PERFIS DE SUCESSO - MAIRE NEIVA »

História de superação

Estilista deixou o mercado de roupas para abrir self-service. Receita de êxito está em trabalhar bastante, desde pequena, quando foi arrimo de família

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postado em 14/08/2016 15:55 / atualizado em 18/08/2016 11:17

Gabriela Studart

Inaugurado no início do ano no edifício Capital Financial Center, um dos mais novos do Setor de Indústrias Gráficas (SIG), o Batata Doce — Restaurante & Café (disponível pelo telefone 3711-5151) foi a primeira loja aberta no prédio comercial e traduz uma mudança de rota de Maire Neiva, 59 anos. A estilista costurou roupas para bonecas, foi dona de confecções e de duas butiques femininas na 305 Norte e no Guará, até que resolveu trocar de ares. “O mercado já foi bom na capital federal, mas, hoje, está enfraquecido. Além disso, as pessoas estão buscando muitas peças fora”, percebe. Depois de fechar os negócios, a mineira de Paracatu ajudou a filha, dona de dois restaurantes, por oito meses. “Nasci para o comércio, sou empresária há muitos anos, então logo tomei a decisão de abrir um meu”, conta ela, que tem outra filha advogada e uma professora.


“Não tive dificuldades para começar porque eu sabia o que fazer. Formei uma boa equipe e parti para o trabalho”, conta. O esforço se concentra num ambiente bem decorado, limpo e convidativo, que abriga mais de 80 opções diárias de pratos no almoço. O modelo é self-service, e tudo é servido por R$ 49,90/kg. Vários tipos de saladas e temperos, preparações básicas, regionais e requintadas — como galinhada, rabada, sarapatel, buchada, vatapá, sururu, torta e suflê de casquinha de caranguejo, paella, feijoada, postas de bacalhau e filé bovino alto — enchem o balcão. A leguminosa que dá nome à instituição é servida em forma de purê, chips e outras modalidades.


 

Para completar, há uma estação com 25 ingredientes e 30 condimentos em que cozinheiros montam massas e risotos, na hora. Tudo isso com um tempero leve e pouco óleo. Entre as sobremesas, destaca-se o pudim. Para a hora do lanche, tapiocas e suco verde agradam o paladar dos comensais. À noite, caldos — como de camarão e vaca atolada — aquecem o estômago e o coração. Nos próximos dias, o restaurante inaugurará uma novidade: um bufê de café da manhã.
A amiga e cliente Elaine Lustz Portela, 61, é só elogios aos pratos. “É uma comida saudável e gostosa, com ingredientes de qualidade e atendimento agradável”, conta a procuradora federal que idealizou o nome do restaurante que, atualmente, recebe 300 clientes por dia. “Fomos crescendo por meio do boca a boca, as pessoas elogiam muito”, diz Maire que, para manter tudo perfeito, trabalha 15 horas por dia.

 

Na equipe de 14 pessoas, um dos braços direitos é o chef Francisco Lindomar, 37. O esmero deles é para atender sempre os desejos dos clientes. “Servimos bufê para instituições aqui perto. Além disso, o salão é reservado para aniversários, confraternizações e casamentos”, exemplifica a empresária, que tem uma  história de superação. Pioneira, chegou à capital federal com 2 anos e morou, com a família, em casinha de madeira no Núcleo Bandeirante. “Fui arrimo de família. Comecei a trabalhar, por necessidade, com 10 anos, servindo café na Planalto de Automóveis”, lembra


Criou as três filhas sozinha, recebendo pensão do pai das meninas. “Foi uma trajetória difícil. Mas sou uma pessoa feliz, acima de tudo. A vida me motiva. Nada caiu do céu para mim: a primeira loja, a primeira moradia... Tudo foi fruto de muito trabalho”, revela. “Por isso, não tive medo de empreender na crise: eu sabia da minha capacidade. E o segredo é: trabalho, trabalho e mais trabalho”, revela a mineira, apesar dos percalços, não perde a alegria. É ela que anima o salão do restaurante. “Sou divertida, chamo todo mundo de ‘meu amor’. Quando não estou no balcão, os clientes sentem falta.”

 

Parceria
O planejamento para abrir o Batata Doce não previu que reformar e equipar o ponto escolhido, no SIG, demandaria tantos gastos e tempo. “Aluguei a loja no cimento. Toda a decoração foi projeto meu. Com o tempo, vendi carro para dar conta de continuar as obras, mesmo assim estava muito difícil. Então, procurei uma sócia para me ajudar e encontrei na imobiliária em que havia alugado a loja”, observa Maire. Foi assim que Maria de Lourdes Rodrigues de Sousa, 62, entrou para o negócio um pouco depois de ele ter sido aberto. Dona da imobiliária Luni Móveis, ela acreditou na proposta de Maire. “Acertamos que eu ficaria com a parte administrativa, e ela, com a lida diária. Estamos arriscando e trabalhando para dar certo”, revela a sócia. Por enquanto, ambas apenas investem no Batata Doce, mas esperam que a aplicação dê retorno nos próximos dois anos. Para as parceiras de negócio, é consenso que o mais importante é priorizar a qualidade da comida e a higiene. Para garantir bons itens, Maire faz todas as compras pessoalmente e, às 5h, está escolhendo produtos diariamente. “Compro tudo fresquinho e faço pesquisa de preço todas as manhãs.”

 

Na estante

 

A boa sorte 

Autores: Álex Rovira Celma e Fernando
Trías de Bes
Editora: Sextante
128 páginas
R$ 24,90
O livro começa com o reencontro de dois amigos de infância que não se viam havia 50 anos. Um deles se tornou muito bem-sucedido, enquanto o outro não soube aproveitar as oportunidades que teve. Por meio dessa fábula, é possível aprender que o sucesso não é fruto do acaso, mas de trabalho duro e da disposição para correr atrás dos próprios sonhos

 

Dono do próprio nariz

Autor: Adriano Silva
Editora: Rocco
272 páginas
R$ 34,50
Com a obra, Adriano Silva encerra a trilogia que começou com O executivo sincero — um papo reto com quem tem emprego e vive a vida executiva —, passou por Ansiedade corporativa — uma conversa radical e sincera sobre a rotina e seu impacto emocional na vida dos profissionais — para chegar à rotina dos que vivem sem férias e sem décimo terceiro salário.