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Profissão: designer de interiores

A área não tem regulamentação, mas o cenário do DF é aquecido para os que decidem trabalhar com móveis e espaços internos. Há opções de formações técnicas e tecnólogas para a atividade

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postado em 07/08/2016 14:30 / atualizado em 07/08/2016 15:36

Ana Paula Lisboa

Gabriela Studart

Mobiliar, iluminar e decorar um ambiente — seja residencial seja comercial — envolve mão de obra capacitada. Como não há regulamentação na área, vários profissionais se ocupam dessa missão. É possível encontar designers de interiores, técnicos em móveis, arquitetos, decoradores e ainda pessoas sem capacitação atuando no ramo. Divergências sobre o fato de uma categoria invadir ou não o mercado da outra à parte, o fato é que o DF tem uma boa clientela para a atividade. O arquiteto Eduardo Frederico Nogueira está à frente da supervisão de cursos técnicos em produção cultural e design no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-DF) e acredita no potencial de Brasília.


“A capital federal tem um mercado bom: são muitos apartamentos em locais como Águas Claras, temos shoppings especializados em móveis. Por isso, acredito que tem espaço para todos os profissionais”, observa. Larissa Cayres, coordenadora do curso de design de interiores do Centro Universitário Iesb, iniciado há nove anos, concorda. “Há um público grande para espaços residenciais e comerciais por aqui”, analisa. “Por um lado, ter pessoas com várias formações atuando num só nicho dificulta, por outro lado, cada capacitação tem seu diferencial”, destaca Ricardo Teles, professor de produção moveleira do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB). Segundo ele, esse mercado se aquece de acordo com a construção civil. “Quando esse setor, está em alta; o de ambientes também fica.”


Gabriela Studart

João Arthur Nogueira de Rezende, professor substituto no curso de desenho industrial na Universidade de Brasília (UnB) e instrutor do curso de qualificação em design de móveis que será lançado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-DF) em breve, aposta que a área se expandirá ainda mais. “O ramo está em franca acensão. Brasília não tem muito espaço para indústria pesada. Na contramão desse cenário, a indústria moveleira é muito presente”, diz.


O diretor da Terra Ambientes no DF, Murillo Claret Pedros, 28 anos, colhe os bons ventos do mercado local, mas avalia que a concorrência é muito grande. “Há um canibalismo. Tem loja abrindo e fechando o tempo todo. Mas o que nos favorece é um trabalho benfeito e garantido há muito tempo, tanto que 80% dos clientes chegam por indicação”, diz. A empresa foi fundada pela família dele em Goiânia há três décadas e chegou a Brasília nos anos 1990. Os 18 funcionários da filial da 212 Norte ou são formados em design de interiores ou cursam formação na área. “A diferença entre quem fez o curso ou não está na preocupação com a ergonomia”, garante. Eliane Reis, 33, é designer de interiores na empresa e vê, no briefing, uma parte importante da atividade. “Eu procuro saber do que a pessoa gosta, se tem filho, com o que trabalha… Isso é fundamental para elaborar um projeto de acordo com as necessidades do cliente, que alie funcionalidade e beleza, otimizando espaços.” No caso projetos comerciais, a pesquisa é ainda maior pois há normas técnicas a seguir.

 

Estudar para atuar
O Senac-DF iniciou, em 2009, a primeira turma do curso técnico em design de interiores, com 1.120 horas de aulas. Para Eduardo Frederico Nogueira, a existência do curso técnico em design de interiores não se choca com a da graduação na área. “Nossa formação é bastante prática. No caso de tecnólogo (nível superior), há conteúdos mais analíticos e gerenciais”, compara. Ele admite, porém, que pode existir competição. “A concorrência aparece de forma natural, porque o técnico pode ir se capacitando. No entanto, são perfis que se complementam. Como não há um conselho que determina o que cada um pode fazer, há confusão. Quando houver regras específicas, será como o caso do enfermeiro e do técnico em enfermagem — as duas funções coexistirão sem problemas.” Quando se trata de pessoas sem qualquer tipo de estudo atuando na área, Eduardo se posiciona de forma contrária.


No Centro Universitário Iesb, o curso de tecnólogo em design de interiores tem duração de dois anos e, segundo a coordenadora da formação, Larissa Cayres, tem abordagem teórica e prática. “Procuramos algo muito completo: não é só um decorador ou um desenhista”, explica. “Criar e projetar móveis é apenas um dos nichos em que esse profissional pode atuar: projetos de iluminação e vitrines de lojas também estão entre as atribuições”, revela.


Formada em direito Kenia Barros, 30 anos, se descobriu na segunda graduação: a de design de interiores. “Minha mãe é designer e meu padrasto é engenheiro. Seria interessante abrir uma empresa e contar com a ajuda deles”, planeja. Fábio Rosemberg, 36, graduado em letras-inglês; a economista Thalita Gonçalves, 36; a bacharel em direito Mônica Luna, 26, que pensa em trabalhar com mobiliário; e a funcionária pública Walmeria Rodrigues, 52, também vislumbraram na área a chance de se realizar numa segunda carreira. Thalita acha “interessante criar espaços bonitos e funcionais, especialmente num contexto em que as pessoas moram em lugares cada vez menores e é preciso planejar”.

