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A dama da hotelaria brasileira

CEO da rede Blue Tree Hotel e uma das empresárias mais poderosas do país fala sobre valores, background cultural duplo e deixa dicas para jovens profissionais. Ela aposta em atravessar a crise como sempre fez: buscando excelência

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postado em 10/07/2016 15:28

Ana Paula Lisboa

Bue Tree/Divulgação
Fundadora da rede Blue Tree Hotel, presente em 19 cidades do país com 24 hotéis, Chieko Aoki, 67 anos, está com a carreira a pleno vapor. Só este ano, a CEO inaugurou três novos hotéis: Blue Tree Towers Guarujá, Blue Tree Premium Design Rio de Janeiro e Blue Tree Towers Valinhos. O próximo passo é abrir uma unidade em Ribeirão Preto dentro dos próximos 12 meses. Recentemente, a companhia anunciou parceria com a incorporadora Incortel para administrar 15 hotéis.

O sucesso da companhia, cujo nome homenageia a família da presidente (Aoki e Blue Tree significam árvore azul, respectivamente, em japonês e em inglês), é fruto de busca pela excelência. Desde o lançamento, em 1998, Chieko transformou o conglomerado hoteleiro em referência na área. Em 2015, o faturamento das unidades, que contam com 2 mil funcionários, ultrapassou R$ 356 milhões.

Viúva e sem filhos, em 2013, ela foi listada pela revista norte-americana Forbes como a segunda mulher de negócios mais poderosa no Brasil. Formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP), a dama da hotelaria brasileira fez curso de administração na Universidade de Sofia, em Tóquio, e de administração hoteleira na Cornell University, nos EUA. Nascida em Fukuoka, no Japão, migrou para Bastos (SP) na tenra infância. Aprenda com esse ícone do profissionalismo em entrevista exclusiva.

Como é a sua rotina?
Sou muita ativa, gosto de acordar cedo, assim o dia rende e posso aproveitá-lo mais. Geralmente, eu me levanto às 6h, faço exercícios e, em seguida, tomo café da manhã. Algumas vezes, antes de ir para o escritório corporativo da Blue Tree, passo em alguns hotéis para verificar se está tudo bem. Participo de reuniões dentro e fora do escritório, gosto muito de visitar clientes atuais e potenciais para entender como posso atender melhor. Atualmente, integro o grupo Mulheres do Brasil, coordenado pela Luiza Helena Trajano (presidente do conselho administrativo da rede Magazine Luiza), que tem despertado nas mulheres a consciência do quanto podemos e devemos contribuir para o país.

Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no mercado de trabalho?
Muitas pessoas me perguntam se, no início da carreira, sofri preconceito por ser mulher. Não! Também nunca me senti constrangida pelo meu gênero no ambiente corporativo. Quando comecei minha trajetória profissional, havia poucas trabalhadoras no ambiente hoteleiro, mas nunca passei por casos de discriminação. Já os desafios, posso dizer que eles existem e fazem parte da nossa vida: são diários e vamos superando e aprendendo. A crise que estamos vivendo desde 2015 é uma das mais sérias, e os obstáculos são imensos, porque, de repente, o mercado sumiu. Antes, era como estar no ringue para lutar. A pior situação é não ter ringue onde atuar. O que resta a fazer neste caso é construir, aos poucos, outro campo de batalha. Estamos buscando novas oportunidades e esquecendo um pouco o passado. Outros tempos exigem novas ideias e soluções. O mundo sempre caminhou assim.

Do que você teve que abrir mão para ser a CEO de uma organização tão grande?
Considero que não tive que abrir mão de nada. Acredito que a vida é feita de escolhas, nós somos protagonistas e podemos optar pelo rumo que desejamos seguir. Assumir uma posição e tomar decisões faz parte da vida. Não costumo me arrepender das decisões tomadas, pois avalio antes de agir — assim evito frustrações. Eu escolhi alcançar o meu sonho de fundar a Blue Tree, pois sempre acreditei nisso. Como a minha carreira sempre foi um momento de prazer, só consigo ver as coisas boas que conquistei.

Quais dicas você pode dar a aspirantes a empreendedoras ou a altos postos?
Todo cargo é apenas um cargo — a diferença é que, em altas posições, as responsabilidades aumentam. Gosto do ditado “ninguém nasce sabendo”. Isso vale para todo o período de nossas vidas. Em cada etapa, há o desafio de fazer melhor, mais e de cuidar de coisas novas. Há acertos e erros, mas, com certeza, mais acertos, se nos importamos seriamente em fazer melhor. Aos poucos, notamos que estamos melhores, sabemos resolver problemas mais difíceis. Gosto de desafios e procuro sair da zona de conforto, pois acredito que conforto é bom, mas para depois de um dia de muito trabalho. Antes de concorrer com o mercado é preciso concorrer com nós mesmos. Ser feliz é ter um trabalho que desperta paixão contínua, instiga a curiosidade e que seja alinhado com nossos valores e propósitos. Aí ninguém segura as pessoas. É como uma chama interna que empurra a gente para buscar mais. Tem gente que chama essa chama interna de sonhos. Faz parte da natureza humana querer algo melhor amanhã, desejar construir um mundo melhor onde você deixa seu legado.

O background cultural é uma vantagem?
Percorrer as culturas brasileira e japonesa me ajudou a extrair o que há de melhor nas duas. Apesar de ter saído do Japão aos seis anos, acredito que a infância tem muita influência na vida adulta. Depois da mudança, meu aculturamento e estudos foram brasileiros, cujas influências foram muito maiores para a minha formação (diria que a experiência brasileira é responsável por 90% de quem eu sou). Mas os 10% restantes me mantêm interessada no Japão, viajando 27 horas com frequência para aprender e contribuir para o fortalecimento dos laços de amizade, negócios e de cultura entre os dois países. Falando de forma específica sobre aspectos pessoal e profissional, valorizo a colaboração, o bem comum, a generosidade de alma, o trabalho sério, o respeito, sem nunca abrir mãos de valores inegociáveis, como ética e honestidade. Essas crenças influenciaram positivamente a gestão da Blue Tree. Quer um exemplo? Nosso retorno a Brasília, no fim do ano passado, com o Blue Tree Premium Jade, teve receptividade acima do esperado pelo fato de os clientes reconhecerem nossos valores.


"Ser feliz é ter um trabalho que desperta paixão contínua, instiga a curiosidade e que seja alinhado com nossos valores e propósitos”

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