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Você sabe o que o seu chefe quer?

Uma boa comunicação entre gestor e empregado é fundamental. Os líderes precisam ser claros e devem reservar um tempo para conversar com os subordinados. Já os colaboradores não devem se deixar intimidar ao dialogar e tirar dúvidas com o superior

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postado em 19/06/2016 13:38 / atualizado em 19/06/2016 13:55

Marcelo Ferreira

O seu chefe pede que você faça algo. Você executa e até acha que fez um bom trabalho. Quando chega a hora de entregar, o orgulho vira decepção: não era aquilo que ele esperava. Há vários motivos para esses e outros mal-entendidos: o gestor foi impreciso, não teve paciência para explicar a tarefa e as expectativas, não deu abertura para que o funcionário tirasse dúvidas... A balança pode até pesar mais para o lado do dirigente afinal, ele é o responsável pela equipe e tem que ser o primeiro a se comunicar direito , mas o empregado também tem uma parcela de culpa nessa equação: mesmo que o administrador não se comporte como deveria nas conversas, o contratado precisa ter a iniciativa de fazer perguntas e até enfrentar a impaciência do superior para esclarecer a demanda e, assim, evitar problemas para os dois lados.

Para ajudar equipes a se comunicarem melhor, o norte-americano Steve Arnesson, considerado um dos 100 maiores pensadores e consultores de liderança dos Estados Unidos pela revista Leadership Excellence, escreveu O que o seu chefe realmente quer de você (saiba mais em Três peguntas para). No livro, lançado no Brasil em março deste ano, ele defende que não adianta querer que o gestor mude de personalidade por sua causa, então a saída é tentar descobrir o que motiva as ações dele e adaptar-se ao estilo do gerente com empatia, boa vontade e espírito de liderança. “É provável que você tenha pelo menos 15 a 20 chefes antes de se aposentar (...) O modo como você se adapta a diferentes chefes tem tudo a ver com sua satisfação no emprego”, diz, na obra.

Administradora com MBA em recursos humanos, especializada em orientação profissional e sócia da consultoria Projeto de Carreira, Alessandra Paulelli afirma que o funcionário deve perder o medo de se comunicar. “O feedback deve ser mútuo, e a relação deve ser franca e transparente. O chefe deve deixar claro o que espera, e o funcionário deve confirmar se entendeu”, acrescenta. A especialista ainda diz que o empregado também deve ter uma relação sincera com o líder. “Se está faltando algo no trabalho ou se ele não está satisfeito com alguma coisa, isso deve ser dito para o superior para que, assim, as providências certas sejam tomadas”, conclui.

O lado do gestor
Alessandra Paulelli acredita que quanto mais o chefe se mostra aberto com os funcionários, maiores as chances de saber o que está acontecendo na empresa. “Não adianta ficar só atrás da mesa, trancado na sala: é precisa circular, porém ele pode estar sobrecarregado de tarefas e também é papel do funcionário ir atrás”, explica. Ainda segundo a especialista, pessoas em posições hierarquicamente superiores devem ser francas com a equipe. “Por exemplo, se a empresa está passando por dificuldades, seja por causa da crise, seja por qualquer outro motivo, o gestor precisa dizer isso, pois se o funcionário fica sabendo de uma informação crucial pelo corredor, isso acaba causando um efeito negativo, pois o empregado vai achar que não está fazendo parte do que é importante para a companhia”, diz.

Guilherme Marback, coach executivo, sócio da Ockam, consultoria de gestão, de salienta que, para ter uma comunicação efetiva, o gestor precisa entender o perfil comportamental de cada funcionário, pois as personalidades são diferentes. “O chefe pode ter uma comunicação geral, mas é preciso ter uma individual também, e isso depende do perfil de cada funcionário”, acrescenta. Além disso, existem várias dimensões a serem observadas em busca de facilitar o diálogo entre líder e liderado. “Ela não se faz só pelas palavras: é preciso estar atento à comunicação não verbal, ou seja, gestos e linguagem corporal”, explica ele, que também é especialista em transformação cultural e formado em economia.

De acordo com a especialista em coaching de liderança Bibianna Teodori, o chefe precisa reservar tempo para conversar com a equipe sobre assuntos corporativos ou não e garantir que a mensagem passada foi precisa. A falta de clareza é uma das maiores falhas nos diálogos institucionais, pois estressa a equipe. “O líder tem que ser claro, falar o que quer e como quer, pois, se a comunicação não for eficaz, a empresa não vai para a frente”, diz. Para que os contatos sejam exitosos, é importante fazer com que o liderado abra a mente, o que pode ser conseguido ao se fazer perguntas. “O chefe precisa ajudar o funcionário a desenvolver o pensamento dele, para que o empregado não só veja o problema, mas veja a solução”, afirma.