 

Capacitação inovadora

 

Gabriela Studart

No câmpus Samambaia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB), os alunos têm acesso a duas formações bastante diferenciados no ramo: o curso técnico subsequente em móveis, oferecido desde 2011, com dois anos de duração; e o técnico integrado em móveis, em que os participantes estudam os três anos do ensino médio concomitantemente. A primeira turma da última modalidade teve início este ano. Na primeira opção, os participantes aprendem sobre todas as etapas da produção de um móvel, envolvendo planejamento e produção, em que eles colocam a mão na massa como marceneiros. Já nas aulas integradas com o ensino médio, a turma recebe conteúdos apenas sobre a parte de criação. “Eles conhecem o maquinário, mas não se envolvem com os cortes”, diz Fernanda Torres, coordenadora da área de produção moveleira.


De acordo com ela, um grande diferencial do IFB está nos laboratórios de qualidade, além do fato de o ensino ser gratuito. Segundo Ricardo Teles, professor no IFB, o salário de um técnico em móveis fica em torno de R$ 2,5 mil, sem contar as comissões. “Apesar de ser uma formação prática, é bastante completa. Não é um marceneiro. Eles entram no mercado para auxiliar designers de interiores, arquitetos e outros profissionais”, informa. “A maioria dos egressos se torna empreendedor. Existem também opções de concursos para técnico em móveis. Os que vão para iniciativa privada se inserem em empresas pequenas”, complementa Fernanda.


Abrir uma empresa foi o caminho escolhido por André de Morais, 32, que terminou o curso técnico em móveis em 2015 e, hoje, é dono do Estúdio Cedros, que por enquanto funciona em home office, mas ele planeja levar a ao Casa Park. “Eu não era bom em desenho, mas o curso me ajudou a desenvolver essa habilidade e dominar modelagem em softwares”, comenta ele que cursa logística na Universidade Católica de Brasília (UCB).

 

Gabriela Studart

Guilherme Alves Moreira, 16, Susanne Raphaela Guimarães e João Pedro Alves, 15, estão no primeiro ano do ensino médio no curso técnico integrado de móveis e são só elogios para a formação. “Eu soube da formação por causa de um panfleto e estou aproveitando muito. Águas Claras, onde moro, tem muito mercado para isso, então vejo um futuro promissor”, diz João Pedro.


O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-DF) lançará em breve as primeiras turmas do curso de auxiliar em design de móveis. Graziela Cristiane de Almeida, professora dos cursos técnicos de design gráfico e multimídia na instituição, explica que a nova capacitação a ser aberta pelo Senai “visa uma junção da marcenaria tradicional com o design de produtos, com abordagem criativa” e oferece a possibilidade de “botar a mão na massa” em laboratórios muito completos.


Por enquanto, a instituição conta com opções na área de marcenaria. José Araújo, professor do ramo, acredita que o salário médio de um aluno formado na área é de R$ 1 mil. “Os estudantes recebem habilidades técnicas para leitura de projetos e então elaboram processos de execução das peças de madeira”, explica. Odilio Pedroso Soares, 49 anos, terminou o curso de qualificação em marcenaria em julho de 2015 e conta que foi fácil arrumar emprego. “Tem muita vaga. Gosto de pegar a madeira do zero e criar em cima disso minha arte”, completa ele que abriu agora uma empresa própria.

 

Regulamentação

Tramita no Senado Federal o Projeto de Lei da Câmara 97/2015, que regulamenta o ofício de designer de interiores e assegura o exercício da função a portadores de diploma de nível superior na área. Em 15 de junho, a proposta foi encaminhada à Assessoria Técnica da Secretaria-Geral da Mesa.

 

Estude

Senac-DF / www.senacdf.com.br
Oferece curso técnico em design de interiores, além de formações livres. Está com matrículas abertas para Sketchup – desenho de ambientes e objetos em 3D, introdução ao paisagismo e desenho arquitetônico.

Senai-DF

/ www.portaldaindustria.com.br Oferece cursos diversos em marcenaria. Lançará duas turmas do curso de auxiliar em design de mobiliário. A primeira começa em 29 de agosto.

IFB / www.ifb.edu.br
Oferece curso técnico subsequente em móveis e curso técnico em móveis integrado com ensino médio de graça. 

 

Curso superior em design de interiores
Centro Universitário Iesb / www.iesb.br
Centro Universitário de Brasília (UniCeub) / www.uniceub.br
Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) / www.udf.edu.br
Centro Universitário Unieuro / www.unieuro.edu.br
Centro Universitário Planalto do Distrito Federal (Uniplan) / www.uniplandf.edu.br
Faculdade Anhanguera / anhanguera.com.
Universidade Paulista (Unip) / www.unip.br
Faculdade Estácio / portal.estacio.br

 

 

 

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