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MARGARIDA BARROS » Perfis de sucesso

A Margô das marmitas

A maranhense vende cerca de 60 quentinhas por dia e faz sucesso com tempero suave e caseiro. Feijoada às sextas-feiras é um dos destaques do cardápio. Para comandar o negócio, trabalha diariamente das 5h30 às 17h30

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postado em 19/06/2016 14:07 / atualizado em 21/06/2016 18:23

Ana Paula Lisboa

Marcelo Ferreira

Almoço caseiro, bem servido, com suave tempero maranhense e aquele carinho que só uma mãe consegue colocar no preparo é o carro-chefe da Marmita da Margô. Para completar, estão o preço acessível (cada quentinha custa R$ 12) e a comodidade: o prato feito é entregue na hora marcada sem cobrança de taxa de delivery. Os clientes entram em contato por meio de ligação ou do aplicativo WhatsApp (98457-3239), escolhem uma opção de carne e decidem entre o cardápio comum que muda a cada dia da semana, com exceção da sexta-feira, quando sempre há feijoada ou fitness (composto por peito de frango grelhado, arroz integral, legumes cozidos e uma farta salada).

Para agradar ao público, sempre que mais de seis quentinhas são encomendadas juntas, a freguesia ganha agrados, como um refrigerante, sobremesa, fruta ou molho de brinde. Com tanto zelo, não tinha como não cativar uma clientela fixa.“Normalmente, quem pede uma vez volta a ligar”, garante a dona do negócio, Margarida Barros, 50 anos, conhecida como Margô, que vende cerca de 60 marmitas por dia com a ajuda da filha Nívea Barros, 30, e da funcionária Áquila Barbosa Batista, 29.

A iniciativa surgiu há três anos, depois de Margô ter trabalhado como empregada doméstica por 14 anos. “Eu fiquei desempregada e, como moro de aluguel, orei, e Deus me deu essa ideia. No primeiro dia, tive dois clientes: a minha filha e o dono da banca em que ela trabalhava. Uma pessoa foi indicando para a outra e, em uma semana, eu estava vendendo 20 marmitas por dia”, lembra.

“Minha marmita tem muita referência, e várias famílias e trabalhadores são clientes fixos que pagam por semana, quinzena ou mês com dinheiro ou cartão.” As delícias que a maranhense de Bacurituba (MA) prepara na cozinha da própria casa, segundo ela, não têm segredo. “Aprendi a cozinhar quando me casei, aos 17 anos, e precisava fazer comida. É um tempero caseiro, variado que aprendi sozinha mesmo no Maranhão e em Brasília, para onde me mudei sete anos depois, ocasião em que me divorciei”, diz. Ela não enxerga nenhuma dificuldade no trabalho que realiza. “Eu faço o que gosto e trabalho com prazer. Amo cuidar da minha cozinha. As pessoas fazem muitos elogios. Fico muito satisfeita, e meu chefe é Jesus”, revela a evangélica.

Apesar disso, a rotina da microempreendedora individual é pesada: acorda e às 5h30 está de pé cozinhando. Às 10h toda a comida está pronta. Os pratos são distribuídos até as 14h em três viagens. Margô termina de lavar a louça e limpar a cozinha às 17h. Só então tem tempo para sentar um pouquinho antes de ir à Assembleia de Deus do Sudoeste, igreja que ela frequenta segunda, quarta, quinta, sexta e no fim de semana à noite. Com o esforço, Margarida tem um rendimento mensal bruto de R$ 15 mil; sobram líquidos R$ 7 mil por mês, segundo Nívea. “Antes, misturávamos as despesas pessoais e as do negócio; agora, faço tudo com organização. Gastamos muito nas compras. Tem que ser tudo de boa qualidade para satisfazer os clientes”, explica ela, que largou o emprego na área de formação, radiologia, para trabalhar com a mãe. “Abri mão dos meus sonhos em prol dos dela, mas é muito gratificante.”

Parceria frutífera
Apesar de apenas Margô e Nívea compartilharem laços de sangue, consideram Áquila que divide o preparo das receitas com a dona e trabalhou em bufês da família; um sentimento que é recíproco. “Nós já a conhecíamos, ela é da mesma igreja, tem dado muito certo. Ela ajuda com tudo, é uma segunda filha”, define a cozinheira. “Sou uma ‘bombril’, tenho mil e uma utilidades: faço de tudo. As duas para mim são família”, retribui Áquila.

Juntas, Nívea e Áquila definem o cardápio semanal, montam as marmitas; e a filha de Margô faz entregas em Plano Piloto, Sudoeste, Octogonal, Cruzeiro, SAAN e outras áreas. As compras dos ingredientes também ficam a cargo de Nívea, que pesquisa os preços mais em conta e os melhores produtos em diversos supermercados.

Satisfação

A feijoada servida às sextas-feiras faz muito sucesso, e entre os fãs do prato está Thiago Batista, 27. Funcionário do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), ele conheceu a Marmita da Margô há oito meses e, desde então, encomenda diariamente. “É tão boa, que o resto do pessoal do meu setor também gostou e pede. São pelo menos 10 pedidos do meu departamento por dia”, conta. “O tempero é suave, o prato vem bem servido, quentinho num horário certo e o preço é acessível. É muito prático”, elogia.


"Eu faço o que gosto e trabalho com prazer. Amo cuidar da minha cozinha. As pessoas fazem muitos elogios. Fico muito satisfeita”


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