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Seu nome está em jogo

Ser um bom profissional nem sempre basta para alcançar o sucesso. Além de trabalhar corretamente, é preciso passar essa impressão aos outros. Só assim é possível construir uma imagem positiva. Confira dicas e desenvolva sua marca pessoal

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postado em 14/08/2016 15:16 / atualizado em 14/08/2016 15:41

Gabriela Studart

O que será que falam quando você não está por perto? Quem tem uma reputação confiável não precisa temer comentários de colegas e chefes ou até de companheiros de trabalho com os quais não convive mais, mas que podem influenciar o jeito como o profissional é visto. Para garantir uma boa marca pessoal, um dos ingredientes é manter um convívio agradável com todos com quem se relaciona, não esquecer os próprios valores pessoais e investir nas habilidades e experiências adquiridas ao longo da vida. Os que cuidam da imagem terão vantagens no dia a dia na firma e até no futuro, quando precisarem, por exemplo, de uma carta de recomendação ou indicação para emprego. Ser um bom profissional ajuda, mas não basta! É importante se preocupar também com a impressão que você passa.


“É fundamental. Apenas assim as pessoas confiarão em você, se lembrarão de procurá-lo quando precisarem de seus conhecimentos e habilidades, oferecerão oportunidades... É o que abre portas na vida profissional e mesmo pessoal”, assegura Maria do Carmo Marini, especialista em desenvolvimento de pessoas pelo Centro de Desenvolvimento de Carreira da Universidade de São Paulo (USP). A pedagoga especializada em educação inclusiva Rosimeira de Andrade, 44 anos, faz seu dever de casa quando o assunto é cuidar da reputação. A funcionária da Escola Classe 3 de Ceilândia há oito anos é muito elogiada pelos colegas, em todos os aspectos. “Eu me baseio nos meus valores e sempre estou me atualizando. Busco não fazer com os outros algo que eu não gostaria que fizessem comigo. Quando vou dar uma opinião, mesmo que o assunto me cause estresse, ajo com tranquilidade e respeito”, explica.


Companheira de escritório de Rosimeira, Eremita Teixeira, 48, é só elogios à pedagoga. “É muito bom trabalhar ao lado de uma pessoa que sempre é alegre e disposta a ajudar”, comenta. Chefe da secretaria da escola, Eremita ressalta outras qualidades da colega. “Ela se veste e fala adequadamente e sempre dá apoio aos outros, o que a torna um bom exemplo a ser seguido.”

Administre seu estilo

Um conceito que vem ganhando espaço no mercado é o de personal branding, que é a maneira como você gerencia sua marca pessoal, segundo Maria do Carmo Marini, consultora e coach do CEOlab, laboratório paulistano voltado a executivos. “Também é o modo como você ressalta e fortalece o conjunto de características capazes de demonstrar aquilo que o diferencia e o torna único”, complementa. Já a marca pessoal é uma combinação entre a maneira como você descreveria a si mesmo e a forma como os outros costumam falar de você. “É a soma de personalidade, habilidades, conhecimentos, capacidades, interesses, qualidades, crenças, aparência... Ou seja, tudo aquilo que caracteriza o indivíduo”, acrescenta.
Outro termo relacionado ao assundo é o de marketing pessoal. “Ele é mais superficial, voltado somente a imagem e com objetivos de transformação oportunistas e de curto prazo. Já o personal branding tem o foco no conteúdo e na reputação e se propõe a planejar a marca pessoal em longo prazo, pesquisando e avaliando percepções dos públicos em confronto com os objetivos de carreira da pessoa”, explica Arthur Bender, autor de Personal branding.


Segundo Irene Azevedo, diretora de Transição de Carreira e Gestão da Mudança da Lee Hecht Harrison, consultoria em desenvolvimento de talentos, a marca pessoal é notada desde o primeiro contato, como numa entrevista de emprego. “Principalmente, neste momento, em que a situação econômica do país está difícil, ter uma boa reputação conta na hora de garantir o emprego”, comenta. Irene explica que é preciso observar o local de trabalho para saber como construir a sua imagem. “Além de conhecer a si mesmo, é necessário saber bastante sobre o meio no qual atua, identificar se é formal ou informal, para perceber como é melhor se vestir e portar”, salienta.


Psicólogo com MBA em gestão de recursos humanos pela Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), Marcos Vono garante que o primeiro passo para edificar uma boa marca pessoal é ser competente. “Não adianta só construir uma imagem: o conteúdo é mais importante”, garante. Cuidar da reputação envolve, além de tomar atitudes positivas, evitar a superexposição — principalmente em cargos de liderança, em que o indivíduo serve de exemplo. “As redes sociais, por exemplo, podem ser tanto positivas quanto negativas. Uma publicação pode ser interpretada de uma forma que você não queria; e o efeito será um impacto negativo à sua reputação.”


De acordo com Vono, é imprescindível ter cautela e, se você achar que certa atitude pode gerar polêmica, é melhor não arriscar. Juliana Palermo, especialista em marketing e consultora da Stato, empresa especializada em recrutamento, comenta que zelar pela impressão que você passa é importante em todos os meios e especialmente na internet. “As redes sociais são uma ferramenta facilitadora para expor a sua marca pessoal. É preciso tomar cuidado, porém, com o tipo de conteúdo postado. É muito comum ver pessoas revelando atitudes discriminatórias pelos canais on-line, e isso é algo muito negativo.”

