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Correio Braziliense

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Para ganhar a vida na internet

Afinal, de onde vem o dinheiro de quem trabalha com canais de vídeos? De diversas fontes, mas, principalmente, da publicidade - por meio de banners e patrocinadores

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postado em 26/06/2016 14:59 / atualizado em 29/06/2016 15:47

Ana Paula Lisboa

Os youtubers ganham rendimentos por cliques em banners e por visualizações de pequenos vídeos de propagadas noa plataforma antes da exibição do conteúdo do vlogueiro. “Normalmente, de 50% a 60% do valor do clique vai para o dono do canal. No caso do vídeo sobreposto, o Google considera que a pessoa interagiu se assistir pelo menos 30 segundos do clipe de propaganda ou se ver todo o conteúdo em caso de durações menores”, explica Carlos Barros, professor de mídias digitais do Instituto de Pós-graduação e Graduação (Ipog). “Para dar certo, esse tipo de anúncio é segmentado, é voltado para nichos específicos. A fim de que não seja só marketing de interrupção, é necessário que seja uma publicidade inteligente, se não, não trará resultado”, adverte.

“E quanto um canal rende com isso não tem a ver, necessariamente, com número de seguidores. Se a pessoa tem 1 milhão de visualizações por vídeo, mas posta apenas um por mês, deve ganhar menos. Caso tenho menos views em cada um, mas posta mais vídeos pode render mais”, compara Diego Lopes, supervisor do curso de produção de conteúdo e mídias digitais do Centro Europeu. Além disso, os profissionais do ramo conseguem um montante maior de dinheiro por meio de patrocinadores. “Aí sim, o número de seguidores importa bastante: quando maior, mais as chances de os anunciantes pagarem mais caro por isso”, observa Carlos Barros.

Segundo o professor do Ipog, uma vantagem para os anunciantes é o fato de os trabalhos na internet disponibilizarem métricas exatas. “Quem paga recebe um relatório muito completo sobre o público do canal e sobre os acessos. A mídia digital é totalmente mensurável — não é como um outdoor que você não sabe quantas pessoas passam na frente dele por dia”, descreve. O produto ou serviço anunciado pode entrar de várias formas nos canais: o youtuber pode falar sobre ele diretamente ou bolar um roteiro que use o item.

“Cada vez mais, as marcas percebem que é interessante construir uma imagem on-line e se associar a um vlogueiro é uma estratégia para atingir um público grande. Isso ocorre quando as empresas enviam brindes e, claro, quando pagam por um post”, afirma Diego Lopes. Para dar certo, no entanto, é preciso seguir alguns padrões éticos. “O youtuber precisa avisar que é um post patrocinado. O público da internet descobre rápido e não gosta de mentira.”

 

Palavra de especialista


Cuidado com a polêmica

Criticar tudo e todos nos seus vídeos pode atrair muitos seguidores. Além disso, é possível pegar carona em temas polêmicos para crescer. No entanto, tome cuidado para não criar uma imagem muito controversa. Caso contrário, apesar de ter muitos fãs on-line — e haters também —, as marcas podem ter medo de anunciarem algo com você para não terem sua reputação abalada. Podemos comparar, por exemplo, o Rafinha Bastos (2,098 milhões de seguidores no YouTube) com o apresentador de TV Luciano Huck. O primeiro tem muita fama, sim, mas as empresas procuram o segundo para fazer anúncios.

Marcelo Vitorino, consultor estrategista de comunicação digital, professor de cursos na área na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de São Paulo e no Centro Universitário Iesb

 

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Confira opções de cursos para te ajudar na carreira de vídeo on-line

Presenciais
» Curso de férias da ESPM: YouTube para youtubers e Empreendedores — Estratégias para monetização e promoção de negócios através de canais no Youtube. Ocorre sempre em janeiro em Porto Alegre. Informações: goo.gl/8wWG5Z.

» Curso de produção de conteúdos e mídias digitais do Centro Europeu, em Curitiba. Informações: goo.gl/BGHMTF.

» Studio Online. Informações: 3274-9961 / 8151-9335

» Ozi. Informações: 3032-6196 / suporte@ozi.com.br

On-line
» Escola de Criadores de Conteúdo do YouTube. Informações: goo.gl/vbbVAM.

» Imasters: Produção de vídeos pra YouTube. Informações: goo.gl/AL0ATt

 

Eu e meu cana

 

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Danielle Noce

  • Seguidores: 1.028.820
  • Visualizações: 87.579.475
  • Início: 23 de julho de 2011
  • Dica: faça algo diferente, ninguém quer ver mais o mesmo conteúdo; é preciso ter uma personalidade diferente ou fazer algo que ainda não existe no YouTube


Graduada em moda e chef confeiteira, produtora da Enfim Filmes, autora do livro Por uma vida mais doce (Melhoramentos, 352 páginas, R$ 99), dona do site de confeitaria I Could Kill For Dessert (www.ickfd.com.br) e do portal de moda e lifestyle daniellenoce.com.br, Danielle Noce, 32 anos, nasceu em Brasília e mora em São Paulo. No YouTube, com o marido, Paulo Cuenca, conquistou uma multidão de fãs com seus vídeos de receitas culinárias. “Quando iniciei, eu não via outros canais, só postavam as filmagens para enviar os links para produtoras e, assim, talvez conseguir um programa na TV. Não existia a profissão do youtuber, isso mudou", conta. "O canal nasceu porque a gente queria se mudar para Amsterdã e abrir uma confeitaria. Comecei a testar umas receitas, mas o Paulo, que estudava cinema na época, viu que eu era muito desastrada, achou engraçado e resolveu me filmar.”

