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PERFIS DE SUCESSO / REGINALDO MORIKAWA »

Carro-chefe: agricultura natural

Para o CEO da Korin, empresa de produtos orgânicos ligada à Igreja Messiânica, o crescimento da companhia é fruto de dedicação a itens de qualidade, que fazem bem à saúde e adaptados às vontades dos consumidores

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postado em 03/07/2016 14:42 / atualizado em 03/07/2016 14:47

Ana Paula Lisboa

Paulinho de Jesus
A Korin - Agricultura Natural foi aberta em 1994 por membros da Igreja Messiânica Mundial, em São Paulo, e é referência em produtos orgânicos e sustentáveis no Brasil. A iniciativa conta com nove famílias de mercadorias — frangos, bovinos, peixes, cereais, água mineral, café, mel, produtos artesanais e do extrativismo, e insumos orgânicos. Os artigos estão disponíveis em supermercados, restaurantes, lojas da própria Korin e outros estabelecimentos. O carro-chefe é o frango, criado sem nenhum tipo de antibiótico. A empresa é baseada na filosofia do japonês Mokiti Okada (1882-1955), conhecido como Meishu-sama, o fundador da Igreja Messiânica Mundial, que criou o conceito de agricultura natural. O princípio estabelece o cultivo sem uso de tóxicos ou fertilizantes, de modo a produzir em harmonia com o solo e o ambiente. O objetivo é oferecer alimentos que não prejudiquem a saúde do lavrador ou do consumidor e resguardem os recursos naturais.

Há cerca de 2.200 pontos de venda em todo o país e 378 restaurantes com produtos Korin no cardápio. Além disso, desde 2010, quando passou a contar com sistema de franquia, há uma loja em Campo Belo (SP), duas no Rio de Janeiro (na Tijuca e em Copacabana), duas no Rio Grande do Norte (em Natal e em Parnamirim) e uma em Brasília. Em 2015, o empreendimento rendeu R$ 108 milhões. “A receita do sucesso da Korin vem, em primeiro lugar, da filosofia de Mokiti Okada e, em segundo lugar, do fato de sermos uma empresa que olha do cliente para a indústria, e não o contrário. Não visamos apenas o que é eficiente e rentável: formatamos tudo para atender melhor o consumidor. Isso envolve inclusive mudar uma bandeja de 1 quilo para 600 gramas, porque é o que comprador quer”, exemplifica o quarto CEO da organização, Reginaldo Morikawa.

“A gente produz com idoneidade, qualidade, confiança e saudabilidade”, complementa ele, que está à frente da Korin desde 2007. Entre o ano de posse de Morikawa e 2015, a Korin cresceu 445% em faturamento. Mesmo durante a crise, a firma só avança. “Nossas vendas cresceram 31% entre janeiro e maio de 2016, em comparação com o mesmo período do ano passado, sendo que esperávamos um crescimento de 25% no ano inteiro”, comemora. Antes de chegar à liderança da Korin, o técnico em eletrônica, engenheiro mecatrônico e graduado em publicidade e marketing passou por todos os setores da empresa. “Comecei no chão de loja, em 1994. Conheci a filosofia por meio da Igreja Messiânica e migrei minha carreira para a área de alimentos.” Com o tempo, Morikawa cresceu na organização e foi galgando cada vez mais postos de destaque.

Em 1997, a Korin enfrentou uma grande mudança, acompanhada de perto pelo descendente de japoneses e italianos. “Passamos de supermercadistas para fornecedores de produtos. Fechamos todos os supermercados que tínhamos, com exceção do que temos na Vila Madalena, em São Paulo. Foi então que fui trabalhar no setor de atacado.” Num mercado que ainda não aceitava bem orgânicos, foi preciso coragem para lançar o carro-chefe da companhia: o frango orgânico, que custava o dobro dos outros. Mas a qualidade não deixou o projeto dar errado. “Em 1999, abatíamos 7 mil frangos por dia; hoje, são 22 mil”, conta. O presidente detém 1% das ações da companhia. “Como somos ligados a uma igreja, é quase como se fôssemos uma ONG. A instituição religiosa é sócia majoritária, mas não pega nada dos rendimentos: tudo é reinvestido na empresa”, explica. No entanto, a religião não é pré-requisito para trabalhar na Korin: dos 500 funcionários diretos, apenas 10% são messiânicos.

 

Gabriele Studart
 

Produção nacional
Cada artigo tem um local próprio de produção. As 2.200 toneladas mensais de frangos — tanto os sustentáveis, que se alimentam de milho e soja transgênicos; quanto os orgânicos, cujo alimento é 100% natural — são geradas numa fazenda de 173 hectares em Ipeúna (SP), que, graças a isso, foi elevada a Capital da Agricultura Natural do Brasil no ano passado. As 100 toneladas de carne bovina sustentável produzidas por mês e as cinco de carne orgânica vêm de gado do Pantanal. Trutas e tilápias são criadas no Sul de Minas Gerais; de onde também vem a água mineral do grupo.

Na família cereais, que inclui arroz só para esse grão, envolve-se o trabalho de mais de 150 assentados rurais —, feijão e milho, as plantações são provenientes de agricultores familiares do Rio Grande do Sul, e parte do milho também é cultivado na fazenda da Korin em Ipeúna. A geração de mel e extrato de própolis está centrada em Santa Catarina e Paraná. As castanhas, pimentas e conservas de picles são produzidas em Goiânia e Distrito Federal, agregando o trabalho de 3 mil famílias. Em todo esse processo, o número de empregos gerados é volumoso. Diretamente na Korin, são empregados 500 colaboradores, mas a quantidade de vagas indiretas é incalculável, e envolve produção, transporte e outras etapas.

Na capital federal, o responsável por distribuir os produtos da Korin é o administrador e técnico em agropecuária Verinaldo da Silva Souza, 41 anos. “Comecei a trabalhar na empresa aos 19 anos, época em que havia uma unidade e uma fazenda em Brasília, no ano em que a Korin foi aberta. Conheci os princípios da agricultura natural ao mesmo tempo em que me interessei pelos preceitos religiosos de Mokiti Okada”, lembra. Em 2002, a companhia encerrou a filial no Distrito Federal, e Verinaldo abriu uma empresa de representação e distribuição comercial dos produtos, a Espaço Natural, localizada na 714/715 Norte, onde conta com uma câmara fria com capacidade para armazenar 500 toneladas de frango e vende em atacado.

Há dois anos, ele se tornou franqueado e abriu, na mesma quadra, uma unidade de varejo e entrega em domicílio, que recebe cerca de 75 clientes por semana. Outro ponto forte do trabalho é a feira de agricultura natural que Verinaldo promove às terças, quintas e sábados, das 7h às 12h, no espaço da Igreja Messiânica (314/315 Norte). “Foi uma das primeiras feiras orgânicas do DF e recebo 600 clientes por semana”, conta. “É um orgulho fazer parte disso, e o que me motiva é levar saúde e felicidade às pessoas”, diz ele, que conta com 12 funcionários.

 

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