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DE MALAS PRONTAS »

Viagem corporativa com uma pitada de lazer

Por um lado, deslocamentos a trabalho exigem dedicação intensa e organização; por outro, possibilitam a chance de conhecer lugares novos. Confira dicas para conseguir envolver programações turísticas no seu próximo trajeto de negócios

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postado em 28/08/2016 13:26 / atualizado em 28/08/2016 14:39

Carlos Moura

Viajar constantemente a trabalho pode ser o sonho de muitos profissionais. A experiência, quando frequente, inclui horas em aeroportos, pouca disponibilidade para ficar em casa ou com a família e muito tempo sozinho. Uma vantagem é que, quando possível, trabalhadores aproveitam para conhecer pontos turísticos entre uma reunião e outra. Segundo pesquisa realizada entre janeiro e fevereiro pela Booking.com, empresa de reservas de acomodações, 50% dos 4.555 entrevistados consideram viagens a negócios uma boa ocasião para explorar culturas e 46%  para conhecer uma cidade.


É o caso de Ana Tatiana Capeletti, 42 anos. Ela tem uma agenda intensa de deslocamentos por causa de compromissos do trabalho no escritório Mendonça de Amorim e Advogados Associados. Atuando em direito ambiental, vai frequentemente para o Norte do Brasil, onde aproveita para entrar em contato com a natureza. “Vou para onde tiver água. Gosto muito de cachoeiras, faço turismo na floresta amazônica e me divirto horrores.” Ana Tatiana relata ter alçado voo mais de 40 vezes apenas este ano e concilia com o marido, advogado, os cuidados com o filho e as tarefas do lar.


Carlos Moura

Antes de atuar na área de direito, Ana Tatiana foi modelo e editora de moda, período no qual fez viagens internacionais que incluíram Paris, Milão e Nova York. “Concilio lazer com tudo. Não tem essa de ficar focada apenas no trabalho: a pessoa fica endurecida desse jeito”, confessa. Juntar serviço e entretenimento na viagem não é problema, desde que o trabalhador tenha bom senso e não deixe de realizar a missão para a qual foi enviado.


Durante jornadas mais longas, o profissional provavelmente terá um ou outro período livre. “Nos fins de semana, por exemplo, não costuma haver compromisso de trabalho, e a pessoa pode aproveitar para visitar a cidade, conhecer museus e pontos turísticos, por exemplo”, descreve Norberto Chadad, CEO das empresas de consultoria Thomas Case & Associados e Fit RH Consulting. Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (AbraCorp), Gervásio Tanabe, as organizações começam a ter maior flexibilidade quanto a conciliar turismo e trabalho.


“Atualmente, há empresas que permitem que o empregado fique alguns dias a mais para lazer, principalmente quando o destino é longe. Claro que as despesas extras ficam a cargo do funcionário”, observa.

Longe de casa
Viajar a trabalho tem muitos benefícios além do lazer. Os ganhos do ponto de vista de formação são grandes, segundo Gervásio Tanabe, da AbraCorp. Além disso, estar em movimento se traduz em expansão de consciência, de acordo com Rosana Chaves, sócia-diretora da consultoria Moving Estratégia & Negócios. “Você desenvolve a perspicácia e a capacidade de visualizar a realidade por referenciais variados, atiça a curiosidade, além de conhecer pessoas diferentes.”


Para Rosana, a disponibilidade para viagens é uma questão a ser ponderada tanto pelos funcionários quanto pela companhia. “A instituição tem que ouvir o que o colaborador tem a dizer, e como isso impacta a vida pessoal dele, porque os resultados podem vir de forma contrária à esperada, caso ele esteja desmotivado”, afirma. A adaptação também pode ser um problema. Embora muitas pessoas reclamem do dia a dia de escritório, não ter rotina exige muito comprometimento e jogo de cintura.


 O paraibano Paulo Roberto dos Santos, 35 anos, entende bem como é isso. Ele se mudou para o DF em fevereiro deste ano, após realizar 60 viagens para cá no ano passado. Gerente da unidade de Brasília do Instituto Brasileiro de Políticas Públicas (Ibrapp), precisa se locomover semanalmente (às vezes, até duas ou três vezes por semana) para filiais no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em Rondônia e no Maranhão.