Cinco anos depois, o canal conta com uma equipe de 10 pessoas, com funções como advogado e contador. Danielle levou cerca de três anos para começar a ganhar dinheiro na plataforma. "Não planejamos conseguir muitos seguidores. Você faz o que gosta e espera que alguém goste também", define. A parceria com o marido é constante. “Nenhum vídeo vai para o ar sem nós dois assistirmos antes. É um dupla de criação, tudo é feito pensando junto, até mesmo quando fazemos vlogs de viagem." As possibilidades de interação no YouTube estão entre os pontos altos da atividade. “A nova comunicação digital pede que você seja mais próxima do público. Então, na verdade você mostra seus defeitos e qualidade e acaba se aproximando da audiência, porque eles veem você como um amigo em que podem confiar e contar”, arremata.


Desbocada

 

Arquivo Pessoal

 

  • Seguidores: 863.343
  • Visualizações: 21.324.685
  • Início: 13 de novembro de 2012
  • Dica: seja você mesmo, trate de assuntos dos
  • quais entende


A humorista de stand up comedy Bruna Louise, 31 anos, foi impulsionada por Kéfera Buchmannn, que tem 8.708.546 seguidores no canal 5incominutos. As paranaenses são amigas, e a pop star do YouTube convidou Bruna para participar de gravações. “Quando lancei meu primeiro vídeo, fui de nada para 200 mil seguidores”, diz. “Não vou falar que é fácil aceitar críticas, mas aprendi a contornar e ignorar o que é só ódio gratuito”, conta ela que, com a visibilidade, também se tornou apresentadora no canal Multishow.

 

Garagem de Unicórnio

 

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  • Seguidores: 290.833
  • Visualizações: 12.477.059 visualizações
  • Início: 21 de maio de 2014
  • Dica: não queira se tornar um youtuber de sucesso a todo custo. Pense num conteúdo legal, produza com carinho e compartilhe. Se for bom, o sucesso virá naturalmente


Em seu canal, a tetracampeã mundial de skate Karen Jonz, 30 anos, mostra manobras. Formada em rádio e televisão e design, ela mora na capital paulista e foi incentivada por um diretor de TV a abrir o canal. Casada com o vocalista da banda Fresno, Lucas Silveira, o YouTube passou a ser algo relevante para a skatista durante a gravidez da filha Sky, que nasceu em janeiro. “Eu não podia andar de skate e comecei a me dedicar mais a isso.” Mostrar a vida pessoal é importante para o público. “É o que as pessoas mais querem ver.”

 

Beleza Teen

 

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  • Seguidores: 1.382.386
  • Visualizações: 142.428.974
  • Início: 16 de outubro de 2013
  • Dica: não crie o canal pensando em ganhar dinheiro, faça porque gosta e não copie outros; carisma, espontaneidade, naturalidade e humor são uma boa fórmula


Com pouca idade, Nathany Petrin Martins, 14, e Mariany Petrin Martins, 12, reuniram uma multidão de seguidores para falar sobre maquiagem, vida de adolescente e cumprir desafios . Moradoras de Varginha (MG), elas sempre gostaram de fazer vídeos e resolveram criar um canal sem muitas pretensões e, em seis meses, começaram a ter faturamento. Deu tão certo que a mãe delas, Valquiria Petrin, 30, largou o emprego como projetista de móveis para assessorar as filhas, na edição e na produção dos vlogs. “Hoje trabalho mais, mas o faturamento é bem maior. Não posso falar quanto ganhamos, mas a renda vem de cliques em anúncios, produtos patrocinados e postagens no Instagram”, conta Valquiria.

“Começamos com uma câmera simples. Agora, temos duas profissionais, além de iluminação e tripé. Também trocamos de computador. Essa qualidade faz diferença”, observa. Para não terem prejuízos no rendimento escolar, as irmãs gravam os vídeos aos fins de semana. “Não imaginávamos que isso ia ganhar essa proporção. É inacreditável, porque, no começo, os vídeos eram péssimos”, explica Nathany. O tom das postagens mudou com o tempo. “Saímos da beleza e fomos fazendo o que o público pedia, desafio, vídeos de humor.” Uma das partes mais divertidas do trabalho, segundo ela, é ser reconhecida por fãs na rua e conhecer pessoas famosas. Os desafios, em que elas fazem loucuras, como entrar numa banheira cheia de salgadinhos, são “a parte mais engraçada” para Mariany. “Críticas sempre têm, graças a Deus não são tantas. Eu ignoro, porque sei que dar bola não adianta.” A dupla lançou o livro Papo de menina (Astral Cultural, 160 páginas, R$ 24,90).

 

A vida de gordo

 

Ana Rayssa
 

  • Seguidores: 11.645
  • Visualizações: 627.355
  • Início: 21 de outubro de 2012
  • Dica: se for falar de um tema comum, tente fazer de uma forma original; invista na qualidade técnica


Morador de Brasilia, Rubem Cezar, 25, é dono da produtora Fábrica 101, responsável por sete canais no YouTube. Ele faz vídeos desde que estava na escola e resolveu lançar um próprio: A vida de gordo. Nas gravações, enquanto curte comida e cerveja, fala de entretenimento. “Para fazer um bom material, fui atrás de cursos de edição, filmagem e iluminação”, revela. A maior fonte de renda é produção de outros canais, mas com o A vida de gordo, Rubem ganha com patrocinadores locais, como lojas e restaurantes. “Sempre deixamos claro quando é publicidade, que rende cerca de R$ 1 mil no primeiro canal. Isso é importante, porque o pessoal não gosta de ser enganado”, percebe o publicitário.

 

 

 

 

 

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