da família e de pessoas próximas foi muito importante para ela. “É uma batalha e, às vezes, você se cansa, mas é importante não desistir e sempre acreditar que é possível sim, porque a recompensa sempre vem”, declara. Depois da formatura, ela deseja conseguir uma vaga de analista (com nível superior) no órgão em que trabalha e pretende continuar estudando, mas não calculou quanto tempo dedicará a isso, pois acredita que tentar estabelecer um período é difícil e só aumentaria o nervosismo. “O importante é ter disciplina”, conclui.

 

 

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