Tempo de evolução
Estudante do sétimo semestre de direito, Aline Calixto, 21, gostava de usar roupas curtas e justas, mas mudou de estilo para ser mais aceita no trabalho. “Criei outra marca pessoal, pesquisando, tentando achar combinações formais, mas joviais”, explica. O jeito de falar também sofreu alterações. “Ouvi reclamações porque usava muitas gírias e, aos poucos, fui moldando a forma de me expressar”, lembra. Aline, que trabalha como assistente jurídica comissionada na Consultoria Jurídica da Prefeitura de Valparaíso há três anos, recebeu elogios dos colegas após a mudança. “Agora a minha imagem expressa mais seriedade”, afirma.

 

Dicas

Passo a passo para mudar de postura

Confira orientações para construir uma boa imagem

» É preciso se conhecer para saber quais são seus pontos fortes e fracos e, assim, ser capaz de mostrar o que você tem de melhor. Avalie e repense sua presença pessoal, ou seja, aparência, boas maneiras, como você fala, o jeito que lida com outras pessoas. Perguntar às pessoas do dia a dia o que elas acham de você e aceitar críticas pode ajudar nesse processo.

» Preocupe-se em como você se comporta em eventos sociais e naqueles relacionados a seu campo de atuação. É positivo participar de encontros, seminários, cursos que possam trazer novos conhecimentos e relacionamentos e, sobretudo, tratar muito bem a rede de amigos e conhecidos.

» Sempre aja de acordo com seus valores. Reflita sobre seus sucessos e fracassos e o que eles têm a ver com a sua posição atual. Assim você vai entender que atitudes podem atrapalhar ou alavancar o sucesso da sua carreira.

» Na internet, prefira postar conteúdos positivos sobre si mesmo, como conquistas e eventos dos quais participou. Compartilhar publicações relacionados à sua área de atuação e interagir com profissionais on-line é uma boa pedida, mas não se restrinja ao aspecto laboral: é importante mostrar sua vida pessoal ali também. Reclamar de chefes e empresas é um tiro no pé, além disso, não perca o controle discutindo sobre temas polêmicos.

Fontes: Maria do Carmo Marini, Irene Azevedoh, Marcos Vono, Arthus Brender e Juliana Palermo

 

Três perguntas para Arthur Bender

 

 

 

Autor do livro Personal branding — construindo sua marca pessoal, Arthur Bender é especialista em estratégia de marcas. Graduado em letras (francês e português), pós-graduado em literatura brasileira e em marketing, trabalha há 10 anos com planejamento estratégico de marcas corporativas e pessoais.

Como ter uma boa marca pessoal?
Um bom plano de personal branding passa pelo estudo das percepções — de como os outros te percebem —, mas, principalmente, da tentativa de entender quem você é, suas forças e fragilidades, compreender o que pode estar distorcendo a visão das pessoas sobre si mesmo ou prejudicando sua trajetória. Trata de se compreender melhor e de entender o poder das percepções alheias sobre ti.

Quais traços compõem a reputação?
Todos temos uma marca pessoal e, gostemos ou não da ideia, ela é composta por nome, sobrenome, conjunto de sinais, como imagem e traços genéticos, personalidade e atitudes. E é isso que acaba gerando a sua imagem. Dela, que é percepção, parte sua reputação — seu maior patrimônio (no mundo empresarial e na vida). É o que vai fazer com que os amigos e empresas te procurem ou se afastem, as portas se abram ou se fechem. Essa impressão determina se seu telefone vai tocar toda hora porque querem lhe oferecer um emprego ou se seu cartão de visitas vai parar no lixo de quem recebe. Todos deveriam construir a própria marca pessoal com ética, respeito e dedicação. Uma boa reputação pode ajudar a suportar melhor e até ajudar alguém a se reconstruir nas horas difíceis.

O que fazer se as pessoas falam mal de você, mesmo quando você se esforça para ser um bom profissional?
Não temos total controle sobre as percepções dos outros e nunca teremos, o que podemos é administrar o que influencia esse processo: nossos sinais e atitudes. Então, reflita profundamente sobre o que você transmite. Se os chefes amam um funcionário que é odiado pelos colegas, por exemplo, certamente esse sujeito não deve ser muito bom com os companheiros de trabalho. E, dessa forma, será boicotado, terá seu tapete puxado e nunca conseguirá ser visto com uma liderança legítima ou com base para o sucesso. No entanto, se você analisar seus atos e constatar que você é muito bom tecnicamente, leal, ético e, mesmo assim, está sendo boicotado ou malfalado, reveja o lugar em que trabalha. O mundo empresarial é um microuniverso da sociedade, e não existe paraíso. Em todo espaço, há pessoas íntegras e desonestas, justas e invejosas.

 

Leia
Personal branding — Construindo sua marca pessoal
Autor: Arthur Bender
Editora: Integrare
272 páginas
R$ 38,50
O livro aborda técnicas, dicas e propostas objetivas para administrar e potencializar uma marca pessoal, ampliar o valor dela no mercado e construir uma boa reputação.

 

 

 

Você não precisa ser um tubarão
Autor: Robert Herjavec
Editora: Primavera Editorial
272 páginas
R$ 34,90
Estrela do programa Shark Tank, do canal ABC, Robert Herjavec apresenta técnicas para vender serviços, produtos e até a si próprio, utilizando o marketing pessoal.

 

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