Múltiplos canais
O canal para o chefe se comunicar com a equipe não precisa ser, necessariamente, presencial. “O líder pode fazer isso por meio de reuniões, palestras e até mesmo ligações ou e-mails”, lista a coach Bibiana Teodori. Os vários meios de comunicação de hoje, incluindo WhatsApp e Facebook, podem dispersar ou focar o diálogo entre líder e liderado, dependendo de como são usados. Por isso, todo cuidado é pouco, como observa o coach Guilherme Marback. “Essas plataformas são positivas quando se trata de uma mensagem rápida do dia a dia, mas pode atrapalhar se forem usadas para passar informações mais específicas, pois a mensagem precisa ter qualidade. E será que por esses meio ela vai ter?”, questiona.

 

Vínculo entre nós

 

Marcelo Ferreira
 

Gerente administrativo do Alfa Plaza Hotel, no Núcleo Bandeirante, Daniel Silveira, 45 anos, ocupou o mesmo cargo em uma loja agropecuária e percebe que mal-entendidos estão presentes no ambiente de trabalho. Para que eles não atrapalhem a produtividade, ele tenta ao máximo se aproximar dos funcionários e oferecer ajuda. “Além disso, quando há algum erro, chamo a pessoa individualmente, ouço e conheço a visão dela e depois explico no que ela falhou e como deveria ter feito”, conta. Daniel também ressalta que é importante destacar as atitudes positivas do trabalhador. “Às vezes, a presença do chefe pode intimidar o empregado, por isso é preciso criar um clima de descontração e ressaltar as coisas boas que cada um tem”, explica. Juliana Fernandes, 30 anos, supervisora do hotel e subordinada de Daniel, conta que apesar de o gerente ter o dia a dia corrido, ele sempre é acessível e atencioso com todos. Ao longo da carreira, ela nunca teve problemas de comunicação com seus superiores porque sempre foi bastante franca e falante. “Comunicação é fundamental para que o trabalho em equipe dê certo”, diz.

João de Oliveira, 29 anos, é vendedor há sete na Sarkis, loja de material elétrico na 710 Norte. Não entender um pedido do chefe e só descobrir isso depois sempre foi algo comum. “Faz parte do cotidiano, porque passamos mais tempo aqui do que em casa”, conta ele, que trata essas situações com tranquilidade e garante que seus superiores fazem o mesmo. “Sentamos e resolvemos o problema para que ele não se repita, e dá certo”, percebe. Ter criado um vínculo de amizade com o chefe, Butruz Sarkis, 70, dono e gerente da loja, fez com que a comunicação entre os dois ficasse melhor. “Eu trato todos de forma igual independentemente do cargo, então cultivamos uma amizade, e isso faz com que eu esteja sempre aprendendo com eles e eles comigo. Conversamos no dia a dia e, caso algo saia errado, tentamos resolver da melhor forma”, conta Butruz, que orienta de perto o trabalho dos funcionários. João ainda acrescenta que pelo fato de o chefe ser receptivo, ele não se sente intimidado na hora de tirar dúvidas.

 

Leia

 

O que o seu chefe realmente quer de você
Autor: Steve Arneson
Editora: Best Seller
128 páginas
R$ 29,90

 

 

 

 

 

Três perguntas para Steve Arneson

 

Reprodução/Arneson Leaderrship Consulting
 

 

Autor de O que o seu chefe realmente quer de você, Steve Arneson fundou a Arneson Leadership Consulting. Coach executivo há mais de 20 anos, é doutor em psicologia organizacional pela Universidade de Tulsa.

O que o motivou a escrever um livro sobre a comunicação entre chefe e funcionário?

Ter trabalhado para vários gestores durante minha carreira e ter ouvido vários clientes de coaching sobre o relacionamento com seus superiores. Senti que eu tinha alguma coisa para dizer sobre o que alguém pode aprender com bons e maus chefes. Se você está numa posição de poder, fornecer expectativas claras e dar feedback são os melhores presentes que pode dar a seus empregados.

O livro divide o processo de mudança com relação à comunicação com o gestor em três etapas. Você pode explicá-las?
A primeira coisa que você deve fazer é “estudar seu chefe” para entender motivos, agenda e estilo de comunicação dele. Você precisa realmente fazer a sua tarefa para determinar o que o ele quer de você. O segundo passo é olhar para si mesmo pelos olhos do gestor. Seja objetivo e tente entender como ele vê. A terceira etapa é ser responsável na relação com o superior. Você não pode mudar o seu chefe, mas você precisa ajustar sua mentalidade e comportamento para melhorar seu relacionamento com ele.

O que é essencial para que o líder e o funcionário tenham uma boa relação no ambiente de trabalho?
Confiança e respeito. O relacionamento falhará rapidamente se a confiança for perdida. Se você não pode confiar no seu chefe, não está apto para trabalhar muito duro para ele, e o gestor não pode confiar em você. Logo, sua carreira e seu emprego estão correndo perigo. Ganhe a confiança da outra pessoa, e qualquer coisa é possível. Trate o gerente com respeito, honre os pedidos deles, respeite a maneira dele de fazer negócios e de se comunicar.
 

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