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PERFIS DE SUCESSO - MARIA ROSAMIRA OLIVEIRA »

A pizzaiola de Sobradinho

Depois de ser doméstica desde os 10 anos, piauiense serve rodízio de pizzas nos mais variados tipos de eventos. Segredo está na técnica italiana da massa e em ingredientes de qualidade

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postado em 12/06/2016 14:21 / atualizado em 12/06/2016 14:55

Ana Paula Lisboa

Carlos Moura

 

A praticidade de receber um rodízio de pizzas ou de crepes em casa ou num salão é o carro-chefe da Pizzaria do Nono. Os clientes ligam (para 3453-1634 ou 9-9998-7658), agendam a data do evento, combinam sabores de preferência e pronto. No dia combinado, a equipe de Maria Rosamira Oliveira, 44 anos, monta, assa e serve as massas com agilidade, além de fornecer pratos e talheres. O serviço dura quatro horas. No fim do encontro, lava e limpa todo o material. “Fica parecendo que nem teve festa”, garante a proprietária, conhecida como Rosinha. Ela mora em Sobradinho, mas a clientela se espalha por todo o Distrito Federal.


A piauiense conta com um time de confiança, formado por familiares como a irmã, o cunhado e os filhos Melissa Rayane, 22, e Matheus Moreira, 19 — ou amigos de longa data, convidado para trabalhar de acordo com a programação. “São 12 pessoas que atendem com simpatia. Quando um não pode em determinada ocasião, chamo outro.” A proprietária está presente em quase todas as vezes. “Se eu não vou, as pessoas sentem falta, queriam que estivesse presente. Acho que eu passo confiança a elas”, revela. Não é por menos; afinal, além de ser responsável, Rosinha usa ingredientes de qualidade nos 27 sabores. “Calabresa, marguerita, portuguesa, banana e nutella com morango são as mais pedidas.”


Rosinha prepara as pizzas num forno elétrico portátil que leva aos eventos ou, se for da preferência do cliente, em forno a lenha que exista no local. “Meu forno é supermoderno, encomendei pela internet e, quando chega à temperatura certa, assa uma pizza por minuto. É bastante rápido.” A chef serviu até 180 pessoas, mas têm capacidade para atender muito mais. Também é contratada por grupos reduzidos, até num apartamento. “Não apostar em um bom material é o barato que sai caro. Por isso não tenho problemas. Teve cliente que pediu para ver as marcas dos produtos, porque havia tido uma experiência ruim com outro fornecedor, que, em vez de presunto, tinha apresuntado. Jamais faria isso, pois zelo pelo meu nome e quero chegar além”, explica.


“Vou longe atrás dos melhores pepperoni, muçarela de búfala, filé de anchova. Afinal, são minhas ferramentas de trabalho”, complementa. Outro segredo do sucesso é a persistência. “No começo, tem muita luta, mas você precisa pedir a ajuda de Deus e insistir.” A empresa chega a atender até dois ou três eventos por dia, em temporadas como o fim do ano, em que há muitas confraternizações; no restante dos meses, oscila bastante.

Trabalho duro
As variações de ganhos não são um problema tão sério, porque, há 21 anos, Rosinha trabalha como auxiliar de cozinha na Sanoli, indústria de alimentos. “Meu horário é das 6h às 14h; então, à tarde e à noite, estou livre para os rodízios. Mesmo não sendo fixo, ganho mais com as pizzas.” A rotina é pesada, mas a piauiense diz que sempre teve disposição e está acostumada a trabalhar bastante. Depois de perder a mãe, aos 3 anos, morou com o pai até os 5, quando ele se casou de novo. Aos 10, foi mandada a Teresina para trabalhar em casa de família, como babá, e recebia apenas um ordenado para ajudar a família.


Depois de ser mãe adolescente, aos 16, deixou a filha mais velha com a avó paterna da menina e veio para Brasília ser empregada doméstica em todas as ocasiões, sem carteira assinada. “Meu pai era pobre, trabalhava na roça. Nós somos oito irmãos, eu ganhava muito pouco e sonhava: ‘Quando eu for de maior, vou tirar meus documentos eu não tinha RG nem CPF para poder ganhar, pelo menos, um salário mínimo’. Então, trabalhei muito para alcançar tudo que conquistei”, conta. “Meu pai era agregado e, a cada jacá de arroz que ele colhia, tinha que dar um para o dono da terra. Aquilo me doía na alma, vê-lo lutando de sol a sol. Tirei ele dessa vida, comprei um lotinho para ele”, comemora. Na capital federal, a experiência como doméstica durou sete meses, até ela encontrar uma vaga num restaurante.


A história de Rosinha com a empresa ultrapassa os 24 anos e, durante a primeira década, ela era sócia do ex-marido. “Depois da separação, cada um seguiu para um lado, e nos tornamos concorrentes”, conta. Os dois aprenderam juntos as técnicas da verdadeira pizza italiana. “Nós trabalhamos no restaurante Dom Romano, na 213 Norte, durante alguns anos, até que a empresa foi passada para os filhos dele, que não souberam administrar, e o negócio quebrou. O dono era paulista, filho e neto de italianos, nos apresentou a receita certinha”, lembra. Após a experiência, o então casal resolveu abrir o próprio negócio. “Tentamos ter um espaço fixo, mas vimos que dava muito gasto, então apostamos no ramo de eventos.”

 

Na estante 

 

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