Por vezes, precisou embarcar apenas com as roupas do corpo e adquirir vestimentas e acessórios de higiene no local de destino. Segundo o administrador, o fato de ser solteiro colabora para sua mobilidada. “Facilita muito o fato de eu não ser casado ou ter filhos”, percebe. As contantes movimentações demandam resiliência, uma vez que há adversidades, o que exemplifica com um episódio em que ficou 26 horas perambulando entre aeroportos devido a cancelamentos de voo. “Dava para ter ido a Tóquio nesse intervalo.”


Embora a rotina seja exaustiva, Paulo Roberto assegura que prefere tecer vários trajetos a permanecer sempre num escritório. Viajar continuamente lhe confere a chance de conhecer lugares novos. Quando o curto período de viagem não permite lazer extenso, proporciona a oportunidade de saber se há desejo de retorno. “A primeira vez que fui a Belo Horizonte, por exemplo, foi a trabalho. Gostei tanto que voltei a passeio”, afirma o gerente.

 

Alçando voo

 

Gabriela Studart
 

Embora seja uma prática comum no mundo dos negócios, não há regulamentação sobre viagens a trabalho. Cada instituição costuma construir regras próprias  .Organizações de classes, como a Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), por exemplo, promovem encontros para estabelecer gastos médios. Os tipos de dispêndios, no entanto, são fixos. Consistem basicamente em passagens aéreas, hospedagem, alimentação e transporte. “As empresas com demanda constante de deslocamentos têm preocupação com o conforto e a segurança dos profissionais, que precisam ser considerados”, afirma a sócia-diretora da consultoria Moving Estratégia & Negócios Rosana Chaves.


Segundo pesquisa da 10ª edição do Latin American Corporate Travel Experience (Lacte) de 2015, viagens corporativas representaram 74,5% dos deslocamentos de turistas no país em 2014. Outra pesquisa, de Indicadores Econômicos das Viagens Corporativas (IEVC), organizada pela Alagev, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), revela que o turismo de negócios movimentou cerca de R$ 40 bilhões naquele ano.


Para Luciano Guimarães, vice-presidente de Operações e Marketing da Rextur Advance, empresa do Grupo CVC, a demanda por viagens corporativas existe em todos os setores, e os motivos são inúmeros. Para algumas companhias, é um investimento. “Quando as organizações percebem que o profissional tem potencial de crescimento, podem enviar o funcionário para fazer cursos ou viajar e trocar ideias com outras equipes”, esclarece Norberto Chadad, CEO da Thomas Case & Associados e da Fit RH Consulting.


Ferramentas de comunicação instantânea, como Skype, FaceTime e Duo, são adequadas para substituir uma viagem no caso de simples reuniões. No entanto, segundo Luciano Guimarães, certas questões só podem ser tratadas pessoalmente. “Quando há a oportunidade de se fechar um bom negócio, nada substitui a relação humana e a presença junto do potencial cliente”, garante.

 

Fazendo as malas

Na hora de embarcar, principalmente a negócios, algumas dicas de ouro podem ser muito úteis e até mandatórias para não fazer feio e aproveitar o tempo com satisfação e eficiência.

» Planeje-se: saiba de antemão os horários do voo, faça as reservas no hotel, organize seus traslados, saia da cidade com todas as reuniões agendadas e com os tópicos a serem discutidos estipulados. Isso fará com que você economize tempo, possa se preparar melhor para os encontros de negócios e ganhe intervalos para se envolver em atividades de lazer.

» Estude seu destino: dependendo de para onde se vai, a cultura pode ser muito ou pouco diferente da que você está acostumado. Na dúvida, não deixe de se aprofundar nos hábitos, valores, costumes, culinária e arte locais. Ao compreender a dinâmica particular do lugar, você mostra que está interessado na região que visita, não comete nenhuma gafe e ainda se informa sobre o que vale conhecer por ali.

» Aproveite cada instante: seja para conhecer organizações e desenvolver novas estratégias, seja para participar de uma simples reunião de negócios, quando um funcionário viaja em nome de uma organização, a empresa investe no profissional. Assim, é importante ficar atento a tudo relacionado ao propósito da viagem bem como ao ambiente que o cerca — daí podem surgir novas ideias, planos e projetos.

» Aprenda uma nova língua: no mundo dos negócios, relacionar-se bem é fator de suma importância. Como relações são desenvolvidas por meio de comunicação plena, é fundamental ter domínio de outros idiomas. Para viagens internacionais, o inglês é crucial. Em países de língua espanhola, dominar o espanhol também é importante. Além do viés corporativo, esses conhecimentos facilitam muito a vida como turista.

 

 

 

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