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PERFIS DE SUCESSO - PAULO MILANO »

O Milano do armarinho

À frente de marca familiar com 50 anos de tradição, empresário recebe cerca de 1,1 mil pessoas por dia em quatro lojas de artigos para costura no Plano Piloto e em Taguatinga

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postado em 28/08/2016 14:03

Ana Paula Lisboa

Gabriela Studart

 

Fundado em 1966, o Armarinho Milano — presente na 306 Sul, na 710/711 Norte e no Conjunto Nacional — tem tradição no Plano Piloto quando se trata de materiais de costura ou aviamentos. O nome homenageia o fundador, Stefano Milano, 84 anos, italiano que se mudou para São Paulo com cerca de 20 anos e, posteriormente, para Brasília em busca de melhores condições de vida. O filho mais velho e fruto do primeiro casamento, Paulo Milano, 52, está sozinho na gestão do negócio há 10 anos. “Hoje, meu pai está com Alzheimer. São coisas da vida”, comenta. “É uma pessoa que nunca frequentou uma escola, aprendeu a ler e fazer contas com um irmão, mas sabia de administração como poucos. Hoje, fala-se em otimizar processos, ele fazia isso de forma empírica muito bem. Está para ter uma faculdade que ensine de gestão como ele sabia”, elogia o filho. “Eu me sinto capacitado por ter passado uma boa temporada da vida com ele, que foi um excelente professor.”


Antes de abrir o armarinho, Stefano teve uma joalheira na 305 Sul, aberta em 1961. Cinco anos depois, mudou de ramo. “Comecei a trabalhar com ele ainda criança, aos 13 anos, e continuei até 10 anos atrás, quando saí da empresa e montei uma empresa minha, o Nosso Armarinho, em Taguatinga, próximo ao Taguacenter. O comércio sempre me atraiu.”
O contador e matemático adquiriu as partes do restante da família no Armarinho Milano e, hoje é detentor de todas as lojas. Entre os valores cultivados pelo pai e que Paulo mantém até hoje, estão ouvir o cliente e entender as necessidades dele ter preço justo, bom atendimento, buscar novidades, estoque diversificado e produtos de qualidade e persistência. Linhas, miçangas, agulhas, botões, broches e tecidos para patchwork estão entre os 30 mil itens vendidos nas lojas. “Tanto na época do meu pai quanto na minha, nunca foi fácil. Estamos sempre procurando nos reinventar. Nosso maior concorrente, hoje, são as lojas on-line, que têm custos diminutos em comparação com os nossos. Mesmo assim, muitas vezes, nossos preços são mais competitivos”, afirma.


Arquivo Pessoal

Há 20 anos, a rede passou a vender fantasias e acessórios, para ocasiões como carnaval, festa junina, halloween e Natal. “Isso partiu de uma necessidade identificada. Vendíamos os aviamentos para a confecção das peças. O consumidor mudou e não tem tanto tempo para costurar as roupas. Hoje, vendemos produtos de fornecedores e fabricação nossa, encomendados na confecção da minha irmã. Faz muito sucesso”, conta Paulo. Há 30 anos, a firma oferece cursos e oficinas de tricô, crochê, patchwork, bordado, tapeçaria (confira mais informações em www.armarinhomilanocnb.com.br) — ideia aplicada também no Nosso Armarinho, em Taguatinga.

 

A crise econômica tem afetado o volume de vendas. “O ticket médio por cliente fica menor. Em alguns produtos, se você comprar em maior quantidade, paga menos. No entanto, as pessoas querem levar exatamente aquilo de que vão precisar naquele momento”, diz. A recessão também impulsiona outros tipos de vendas. “Na parte de vestidos de festas, customiza-se mais peças, ao incrementar com um aviamento novo, um galão de pedraria ou uma tira de strass. A crise coloca a criatividade à prova”, conta.

Time de ouro
Para dar conta do recado, Paulo Milano conta com uma equipe de 42 pessoas, na qual investe constantemente. “Minha rotatividade é pequena e, há dois anos, contratei uma firma para dar treinamento aos funcionários, principalmente com foco no atendimento.” Uma das colaboradoras que é considerada patrimônio imaterial da casa é Márcia Ferreira Sampaio, 60. A cearense trabalhou na loja por 35 anos e, hoje, aposentada, volta para pequenas temporadas. “Quando entrei, o Paulo era adolescente e ele manteve aqui do mesmo jeito do pai. É um lugar muito bom e gosto de lidar com o público”, conta a ex-gerente.


Para supervisionar todas as unidades, ele mantém uma rotina apertada: de manhã, passa na loja do shopping; vai à da Asa Norte; segue para a da 306 Norte; se dirige até a de Taguatinga; volta ao Plano Piloto e almoça com a esposa; à tarde, volta a percorrer todas as lojas. Gerentes de confiança em todas as unidades são fundamentais para o trabalho dele. “Não adianta dizer que eu olho tudo.Eu delego e confio.” Pai de um moço de 26 e de uma moça de 22, Paulo não sabe se os herdeiros se interessarão pelo negócio, por isso, não pensa em expandir e foca em manter as quatro lojas saudáveis.

 

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