SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

ORIENTAÇÃO VOCACIONAL »

A hora da escolha

Definir a carreira é um daqueles momentos-chave na vida e trará impactos de longo prazo. Pesquisa revelou que a família e a remuneração são os quesitos que mais influenciam a decisão. Confira dicas para não errar

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/07/2016 16:41 / atualizado em 27/07/2016 15:05

Thaissa Leone Especial para o correio

Gabriela Studart

Várias dúvidas e preocupações enchem a cabeça de jovens na hora de escolher a profissão. A sensação de que precisam eleger algo para toda a vida e o medo de decepcionar a família estão entre os fatores que complicam a decisão. Para compreender o que pesa mais nesse momento, a Universidade Anhembi Morumbi entrevistou mais de 31 mil alunos de ensino médio do estado de São Paulo. Os resultados foram divulgados este mês e mostram que 59% dos estudantes definiram a área de atuação antes de terminar o ensino médio. Entre os entrevistados, 35% afirmaram ter sido influenciados pelos pais e 17% foram atraídos pela remuneração da área.


De acordo com Mariana Parucci de Oliveira, coordenadora de Pesquisa na Universidade Anhembi Morumbi, a remuneração é um ponto de preocupação entre adolescentes por causa da competitividade do mercado de trabalho. “Eles têm se preocupado em escolher uma profissão que traga segurança financeira, uma vez que sabem que serão muito cobrados em qualquer profissão. É uma questão de retorno”, revela. “Era esperado forte peso da opinião familiar. Os parentes têm papel fundamental por fatores como experiência, proximidade e confiabilidade perante os jovens”, detecta. Para Mariana, “não existem problemas em seguir a carreira dos pais, desde que seja uma decisão individual”.


Formado em medicina pela Universidade de Brasília (UnB), o oncologista com residência feita no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) Márcio Almeida, 37 anos, vem de uma família com muitos médicos e é realizado na profissão. Filho de uma dona de casa e de um anestesiologista, é irmão de uma nefrologista e primo de uma nefrologista, de um ortopedista e de uma estudante de medicina. Márcio decidiu seguir a área aos 8 anos, e a influência paterna foi muito forte, mas ele observou vantagens por conta própria. “Meu sempre disse que era um bom trabalho. Eu sabia que não ficaria desempregado e poderia ter qualidade de vida, mesmo que trabalhasse muito e fizesse plantões”, conta.

Falta autonomia
Master coach formada pela Sociedade Latino-Americana de Coaching e fundadora da empresa de consultoria que leva seu nome, Silvia Bez tem uma visão diferente sobre a influência da família. Para ela, o resultado do estudo sinaliza que as novas gerações estão perdidas em relação aos próprios desejos. “Os jovens têm muitas oportunidades e caminhos abertos, mas não sabem exatamente o que querem”, observa. “O ideal seria que buscassem se conhecer antes, adquirir consciência sobre as próprias qualificações e competências, entender a profissão escolhida com pesquisas e visitas a universidades e conversas com coordenadores de curso e profissionais da área. Só então deveriam escolher”, explica. Isso evitaria frustrações futuras — algo comum. De acordo com levantamento do Projeto 30, em que a consultoria Giacometti Comunicação entrevistou 1,2 mil pessoas, 52% dos profissionais com 30 anos estão insatisfeitos com a carreira, dizem trabalhar para sobreviver e não gostam do que fazem.


Depois de cursar sete semestres de farmácia na Universidade de Brasília (UnB), Jéssica Jacovetti, 24 anos, abandonou a graduação pelo sonho de estudar odontologia na mesma instituição, bacharelado em que ingressou no início deste ano. “Eu adorava ir ao dentista quando era criança, amava o cheiro do consultório da minha tia, então sempre quis trabalhar com isso. Só que no ano em que tentei o vestibular, não passei. Na segunda tentativa, resolvi colocar farmácia para não fazer cursinho de novo e consegui uma vaga. Mais tarde, vi que não era o que queria”, conta. Além da preferência pela área, o retorno financeiro foi um diferencial para a decisão. “Farmácia é um curso muito bom, mas difícil: é preciso estudar muito. Mesmo assim, paga-se pouco pelo trabalho de farmacêutico; o piso salarial é menor e não dá opção de abrir um consultório.” Apesar de ter um avô e vários tios dentistas, Jéssica garante que não sofreu influência dos parentes e conta com o apoio dos pais, ambos advogados, nas decisões.

As queridinhas
O estudo feito pela Universidade Anhembi Morumbi aponta que as cinco profissões mais citadas pelo jovens são administração, arquitetura e urbanismo, direito, biomedicina e engenharia civil. Na hora de escolher a instituição de ensino, os alunos pesam o reconhecimento do mercado, do Ministério da Educação (MEC) e a infraestrutura oferecida. Apesar de haver uma grande diversidade de cursos e carreiras, Mariana Parucci de Oliveira, coordenadora de Pesquisa da Anhembi Morumbi, acredita que os estudantes conhecem, em média, apenas 10% das opções, que são muitas: segundo o MEC e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), há 255 cursos superiores e 233 formações técnicas. Além disso, o Ministério do Trabalho lista 90 profissões regulamentadas e 2.600 ocupações. “Por isso, é bom pesquisar as áreas disponíveis. As mais tradicionais são populares porque são mais reconhecidas.”


Ana Clara Moroishi, 17 anos, está no 3º ano do ensino médio e ainda não decidiu em que curso pretende ingressar. “Quero estudar na Universidade de Brasília, mas não sei o que. Sou boa em exatas, mas estou em dúvida entre publicidade, engenharia de produção ou engenharia de redes”, diz. Ana Clara fez um teste vocacional com a Praxis, empresa júnior de psicologia da UnB. “Isso me ajudou bastante, mas ainda fiquei em dúvida entre os três cursos”, diz. “É uma coisa que vou ter que fazer para o resto da vida, por isso preciso gostar. É uma decisão séria”, acrescenta. Os pais de Ana Clara recomendaram três cursos para a estudante: arquitetura, direito e administração. No entanto, a jovem não tem interesse em nenhuma das áreas.

 

Recomendações

Márcio Souza, psicólogo, coach, orientador vocacional, psicoterapeuta, dono de um canal de dicas de carreira (disponível em bit.ly/2a3g7Kv), dá orientações para não errar na escolha:
» Autoconhecimento: Tenha noção das suas habilidades e busque profissões que combinem com elas.
» Orientação profissional: Fazer testes vocacionais é interessante para ter uma ideia das opções, mas você não precisa bater o martelo a partir deles.
» Diálogo com a família: Se escolher uma profissão que a família não aprove, converse e explique a decisão.
» Internet: Pesquise bastante sobre cursos e carreiras para não errar.

publicidade

publicidade